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Costureiras fazem máscaras de pano para enfrentar crise do coronavírus

Várias profissionais que perderam clientela neste período de queda nas vendas estão conseguindo sobreviver com a produção de máscaras reutilizáveis

Publicado em 05/04/2020 às 10h52
Atualizado em 08/04/2020 às 10h29
Maria das Graças Romeiro tem 65 anos e começou a produzir máscaras de pano. Crédito: Aline Juliana Romeiro
Maria das Graças Romeiro tem 65 anos e começou a produzir máscaras de pano. Crédito: Aline Juliana Romeiro
Selo para campanha apoie o capixaba -  empreendedores

De um dia para os outros pedidos de fabricação de roupas para apresentações e festas deixaram de chegar. A máquina de costura ficou parada. Diante do avanço do coronavírus (Covid-19) e dos decretos estabelecendo o isolamento da população, a rotina de quem vivia dessa atividade teve que mudar.  Para enfrentar essa crise, foi preciso encarar o problema e perceber que uma saída possível seria a produção de máscaras de pano.

Em todo o país, a falta desses equipamentos de proteção no modelo descartável vem se agravando. Ao mesmo tempo, vem se abrindo uma janela para a produção dos itens de proteção após o Ministério da Saúde recomendar que todos, até os assintomáticos, passem a usar a peça no dia a dia.  E não falta criatividade na confecção. As peças, que geralmente são feitas em cores neutras, como branca, azul, cinza e preta, ganharam ar mais moderno. Estampas de bichinhos a vilões estão ganhando o rosto dos capixabas.

A costureira Vilma Santos Vancuylendurg, 70 anos, mora em Jardim Tropical na Serra. Ela tem uma banca de fantasias em Jardim Camburi, Vitória, e também realiza consertos. Devido à idade, ela está no grupo de risco e não sai de casa. Além disso, a venda das roupas que produz diminuiu drasticamente.

"Tem mais de 20 anos que costuro. Já trabalhei com outras coisas, mas sempre gostei de costura. A situação era que eu não poderia atender meus clientes e fazer fantasias. Então, há quase uma semana, resolvi fazer máscaras. Prezo muito que numa situação dessa tenhamos proteção e qualidade. Não foi apenas por dinheiro, mas ele também é importante para continuar me dando uma renda", conta.

Produzir máscaras de pano vira alternativa para sobreviver a crise
Produzir máscaras de pano vira alternativa para sobreviver a crise. Crédito: Vilma Santos Vancuylendurg

As máscaras que ela fabrica são de tecido de algodão dupla face, forradas com TNT 40 por dentro e tem um porta-filtro, que possibilita a troca dele. Cada máscara é vendida a R$ 15 e o kit com 4 sai a R$ 50. Ela também outras versões para atender quem quer ainda mais proteção.

Já a família da professora Layza Faller Pimenta é proprietária do Ateliê Pimenta no Centro de Vila Velha. Lá são produzidos figurinos e roupas para apresentações de dança e de escolas. Ela conta que começaram a produzir máscaras para a própria família. "Temos uma idosa de 93 anos morando com a minha avó e para auxiliá-las precisávamos ter mais cuidado. Então as amigas da minha mãe também começaram a pedir", lembra.

Layza Faller Pimanta

professora

"Foi uma alternativa para manter o negócio viável e para ajudar a auxiliar as pessoas. Recebemos demanda até da Salvador, na Bahia. Eu, minha mãe e meu pai conseguimos produzir de 200 a 230 máscaras por dia, mas a demanda é ainda maior"

No começo, ela vendia cerca de 12 máscaras por dia, agora são quase 200 diariamente. Para produzir a máscara é usado tecido de algodão, tanto tricoline como malha, e duas camadas de TNT no forro. Além disso, é possível escolher se ela será com tecido estampado ou branca. Cada máscara de tecido é comercializada a R$ 5 reais e as de malha a R$ 4.

O NEGÓCIO É FAZER MÁSCARAS ESTAMPADAS 

Produzir máscaras de pano vira alternativa para sobreviver a crise
Produzir máscaras de pano virou alternativa para sobreviver a crise. Crédito: Personal Print/Divulgação

Além das máscaras das cores tradicionais (banco, azul e verde) os empreendedores têm apostado em estampas para agradar ao público. Personagens de cartuns, bichinhos, monstros, super-heróis e emojis são apenas algumas das dezenas de opções disponíveis no mercado.

Em Cariacica, por exemplo, uma empresa da área de comunicação visual em tecido precisou arrumar um meio de manter a receita com as vendas despencando. "Minha filha teve uma ideia de fazer mascara e uma ex-funcionaria também falou com a gente. Então pensamos em fazer algo descontraído para que as pessoas saíssem na rua e levassem bom humor com elas", lembra Amélia Rosa da Silva Azevedo, direta da Personal Print.

