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Em Vila Velha, Max não atrai novos apoios e Arnaldinho evita velhos conhecidos

Derrotado, o ex-prefeito Neucimar Fraga marcou uma live para falar sobre o segundo turno. Aliados avaliam que um anúncio a favor de Arnaldinho poderia atrapalhar o candidato, que critica "a velha política"

Vitória
Publicado em 19/11/2020 às 06h00
Vila Velha 2020
Max Filho (PSDB) e Arnaldinho Borgo (Podemos) disputam o segundo turno em Vila Velha. Crédito: Montagem A Gazeta

O resultado das eleições em Vila Velha deixou algo evidente: o desgaste da imagem de políticos tradicionais da cidade. Com 36% dos votos válidos, o estreante na disputa pela prefeitura Arnaldinho Borgo (Podemos) foi o candidato mais votado, deixando para trás o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e o prefeito Max Filho (PSDB), que ficou em segundo lugar. O tucano teve 22,91% dos votos. 

Nos dois últimos pleitos em Vila Velha, nenhum dos gestores em exercício conseguiu se reeleger. Em 2012, Neucimar foi derrotado nas urnas no segundo turno. Em 2016, foi a vez de Rodney Miranda (DEM) ficar de fora. Reverter esse histórico é um desafio para Max Filho.

Na visão de aliados, o prefeito deve ter dificuldade para conquistar apoio entre os candidatos derrotados. Ele foi o principal alvo de críticas no primeiro turno e chegou a apontar isso como um fator que prejudicou seu desempenho no pleito. A maioria dos candidatos já sinalizou que vai ficar neutra nesta segunda etapa.

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Neucimar, por sua vez, disse não ter veto a ninguém, mas a tendência é que caminhe com Arnaldinho, mesmo que apenas nos bastidores.

Para se reeleger, Max vai precisar diminuir a rejeição na cidade e conquistar mais votos nesta segunda etapa, principalmente em regiões de classe mais baixa, que não são seu reduto eleitoral. O prefeito vai ter que gastar mais sola de sapato, algo que ele fez pouco no primeiro turno e acredita ter influenciado na votação.

"Teria sido muita pretensão da minha parte fazer campanha sem sair de casa já que, lamentavelmente, contraí a Covid-19 [...] Tivemos uma campanha de vereador, agora vamos fazer uma campanha de prefeito", afirmou, no último domingo (15), após resultado das urnas.

Max foi diagnosticado com Covid-19 e ficou afastado das ruas por 10 dias, em isolamento, durante a campanha.

Nesse sentido, contar com o apoio de Neucimar Fraga, seu adversário histórico nos três últimos pleitos, seria fundamental. O ex-prefeito teve 39.219 votos no primeiro turno e tem uma boa penetração, por exemplo, na Grande Terra Vermelha, que concentra um número considerável de eleitores. 

"Fiz uma campanha sem ataques este ano, não tenho veto a nenhum candidato", afirmou Neucimar. E garantiu: "O PSD não ficará fora das articulações da Grande Vitória."

Na terça-feira (17), Neucimar, que é presidente estadual do PSD, reuniu-se com secretários estaduais, entre eles Tyago Hoffmann, titular da pasta de Governo,  para conversar sobre o segundo turno. O PSB, partido do governador Renato Casagrande, está com Max em Vila Velha, mas o próprio Casagrande deve ficar de fora das articulações na disputa canela-verde, já que o Podemos, partido de Arnaldinho, faz parte de sua base aliada. 

Internamente, o PSD está dividido, mas a tendência, segundo correligionários, é que Neucimar se movimente a favor de Arnaldinho. O ex-prefeito marcou uma live – transmissão ao vivo – nesta quinta-feira (19) para se manifestar sobre o segundo turno. 

"Muitos dirigentes não veem sentido em Neucimar apoiar Max, dada a rivalidade histórica entre eles. Mas há um receio muito grande de o apoio dele prejudicar a candidatura de Arnaldinho, devido ao discurso de combate à velha política", declarou um aliado.

Nesta quarta-feira (18), o vereador eleito Tita (PSD), braço-direito de Neucimar, publicou  em suas redes sociais uma foto ao lado de Arnaldinho e do vice na chapa, Victor Linhalis (Solidariedade), dizendo que eles haviam escolhido caminhar juntos no segundo turno. 

MAIORIA DOS CANDIDATOS DERROTADOS ESCOLHE A NEUTRALIDADE

Mais da metade dos nomes que concorreram na primeira etapa decidiram ficar neutros no segundo turno. Amarildo Lovato (PSL), Dalton Morais (Novo), Rafael Primo (Rede), Mônica Alves (PSol) e Coronel Wagner (PL) afirmaram que não vão apoiar nenhum dos candidatos. 

Nos bastidores, especula-se que há um receio coletivo pela inexperiência de Arnaldinho como gestor, mas que seria inviável para candidaturas que criticam tanto a gestão atual uma aliança com Max nesta reta final. 

CAMPANHA DE MAX VAI EXALTAR EXPERIÊNCIA

Durante a primeira parte da corrida eleitoral, Max evitou embates, mas sua campanha já sinaliza para um confronto mais direto de perfis. “Vila Velha não pode parar de crescer e apostar em incertezas”, afirmou em uma publicação nas redes sociais, um dia após o resultado do primeiro turno, mostrando qual deve ser a tônica nesta reta final. 

