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Covid-19 no ES: mortes quase triplicam na primeira quinzena de abril

Nos primeiros 15 dias deste mês foram divulgados 1.007 óbitos pela doença no Estado; esta é a pior quinzena de toda a pandemia

Publicado em 15/04/2021 às 19h19
Túmulos recém ocupados no cemitério de Maruípe em Vitória.
Primeira quinzena de março registrou 341 mortes pela Covid-19, quase um terço do registrado no mesmo período de abril. Crédito: Vitor Jubini

No mês mais letal de toda a pandemia no Espírito Santo, a primeira quinzena de abril já tem quase o triplo de mortes por Covid-19 do que o divulgado no mesmo período de março. Nos últimos 15 dias, o Estado contabilizou 1.007 óbitos em decorrência da doença, contra 341 notificados na primeira quinzena do mês anterior – um aumento de 195%.

A quantidade de vidas pedidas em abril é tão alta, que praticamente já supera a de todo o mês de março (1.095). Desta forma, abril já é considerado o mês mais mortal de toda a pandemia. Na média deste mês, é como se 67 pessoas morressem a cada dia, em vez das 22 por dia em março.

Segundo especialistas ouvidos por A Gazeta ainda na primeira semana de abril, a redução no número de mortes só deve começar a acontecer a partir da primeira quinzena de maio. Antes disso, ainda neste mês, o Espírito Santo pode atingir 9 mil óbitos causados pela doença em tempo recorde.

Na última quinta-feira (8), o Estado chegou à marca de 8 mil vidas perdidas apenas 16 dias depois de ultrapassar as 7 mil. Antes, essa diferença de mil mortes nunca tinha ocorrido em um intervalo inferior a 40 dias – sinal claro da maior transmissão do novo coronavírus entre os capixabas, na terceira onda da pandemia.

524 mortes a mais

que o recorde da 1ª onda da Covid-19 no ES, em junho do ano passado

Diretor do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o Pablo Lira explicou que esse agravamento se deve a quatro fatores: as aglomerações mais frequentes, a menor adesão às medidas de distanciamento social, a sazonalidade das doenças respiratórias e as novas variantes – como a inglesa, que já se mostrou mais contagiosa e letal.

Também em crescimento, mas em um ritmo bem mais lento, estão os casos confirmados da Covid-19. Nessa primeira metade de abril já foram divulgadas 29.104 novas infecções, o que representa um aumento de 43% em comparação com a primeira quinzena de março. É o pior número de toda a pandemia.

Nesta análise ainda deve-se considerar que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) anunciou uma nova estratégia de testagem em massa, no início deste mês. Em contrapartida, o aumento menos significativo que o das mortes pode ser reflexo da naturalização dos sintomas e da desistência em testes agendados, conforme já explicado pelo secretário Nésio Fernandes.

Como consequência de mais casos confirmados, também crescem as internações geradas pela doença. No último dia 5, o Espírito Santo superou, pela primeira vez, a marca de 900 pacientes internados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – patamar que tem se mantido elevado desde então.

92,7% dos leitos de UTI

estão com pacientes graves da Covid-19, na rede pública do ES

Ao longo do último mês, o Estado abriu cerca de 300 vagas intensivas. Apesar disso, nesta quinta-feira (15), do total de 1.022 existentes na rede pública estadual, apenas 74 estão disponíveis. Já no que diz respeito aos leitos de enfermaria, dos 942 disponibilizados exclusivamente para casos da Covid-19, somente 204 estão livres.

Para tentar conter a pandemia e evitar o colapso no Sistema de Saúde (SUS), além da expansão de leitos hospitalares, municípios capixabas já vacinam idosos com mais de 60 anos e profissionais da educação e da segurança. O último mapa de risco também inclui 42 cidades no risco extremo para a transmissão da doença, com restrições mais rigorosas.

O QUE DIZ A SESA

A Secretaria Estadual de Saúde informou que o Espírito Santo vem apresentando estabilização no número de casos confirmados na média móvel de 14 dias. "Compreende-se que as medidas adotadas durante a quarentena contribuíram para a estabilização de novos casos da doença", afirmou em nota.

"Os óbitos passam por um processo de investigação e qualificação pela vigilância epidemiológica estadual. O comportamento de aumento, estabilização e queda sempre ocorre tardiamente em relação a casos e internações. A carga da doença estabelecida na fase de aceleração repercutirá na proporção de mortes ao longo de abril", esclareceu.

Por fim, a Sesa garantiu que pode realizar mais de 5 mil testes PCR por dia e que distribuiu aos municípios mais de 300 mil testes de antígenos neste mês. "Na rede pública, o teste é garantido a todos os casos sintomáticos e respectivos contatos. A orientação é que qualquer pessoa com sintomas compatíveis com a Covid-19 procure um serviço de saúde", concluiu.

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