Há 19 anos vendendo pipoca e fazendo a alegria da criançada que estuda em um colégio particular no Centro de Vila Velha. De repente, vieram as medidas para conter o avanço do novo coronavírus no Espírito Santo e as aulas foram suspensas. O Tio Zé, como é mais conhecido o pipoqueiro José de Andrade Moreira, ficou sem ter como trabalhar.
Porém, apenas dois dias antes, em 21 de março, ele foi contratado para a festinha de um dos alunos e a mãe do menino, Patricia Novais, teve a preocupação de saber qual era a situação dele. Tínhamos um contato mais próximo, falei com ele e perguntei como estava. O ano financeiro estava apenas começando e ele contou que estava sem reservas, disse.
Dessa conversa, surgiu a ideia de ajudá-lo a passar por esse período de quarentena.
"Pedi a autorização para fazer a campanha e informar a conta dele em um aplicativo de pagamento on-line para outras mães e pais, para que cada um ajudasse como pudesse. Brinquei que era uma pipoca virtual, com sabor de solidariedade"
Em apenas alguns dias, a mobilização surtiu efeito. Tive a curiosidade de saber quantas pessoas tinham ajudado e, quando eu olhei, já eram 20 ou 30. Ele me mandou uma mensagem agradecendo, dizendo que ia conseguir ajudar a família. Foi na hora certa. Vimos que foi algo muito importante para ele, contou feliz.
"Em um momento de caos tão negativo, com a necessidade de enfrentar um mal tão grande, foi maravilhoso ver que o bem também trabalha"
Filho do Tio Zé e colega de trabalho do pai, José Carlos Moreira revelou que a família estava prestes a ter a água e a luz cortadas. Não tínhamos conseguido trabalhar no Carnaval. Estávamos com seis contas atrasadas: três de cada serviço, admitiu ele, que também tem duas filhas: uma de dois e outra de três anos de idade.
Com diversas doações que variaram de R$ 5 a R$ 100, eles conseguiram ficar em uma situação mais confortável. Pagamos quatro dos boletos atrasados, compramos leite e fralda para as minhas pequenas e comida para todos. Também conseguimos ajudar uma tia minha que é deficiente, disse José Carlos, agradecido pela ação.
Além dos dois, uma prima é pipoqueira, em outro portão do mesmo colégio de Vila Velha e a dura realidade deles também é a enfrentada por outros trabalhadores. Só aqui na Grande Vitória, sabemos que tem 47 famílias que trabalham vendendo pipoca. Todos estão parados porque a gente depende das pessoas e as pessoas estão em casa, comentou.
COMO AJUDAR A FAMÍLIA DO TIO ZÉ
A mobilização desses pais e mães é apenas um dos exemplos de solidariedade capixaba praticados durante esse isolamento. E quem quiser ajudar o Tio Zé pode fazer uma transferência de qualquer valor para o @tiozepipoca no Picpay. Em meio às mensagens das doações registradas no aplicativo, uma frase resume bem a atual situação: Você não está sozinho.