Psicólogos do ES se juntam para atender de graça na pandemia

O projeto visa dar assistência a pessoas que se sentem angustiadas neste período de isolamento social

Publicado em 16/04/2020 às 06h00
Atualizado em 16/04/2020 às 06h00
Celular
Por meio de um número de celular, a pessoa pode se consultar com um especialista em traumas. Crédito: Pixabay

À medida que os casos do novo coronavírus (Covid-19) avançam, também crescem as incertezas. Além das preocupações com a saúde, muitos vivenciam a angústia da redução do orçamento familiar, da perda do emprego, da interrupção de projetos pessoais. Soma-se a isso a necessidade de fazer o isolamento social e, pronto, corpo e mente sentem o baque. 

Para tentar minimizar os efeitos colaterais da doença até em quem não foi infectado, psicólogos do Estado se juntaram para oferecer atendimento gratuito.

A iniciativa, coordenada pelo Instituto Acalanto, reúne  profissionais em um projeto voluntário de suporte emocional para as pessoas angustiadas com o distanciamento social e toda a crise decorrente da Covid-19. 

Para buscar apoio, basta entrar em contato pelo número (27) 99858-8280, das 9 horas à meia-noite. Não há agendamento e, no primeiro contato, o atendimento já é realizado por telefone.

Todos os profissionais têm formação para fazer abordagens relacionadas a traumas, mas também receberam capacitação específica para o atendimento desta nova condição provocada pela pandemia. 

Coordenadora do SOS Apoio Emocional, a psicóloga Daniela Reis conta que o projeto começou há quase um mês como um piloto para funcionar por 15 dias, mas agora o período de assistência gratuita foi prorrogado até o final de maio. Ela não descarta, porém, a possibilidade de estender o serviço voluntário por mais tempo, caso haja condições para tal.

"Essa linha foi criada para fins de apoio àqueles que estão em sofrimento psíquico provocado pela situação da pandemia, e foi pensado num formato de intervenção de crise", pontua Daniela. 

Até o momento, já foram atendidas cerca de 200 pessoas e outras 100 apareceram em registro de espera da ligação. Como o atendimento é exclusivamente por telefone, às vezes não será na primeira tentativa que será obtido o contato. A psicóloga explica que a atuação dos voluntários é focada em fazer uma escuta qualificada - e esse procedimento não é rápido - aconselhar e orientar quem busca apoio.

Vale lembrar que não se trata de um atendimento psicoterápico para questões que não estejam relacionadas à Covid-19.  "O apoio é para as pessoas que estão ansiosas, angustiadas, tristes, com sintomas físicos sem saber onde buscar ajuda, ou que tiveram um tratamento psicológico interrompido, tudo isso em função da pandemia. Elas nos passam informações que vamos ajudar a construir saídas para este momento de crise", ressalta. 

No grupo já atendido pelos voluntários, há pessoas que têm medo de se contaminar, ou estão preocupadas com o risco de infectar os outros; aflitas com a possibilidade de perder o emprego; com sofrimento psíquico intenso e ideação suicida; e quem tem familiares doentes. "A gente também está começando a receber os enlutados", afirma Daniela. 

Além do suporte psicológico, a equipe de voluntários ainda orienta sobre onde buscar determinados serviços de saúde, como hospital de referência para atendimento psiquiátrico, que estão  em funcionamento. O projeto recebeu o aval do Conselho Regional de Psicologia (CRP-ES).

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