O
Espírito Santo chegou a
9 mil mortes causadas pelo
novo coronavírus nesta quinta-feira (22) – exatamente duas semanas depois de ter atingido as 8 mil vidas perdidas. Isso significa que bastaram 14 dias para que mil pessoas morressem em decorrência da pandemia, apenas em território capixaba. Um recorde.
Juntos, todos esses fatores nos levaram à triste marca desta quinta-feira (22) e ao
pior mês de toda a pandemia. Mesmo a oito dias do fim, abril já contabiliza 1.511 mortes. O número, embora parcial, é 37% maior que o total divulgado em março e representa 500 mortes a mais que as do primeiro pico, em junho do ano passado.
Para o médico infectologista
Lauro Ferreira Pinto, a grave situação atual já era esperada, diante de um "caldeirão de desacertos". "É uma sucessão de causas: uma crise sanitária sem precedentes, muita indisciplina no comportamento e uso de máscara e um estilo de vida difícil de criar mecanismos de distanciamento (com superlotação nos transportes, por exemplo)", disse.
Para ele, o cenário continuará sendo duro neste primeiro semestre. "Até termos uma imunização efetiva, vamos ter novas ondas. Basta ter mais gente se expondo. Se vai ser mais ou menos violenta que agora, depende de vários fatores, como a velocidade da vacinação, o nível de relaxamento das medidas e a saturação do serviço de saúde", afirmou.
Apesar disso, o secretário de saúde Nésio Fernandes afirmou que o número de casos já está em queda e que as internações entraram em uma fase de estabilidade. Consequentemente, uma
redução na taxa de ocupação das UTIs e nos óbitos deve ser percebida entre o final deste mês e o início de maio.
Isso, porém, não significa que a pandemia terá acabado. "Por não termos alcançado uma imunidade coletiva por meio da vacinação, é possível que, ao longo do segundo quadrimestre (entre maio e agosto), o Estado possa viver uma nova expansão", alertou, na
última coletiva on-line, realizada na segunda-feira (19).
Ou seja, apesar do cansaço, ainda é preciso – mais do que nunca – permanecer em casa quando possível, usar máscara de alto poder filtrante (de preferência), higienizar as mãos e respeitar as restrições sociais e econômicas previstas na matriz de risco do Estado. Atualmente,
30 municípios estão no risco extremo.