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Saúde é a área com mais problemas em Cariacica, apontam eleitores

Pesquisa Ibope aponta que para 64% dos entrevistados, Saúde é a área em que os moradores da cidade enfrentam maiores problemas, seguida de segurança pública e educação

Publicado em 18/10/2020 às 17h52
Atualizado em 18/10/2020 às 17h58
Pesquisa Ibope - Eleições 2020 - Cariacica - Problema - Saúde
Pesquisa Ibope mostrou que para 64% dos eleitores entrevistados a saúde é a área mais problemática do município. Crédito: Arte Geraldo Neto

Quem for eleito em novembro para administrar Cariacica pelos próximos quatro anos terá que prestar atenção ao setor da saúde no município.  É a área com mais problemas,  segundo eleitores ouvidos pela pesquisa Ibope, realizada no município a pedido da Rede Gazeta. Foi o que apontaram 64% dos entrevistados ao serem questionados.  Na sequência as reclamações recaem sobre segurança pública e educação, citadas por 50% e 27% dos eleitores, respectivamente.

Os entrevistados podem citar mais de um problema, elencando-os em 1º, 2º, 3º e assim sucessivamente. Por isso, a soma das porcentagens ultrapassa 100%. A saúde foi a área mais apontada mesmo entre os eleitores que consideram a gestão do atual prefeito, Juninho (Cidadania), ótima ou boa. Mais da metade (51%) consideram essa a área mais problemática. Entre os que consideram a gestão regular e ruim ou péssima o percentual foi igual: 65% de cada segmento. A gestão de Juninho é considerada ruim por 68% dos entrevistados.

A lista segue com limpeza pública e rede de esgoto, empatados com 20%, acompanhada do calçamento de ruas e avenidas e da geração de emprego, com 18%. Veja o gráfico abaixo.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS

Na Grande Vitória e no Estado, Cariacica é a quarta cidade com o maior número de infectados pelo novo coronavírus, com mais de 13 mil casos de contaminação. Ocupa ainda o terceiro lugar em número de óbitos pela  Covid-19. Mas os problemas na saúde no município são antigos e anteriores a pandemia.

Em 2018 uma blitz realizada pelo Sindicato dos Médicos apontou que as unidades de  pronto-atendimento do município estavam entre os piores da Grande Vitória. O relatório falava de alta demanda, quantitativo reduzido de profissionais e até uma unidade de saúde que funcionava em um "puxadinho cedido pela igreja do bairro por iniciativa dos moradores."

No mesmo ano, um dos médicos que atendiam em unidades da saúde municipal se revoltou com as condições de trabalho e quebrou cadeiras, gavetas e lixeiras. Para a CBN, o médico havia dito que se revoltou com o fato de que não tinha, sequer, sala para atender os pacientes, além de faltar equipamentos como termômetro, macas e estetoscópios. Um ano depois, A Gazeta voltou ao local e ele reforçou que a situação era a mesma.

No ano passado, também foram registradas mais reclamações sobre o setor. O Pronto Atendimento Infantil de Alto Lage, que desde junho do ano passado é administrado por uma organização socialchegou a ficar fechado por duas ocasiões, em abril e maio daquele ano, por não ter profissionais para atender os pacientes. Em uma das situações, cinco médicos pediram demissão alegando más condições de trabalho.

Um dos principais pontos apontados pelos moradores do município é a falta de profissionais. Acontece que a prefeitura tem dificuldades de contratar médicos, que consideram os salários oferecidos "um abuso" e "um desrespeito", de acordo com o Sindicato da categoria.

Em janeiro, a prefeitura abriu 33 vagas para médicos, oferecendo um salário de R$ 2,5 mil para uma carga-horária de 20 horas semanais. Para quatro especialidades (Neurologia, Neurologia pediátrica, Otorrinolaringologista e Psiquiatria) não houve um inscrito sequer. Na ocasião, a prefeitura respondeu para A Gazeta que, além dos salários, os profissionais receberiam uma gratificação por produtividade, conforme o número de pacientes atendidos pelo profissional e, portanto, os ganhos poderiam se equiparar com a média da Grande Vitória.

O município aguarda, também, a conclusão da construção de um Hospital Geral. O governo de Renato Casagrande (PSB) fez, em julho, licitação para escolher a empresa que terá mais de três anos para concluir as obras. O nome do hospital, que é uma obra do governo estadual e não municipal, aparece nas propostas de muitos dos candidatos que disputam a prefeitura, e que afirmam que irão cobrar e atuar para que não haja atrasos.

RECORTES

Os problemas da saúde são consenso em quase todos os recortes. Na divisão dos eleitores por renda familiar, desde os que recebem até um salário mínimo até os que recebem mais de dois, em todos a saúde foi apontada como maior problema pela maioria dos eleitores. O mesmo aconteceu quando se olha a idade e sexo dos entrevistados. A porcentagem dos que consideram o setor o mais problemático no recorde de renda ficou assim:

  • Até 1 salário mínimo: 68%
  • De 1 até 2 salários mínimos: 61%
  • Mais de 2 salários mínimos: 63%

O único ponto divergente é na escolaridade. Pessoas com ensino superior se preocupam mais com segurança pública. 62% dos eleitores com ensino superior consideraram a segurança o maior problema, enquanto 57% falaram da saúde. Já entre os que tem até o ensino fundamental, 68% se preocupam com a saúde e 43% com a segurança.

A preocupação com a segurança segue a tendência da Grande Vitória. Tanto na Capital quanto em Vila Velha, o Ibope apontou que essa é a principal preocupação dos eleitores. O Espírito Santo teve o setembro mais violento dos últimos quatro anos e a Região Metropolitana de Vitória concentra 484 dos 830 homicídios registrados no mês.

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