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Covid-19: ES passa de 8 mil para 9 mil mortes em tempo recorde

Estado registrou um total de 9.011 vidas perdidas nesta quinta-feira (22), duas semanas depois de atingir o patamar de 8 mil óbitos

Publicado em 22/04/2021 às 18h45
Covas abertas no cemitério de Maruípe em Vitória
No Cemitério de Maruípe, dezenas de covas precisaram ser abertas para dar conta de tantos enterros. Crédito: Vitor Jubini

Espírito Santo chegou a 9 mil mortes causadas pelo novo coronavírus nesta quinta-feira (22) – exatamente duas semanas depois de ter atingido as 8 mil vidas perdidas. Isso significa que bastaram 14 dias para que mil pessoas morressem em decorrência da pandemia, apenas em território capixaba. Um recorde.

Anteriormente, o menor intervalo tinha sido de 16 dias, justamente o tempo levado para sair de 7 mil óbitos em março e alcançar os 8 mil, no início de abril. Em ambos os casos, é como se a velocidade com que as mortes ocorrem tivesse dobrado em relação ao período mais crítico até então, quando o Estado passou de 1 mil (em junho) para 2 mil (em julho), após 29 dias.

Estudos feitos pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) já apontavam que esse recorde poderia ser batido neste mês, se o pior cenário vislumbrado para esta terceira onda se concretizasse. Para a projeção foram considerados vários indicadores, como a média móvel de mortes de 14 dias e a taxa de transmissão.

quase 3 mortes por hora

é o equivalente às mortes divulgadas nas últimas duas semanas no ES

Diretor-presidente do IJSN, o pesquisador Pablo Lira explicou que o agravamento aconteceu principalmente por uma parte significativa da população não ter respeitado as medidas de distanciamento social, como o uso da máscara. "Também vimos muitas pessoas jovens promovendo aglomerações", comentou.

 Capixabas ignoram decreto, furam quarentena e lotam praias na Grande Vitória
Apesar da fiscalização, capixabas ignoraram a pandemia e encheram praias durante finais de semana de calor. Crédito: Fernando Madeira

Além disso, a sazonalidade das doenças respiratórias e as novas variantes contribuíram para a disseminação da Covid-19. No Estado, por exemplo, a cepa britânica (B1) se tornou a predominante, e estudos internacionais mostraram que ela era até 90% mais contagiosa e 62% mais letal que outras.

Juntos, todos esses fatores nos levaram à triste marca desta quinta-feira (22) e ao pior mês de toda a pandemia. Mesmo a oito dias do fim, abril já contabiliza 1.511 mortes. O número, embora parcial, é 37% maior que o total divulgado em março e representa 500 mortes a mais que as do primeiro pico, em junho do ano passado.

Para o médico infectologista Lauro Ferreira Pinto, a grave situação atual já era esperada, diante de um "caldeirão de desacertos". "É uma sucessão de causas: uma crise sanitária sem precedentes, muita indisciplina no comportamento e uso de máscara e um estilo de vida difícil de criar mecanismos de distanciamento (com superlotação nos transportes, por exemplo)", disse.

Para ele, o cenário continuará sendo duro neste primeiro semestre. "Até termos uma imunização efetiva, vamos ter novas ondas. Basta ter mais gente se expondo. Se vai ser mais ou menos violenta que agora, depende de vários fatores, como a velocidade da vacinação, o nível de relaxamento das medidas e a saturação do serviço de saúde", afirmou.

Lauro Ferreira Pinto

Médico infectologista e colunista de A Gazeta

"As pessoas estão cansadas de falar sobre isso, existe um definhar da população, mas o vírus está aí. Estamos sendo governados por ele"

Nesta semana, o Espírito Santo também bateu outros dois recordes: na segunda-feira (19), chegou a 964 pessoas internadas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública; e, na terça-feira (20), teve 116 mortes em apenas 24 horas, se consideradas as atualizações diárias do Painel Covid-19.

Apesar disso, o secretário de saúde Nésio Fernandes afirmou que o número de casos já está em queda e que as internações entraram em uma fase de estabilidade. Consequentemente, uma redução na taxa de ocupação das UTIs e nos óbitos deve ser percebida entre o final deste mês e o início de maio.

Nésio Fernandes

Secretário de Saúde do Espírito Santo

"Nós podemos viver no final do mês de abril, a fase de recuperação consolidada dos três indicadores: casos, internações e óbitos"

Isso, porém, não significa que a pandemia terá acabado. "Por não termos alcançado uma imunidade coletiva por meio da vacinação, é possível que, ao longo do segundo quadrimestre (entre maio e agosto), o Estado possa viver uma nova expansão", alertou, na última coletiva on-line, realizada na segunda-feira (19).

Ou seja, apesar do cansaço, ainda é preciso – mais do que nunca – permanecer em casa quando possível, usar máscara de alto poder filtrante (de preferência), higienizar as mãos e respeitar as restrições sociais e econômicas previstas na matriz de risco do Estado. Atualmente, 30 municípios estão no risco extremo.

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