Agora, segundo ela, são fabricadas duas linhas, uma de máscaras estampadas e outra mais comercial (branca) para as empresas. "Começamos para tentar cobrir os custos fixos da empresa, hoje já conseguimos isso. Tem empresas que estão comprando 1 mil ou 2 mil por vez. As vendas estão sendo boas, mas o problema maior é o material. Estamos com dificuldades de comprar, mas vamos ligando para um e para outro e acabamos conseguindo encontrar", explica.

As máscaras são feiras de tecido e TNT.  O quite com cinco unidades decoradas é comercializado a R$ 75. Já as máscaras brancas saem a R$ 6,90 cada. Amélia lembra ainda que existe a opção da empresa colocar a sua marca na máscara.

Produzir máscaras de pano vira alternativa para sobreviver a crise. Crédito: Aline Juliana Romeiro
Produzir máscaras de pano vira alternativa para sobreviver a crise. Crédito: Aline Juliana Romeiro

COMPRE UMA, LEVE DUAS E AJUDE O OUTRO

Em Jardim Camburi, Vitória, a mãe da administradora Aline Juliana Romeiro, Maria das Graças Romeiro, é costureira e como tem 65 anos está no grupo de risco do coronavírus. Com o avanço da epidemia no Espírito Santo ela passou a ficar sempre em casa como medida de proteção. Ela e a mãe decidiram fazer máscaras para comercializar e também para doar. 

Cada máscara produzida é vendida a R$ 7, sendo que a pessoa ainda leva outra para casa junto com as orientações de uso. Com o dinheiro, elas compram material para produzir mais máscaras que serão doadas para profissionais da saúde e também para profissionais que não podem fazer home office, como caixas de supermercados e lanchonetes.  

"Começamos a produzir na última quinta-feira (02). Eu corto o pano à noite e minha mãe costura durante o dia. Quem pode paga e, quem não, a gente dá. A ideia principal é ajudar da forma que podemos", conta.

DE LAÇOS ÀS MÁSCARAS

Em Vila Velha, a administradora Danielle Lameri Cuz Silva e a família tem uma loja on-line de laços e acessórios. Ela conta que quando começaram as primeiras informações sobre a pandemia do coronavírus as vendas começaram a cair. Diante desse cenário, interromperam a produção e começaram a pensar em como manter a renda.

"Começamos a fazer máscaras reutilizáveis com o tecido que tínhamos. Agora recebemos doações de tecidos para confeccionar elas e as doarmos. Como administramos bem nossas despesas conseguimos ter uma reserva de emergência e assim ajudar quem precisa", conta.

CUIDADOS AO USAR AS MÁSCARAS

É importante lembrar que a máscara é apenas um elemento adicional a todas as recomendações de distanciamento social e higienização indicadas pelas autoridades sanitárias. Segundo a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é recomendado o uso das máscaras nas seguintes condições e com os seguintes propósitos:   

  1. Para um uso curto, idealmente inferior a duas horas e especialmente para sair de casa, como idas ao supermercado ou à farmácia. Desaconselha-se seu uso por mais de duas horas, porque existem evidências de que a umidade gerada pela respiração através da máscara pode ajudar na contaminação do usuário;
  2. Sempre para uso pessoal, não podendo compartilhar com ninguém;
  3. A máscara deve cobrir o tempo todo o nariz e a boca;
  4. Evite tocar na máscara durante seu uso. Se precisar ajustar faça-o somente pelas laterais e com as mãos lavadas;
  5. Caso sua rotina exija de você estar fora de casa por mais de duas horas, confeccione mais de uma máscara para uso pessoal e troque, com as precauções explicadas abaixo:
  6. As máscaras não devem ser retiradas de qualquer jeito. Quando forem retiradas, é preciso lavar as mãos, e usar somente os elásticos para puxá-las, com o corpo inclinado para frente a fim de minimizar qualquer possibilidade de contato da parte externa contaminada com o rosto. Coloque na solução de desinfecção de forma imediata, ou se estiver fora de casa, numa sacola plástica que precisa ser bem fechada e sempre manuseada com muito cuidado. Lave as suas mãos novamente após este procedimento;
  7. Além disso, as máscaras reutilizáveis devem ser desinfetadas depois de cada uso. Caso não consiga desinfetar no momento em que a retirar, guarde-a em uma sacola bem fechada e não mexa até poder desinfetar;
  8. Para desinfetar a máscara: mergulhe a máscara durante 15 minutos numa solução de água sanitária, enxaguando-a depois em água limpa (quatro a seis vezes o mesmo volume) durante dois minutos a cada vez. A solução de água sanitária precisa atingir uma concentração entre 0,25 e 0,5% de cloro livre (escolha uma água sanitária e procure no rótulo que tenha no mínimo 2% a 2,5% de cloro livre e faça a diluição conforme o cálculo adequado, entre quatro e 10 vezes dependendo da concentração). A solução pronta pode ser guardada para reutilização em embalagem opaca ou na escuridão por até 48 horas;
  9. Não é preciso retirar a folha de polipropileno+celulose a cada desinfecção, somente após a quarta vez que se repita o processo, e deve-se deixar secar a máscara por completo cada vez, antes do próximo uso.

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