Estagiária / [email protected]
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16:33
O carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 228,7 milhões na economia do Espírito Santo, segundo estimativa do Connect Fecomércio-ES. O valor representa um crescimento de 3,5% em relação a 2025, quando o impacto econômico foi estimado em R$ 221 milhões, e supera a média de crescimento registrada nos últimos dez anos, de aproximadamente 2% ao ano. >
A projeção considera principalmente os setores de comércio, serviços e turismo, tradicionalmente mais aquecidos durante o período de folia. Caso o cenário se confirme, este será o melhor desempenho do carnaval capixaba desde a pandemia da covid-19. Os dados têm como base levantamentos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em todo o país, a entidade estima que o carnaval gere R$ 14,48 bilhões em receitas, crescimento real de 3,8% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação.>
Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o cenário indica um ambiente mais favorável ao consumo e à atividade turística. “O crescimento projetado reflete impactos diretos na geração de renda e na criação de empregos temporários”, avalia.>
Um dos fatores que contribuem para o bom desempenho é a realização do Carnaval de Vitória antes do calendário nacional. A antecipação coloca a capital capixaba em um circuito ampliado de eventos, atraindo turistas que buscam prolongar o período de lazer ou participar de mais de uma programação carnavalesca.>
>
“Essa estratégia reduz a concorrência direta com outros grandes destinos e ajuda a ampliar o fluxo turístico fora do pico nacional”, explica Spalenza. Na prática, o efeito aparece no aumento da ocupação hoteleira e no crescimento do consumo em bares, restaurantes e no comércio local.>
A expectativa é de que a maior parte da movimentação econômica se concentre em Vitória, Guarapari e outros municípios litorâneos, que tradicionalmente recebem o maior número de visitantes durante o carnaval.>
Do total estimado para o Espírito Santo, cerca de R$ 91,1 milhões devem vir dos serviços de alimentação, o equivalente a 39,8% da movimentação. Já os serviços de hospedagem devem responder por aproximadamente R$ 22,7 milhões (9,9%). Também se destacam os setores de lazer, cultura e transporte rodoviário e aéreo.>
Além do impacto financeiro, o carnaval deve impulsionar o mercado de trabalho temporário. A projeção indica a criação de 704 vagas, o maior volume de contratações para o período nos últimos sete anos no Estado. Segundo o Connect Fecomércio-ES, o dado sinaliza maior confiança dos empresários na demanda esperada para a folia.>
Apesar do cenário aquecido, o período também pesa no bolso dos consumidores. Na Grande Vitória, a inflação acumulada da cesta de consumo para atividades domiciliares chegou a 4,99% até dezembro de 2025, acima da média nacional (4,26%). O principal impacto veio do grupo bebidas e infusões, que registrou alta de 16,97%, puxada pela cerveja.>
Para quem participa dos blocos de rua, os custos com alimentação fora de casa também aumentaram. O grupo acumulou alta de 9,31%, com destaque para os lanches, que subiram 14,17%. Já o grupo de vestuário registrou aumento de 6,6%, com destaque para joias e bijuterias usadas em fantasias, que encareceram 20,15%.>
Entre os foliões que pretendem viajar, o grupo transportes apresentou inflação de 3,59%, influenciada principalmente pelo aumento de 12,57% no preço das passagens de ônibus intermunicipais. As passagens aéreas tiveram alta mais moderada, de 2,91%.>
Mesmo com o avanço dos preços em alguns itens, o Connect Fecomércio-ES avalia que a folia segue como um importante motor da economia capixaba. “O conjunto de dados mostra que o Carnaval segue como um importante indutor da atividade econômica, capaz de dinamizar diferentes setores e fortalecer o desempenho do Estado no início do ano”, conclui Spalenza.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta