Quem for eleito em novembro para administrar Cariacica pelos próximos quatro anos terá que prestar atenção ao setor da saúde no município. É a área com mais problemas, segundo eleitores ouvidos pela pesquisa Ibope, realizada no município a pedido da Rede Gazeta. Foi o que apontaram 64% dos entrevistados ao serem questionados. Na sequência as reclamações recaem sobre segurança pública e educação, citadas por 50% e 27% dos eleitores, respectivamente.
Os entrevistados podem citar mais de um problema, elencando-os em 1º, 2º, 3º e assim sucessivamente. Por isso, a soma das porcentagens ultrapassa 100%. A saúde foi a área mais apontada mesmo entre os eleitores que consideram a gestão do atual prefeito, Juninho (Cidadania), ótima ou boa. Mais da metade (51%) consideram essa a área mais problemática. Entre os que consideram a gestão regular e ruim ou péssima o percentual foi igual: 65% de cada segmento. A
gestão de Juninho é considerada ruim por 68% dos entrevistados.
A lista segue com limpeza pública e rede de esgoto, empatados com 20%, acompanhada do calçamento de ruas e avenidas e da geração de emprego, com 18%. Veja o gráfico abaixo.
Na Grande Vitória e no Estado, Cariacica é a quarta cidade com o maior número de infectados pelo novo coronavírus, com mais de 13 mil casos de contaminação. Ocupa ainda o terceiro lugar em número de óbitos pela Covid-19. Mas os problemas na saúde no município são antigos e anteriores a pandemia.
Em
janeiro, a prefeitura abriu 33 vagas para médicos, oferecendo um salário de R$ 2,5 mil para uma carga-horária de 20 horas semanais. Para quatro especialidades (Neurologia, Neurologia pediátrica, Otorrinolaringologista e Psiquiatria) não houve um inscrito sequer. Na ocasião, a prefeitura respondeu para
A Gazeta que, além dos salários, os profissionais receberiam uma gratificação por produtividade, conforme o número de pacientes atendidos pelo profissional e, portanto, os ganhos poderiam se equiparar com a média da Grande Vitória.
O município aguarda, também, a conclusão da construção de um Hospital Geral. O governo de Renato Casagrande (PSB) fez, em julho,
licitação para escolher a empresa que terá mais de três anos para concluir as obras. O nome do hospital, que é uma obra do governo estadual e não municipal, aparece nas propostas de muitos dos candidatos que disputam a prefeitura, e que afirmam que irão cobrar e atuar para que não haja atrasos.
Os problemas da saúde são consenso em quase todos os recortes. Na divisão dos eleitores por renda familiar, desde os que recebem até um salário mínimo até os que recebem mais de dois, em todos a saúde foi apontada como maior problema pela maioria dos eleitores. O mesmo aconteceu quando se olha a idade e sexo dos entrevistados. A porcentagem dos que consideram o setor o mais problemático no recorde de renda ficou assim:
O único ponto divergente é na escolaridade. Pessoas com ensino superior se preocupam mais com segurança pública. 62% dos eleitores com ensino superior consideraram a segurança o maior problema, enquanto 57% falaram da saúde. Já entre os que tem até o ensino fundamental, 68% se preocupam com a saúde e 43% com a segurança.