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Comportamento

Coronavírus no ES: o que mudou na rotina 60 dias após o primeiro caso

A doença chegou ao Estado em 5 de março, com uma mulher que havia viajado à Itália; veja como o dia a dia do capixaba se transformou desde então

Publicado em 08 de Maio de 2020 às 17:06

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 mai 2020 às 17:06
Vitória - ES - Ensaio: Muros e máscaras. Registros mostram a interação entre entre rostos cobertos com máscaras e arte na cidade em meio a pandemia de coronavírus.
Máscaras passaram a fazer parte do vestuário capixabas, mas essa foi apenas uma das mudanças causadas pela pandemia Crédito: Vitor Jubini
Há dois meses, aquela doença que surgiu na China e parecia distante da nossa realidade chegava ao Espírito Santo. No Estado, o primeiro caso confirmado do novo coronavírus data de 5 de março, quando uma moradora de Vila Velhavinda de uma viagem à Itália, foi diagnosticada com a Covid-19.
Desde então, o governo estadual, as prefeituras, as empresas e os próprios capixabas precisaram adotar medidas para tentar conter a crescente no número de infectados e de mortos da pandemia. Em apenas 60 dias, a rotina mudou drasticamente. Em um levantamento, A Gazeta mostra como tudo foi se transformando.

A VIDA AO LADO DO CORONAVÍRUS: UMA LINHA DO TEMPO

Oferecimento de teleconsultas

Com a chegada do novo coronavírus cada vez mais próxima de casa, os capixabas começaram a reforçar a limpeza de onde vivem e trabalham. Além, principalmente, da higienização das mãosO álcool em gel, a água sanitária e o sabão viraram grandes aliados nesse trabalho.
Além da limpeza das mãos, os capixabas também tomaram conhecimento da chamada “etiqueta respiratória”, com a orientação de usar a parte interna do antebraço para cobrir a boca ao tossir ou espirar. Manter uma distância mínima entre as pessoas nas ruas, não tocar as mucosas (boca, nariz e olho) e evitar aglomerações também foram medidas recomendadas pelas autoridades de saúde.
No sentido de manter as mãos limpas e higienizadas, especialistas alertaram o perigo que alguns acessórios ou hábitos podem ter. Anéis, relógios e pulseiras passaram a representar perigo e as unhas compridas também deveriam ser evitadas, por serem mais difíceis de se manterem limpas e por propiciarem o acúmulo de sujeira.
Sem banir as missas, o Arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos, recomendou que o “abraço da paz” fosse cortado e que a reza do “Pai Nosso” fosse feito sem dar as mãos. Mudanças na forma da entrega da comunhão também foram adotadas.
Pouco após o primeiro caso de coronavírus no Espírito Santo, Luiz Henrique Mandetta, então ministro da saúde, recomendou que os eventos públicos e particulares fossem revistos. Seguindo a recomendação, os capixabas começaram a cancelar e adiar aniversários e casamentos, cujas datas coincidiam com a chegada da pandemia.
Diversos centros de ensino universitário do Estado começaram a suspender as aulas no dia 16 de março. Entre eles, as principais faculdades particulares e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). No mesmo dia, o governador Renato Casagrande anunciou que todas as aulas deveriam ser suspensas ainda naquela semana.
O maior exemplo de como o exercício da fé capixaba foi alterado é a realização da Festa da Penha em formato virtual, sem as tradicionais romarias que acontecem anualmente. Líderes religiosos também dispensaram os fieis e paróquias da Grande Vitória suspenderam as missas. Consequentemente, começaram a surgir, orações feitas de forma coletiva nas varandas e sacadas dos prédios residenciais.
No dia 18 de março, o governador Renato Casagrande determinou que o comércio considerado não essencial deveria ser fechado. Assim como os shoppings e as academias de ginástica em todo o Estado.
Seguindo recomendações externas, os condomínios da Grande Vitória começaram a adotar diversas medidas para conter a transmissão interna do novo coronavírus. A principal delas foi o fechamento das áreas de lazer, incluindo piscina, churrasqueira, parquinho, salão de festas e academia.
Para colaborar com as medidas de combate à pandemia, diversas empresas passaram a adotar o home office. Ou seja, muitos funcionários começaram a trabalhar das próprias casas – o que requer organização e disciplina e também reconfigura os direitos e deveres das partes envolvidas.
Para liberar leitos e evitar que as pessoas se dirigissem a hospitais, onde o risco de contágio pelo novo coronavírus é maior, unidades da rede pública e privada suspenderam consultas, exames e até cirurgias eletivas. Ou seja, começaram a realizar, apenas, os atendimentos considerados de urgência ou emergência.
Para tentar driblar a queda no faturamento com as restrições ao comércio, bares e restaurantes, os empreendedores capixabas passaram a fazer ou intensificar o serviço de delivery e as vendas on-line. As entregas vão desde restaurantes, até pet shops e produtos eróticos. No final de março, A Gazeta lançou uma campanha para incentivar os produtores e comerciantes locais.
Um conjunto de fatores, como o medo do novo coronavírus e a necessidade do distanciamento social, fez aumentar diversos problemas psicológicos. A ansiedade e a angústia são apenas dois exemplos.
Com as academias fechadas, os capixabas precisaram adaptar a rotina e começar a fazer as atividades físicas em casa. Alguns estabelecimentos liberaram treinos específicos para a quarentena e profissionais da área também elaboraram uma série de exercícios para dar adeus ao sedentarismo.
Com o comércio fechado e com as pessoas ficando em casa, muitos autônomos e trabalhadores informais ficaram sem renda. Diante desse cenário, diversas ações mostraram a solidariedade do povo capixaba: vaquinha para ajudar pipoqueirodistribuição de marmitas para caminhoneiros e projeto para oferecer promoções que ajudam pequenos empreendedores. São diversos exemplos que você pode conferir aqui.
Na tentativa de tornar a quarentena menos dura, músicos começaram a realizar apresentações nas próprias sacadas e nos prédios onde moram. Os shows se multiplicaram ao longo do território capixaba: teve DJ em Cachoeiro de Itapemirimsaxofonista em Castelo e um casal de violinistas em Vitória.
Iniciadas apenas como uma forma de entretenimento em marçoas famosas “Lives” ganharam força em abril e se estabeleceram como grandes shows virtuais – que além de divertir, arrecadam doações para todo o país. Além das musicais, várias transmissões ao vivo são bate-papos e conversas sobre os mais variados temas.
Embora as máscaras fossem vistas nas ruas do Espírito Santo antes, a recomendação do Ministério da Saúde para que as pessoas utilizassem a proteção feita de tecido foi dada no início de abril. Na época, surgiram tutoriais ensinando como fazer a própria máscara; assim como costureiras e artesãs que as confeccionaram para fugir da crise ou para doar.
Entre meados de março e abril, os supermercados capixabas passaram a adotar diversas medidas para proteger clientes e funcionários. Exemplos dessa nova postura foram a adoção de placas de acrílico nos caixas e a abertura em um horário específico para idosos.
Sem previsão de retomar as aulas presenciais, as escolas públicas passaram a oferecer exercícios para os alunos pela internet. Na segunda semana de abril, o governo estadual lançou o programa EscoLAR, com aulas on-line.
No dia 20 de abril, as máscaras passaram a ser obrigatórias para todos que fossem às ruas nas cidades capixabas consideradas de risco alto para a transmissão da Covid-19. Entre elas: Vitória, Vila Velha, SerraCariacica e Viana. A medida pode ser passível de multa no futuro, de acordo com o governador Renato Casagrande.
Para tentar minimizar os problemas psicológicos, profissionais da área se uniram para oferecer atendimento gratuito por telefone a quem precisar. Já os atendimentos à distância para problemas físicos passaram a integrar os principais planos de saúde na última semana. Há consultas por videochamadas e até emissão de receitas on-line.

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