Para tentar minar o crescimento do seu adversário, ele deve reforçar a imagem de um gestor público experiente ante a inexperiência de Arnaldinho, que nunca exerceu um mandato no Executivo.

"Vamos reforçar a experiência dele como gestor, que nunca esteve atrelado à corrupção. Fazer esse confronto de perfis, da importância de um voto seguro, em quem já foi testado", contou a marqueteira de Max Filho, Bete Rodrigues. 

A campanha vai continuar mostrando no horário eleitoral as vitrines do prefeito, como a construção de escolas e unidades de saúde, bem como a parceria estabelecida com o governo estadual. Aliados de Max avaliam que isso ajuda a passar confiança à população e reforça a imagem de continuidade na cidade. 

ARNALDINHO ENFATIZA DISCURSO DE RENOVAÇÃO

A estratégia de confronto de Max, contudo, precisará ser bem construída, já que foi exatamente o discurso de renovação que fez Arnaldinho Borgo se destacar. Essa retórica, inclusive, será explorada ao máximo pela campanha do vereador, como ele já deu a entender em seu primeiro discurso após resultado nas urnas.

"As pessoas mostraram que elas não aguentam mais essa velha política na cidade, que fez Vila Velha ser uma cidade dormitório", declarou. "Ninguém colocou a mão na minha cabeça e disse que eu ia ser prefeito, não tenho padrinhos políticos, não me alio à velha política", reforçou. 

Arnaldinho passou a maior parte da campanha fazendo críticas ao atual prefeito e essa estratégia deve ser mantida no segundo turno para aumentar a rejeição ao tucano. "Eu sou candidato por causa de Max Filho, da incompetência dele em governar a cidade", declarou.

Na reta final, o vereador subiu o tom dos ataques, criticando também o ex-prefeito Neucimar Fraga. Mas, caso ele tenha o apoio de Neucimar, ou de algum político que tenha um certo recall na cidade, poderá ver seu nome vinculado ao que o próprio Arnaldinho chama de velha política.

Aliados do ex-prefeito apontam, inclusive, que Neucimar pode declarar neutralidade no pleito de forma estratégica, para não prejudicar a campanha de Arnaldinho. Mas, nos bastidores, viabilizaria apoio ao vereador. 

No último domingo, após a definiçăo do segundo turno, Arnaldinho escorregou quando questionado sobre busca de apoio. Limitou-se a dizer que era um aliado do povo, mas que estava aberto a conversar com quem se identificasse com o projeto dele.

O vereador chegou ao segundo turno sem alianças com grandes políticos, com uma coligação pequena, sem expressividade.

É bem provável que Arnaldinho conquiste o apoio do PV. No período de convenções, o diretório municipal chegou a sinalizar que fecharia uma aliança com o Podemos, mas isso não se concretizou. O partido acabou lançando a candidatura de Fernanda Martins (PV) para prefeita, que teve 0,52% dos votos. Os dois partidos se reúnem nesta semana para conversar sobre apoio.

Já Claudia Autista (PRTB), que ficou em último lugar na disputa do primeiro turno, com 580 votos, preferiu não citar o nome do candidato que vai apoiar. Mas sua mensagem à reportagem não deixa dúvidas. "Irei votar no candidato que ainda não demonstrou seu trabalho como gestor e que democraticamente está tendo essa oportunidade", declarou. Como Max é o prefeito, quem evidentemente terá o apoio dela é Arnaldinho.

DERROTA AMARGA PARA CHIABAI

Durante o período de convenções partidárias, o Podemos quase emplacou uma aliança com o Cidadania. O vereador Ricardo Chiabai (Cidadania) chegou a subir no palanque de Arnaldinho, sinalizou apoio a ele e disse que estava à disposição para construir um projeto para cidade. Na ocasião, foi apontado como um nome forte para compor a chapa.

Dias depois, Chiabai fez um discurso semelhante ao lado de Neucimar, que veio a confirmá-lo na vaga de vice-prefeito. A movimentação causou um mal-estar entre os vereadores.

Mas a julgar pelo resultado das eleições, quem saiu duplamente derrotado foi Chiabai que, além de ter perdido as eleições, perdeu também a chance de ocupar a vaga de vice na chapa de Arnaldinho. E também não será mais vereador a partir de 2021.

Ao contrário de Neucimar, Chiabai, certamente, teria problemas em apoiar Max Filho. O vereador sempre se posicionou como oposição e, durante as convenções partidárias, disse que não se aliaria ao prefeito.

DOUTOR HÉRCULES E NEUCIMAR PODEM NÃO CAMINHAR JUNTOS NO SEGUNDO TURNO

Com uma aliança costurada ainda no período de pré-candidatura, Neucimar e o deputado estadual Doutor Hércules (MDB) caminharam juntos durante todo o processo. O parlamentar foi um dos maiores cabos eleitorais do ex-prefeito, assumindo a campanha quando Neucimar estava afastado por causa da Covid-19. Mas isso pode mudar no segundo turno. 

Se Neucimar optar por declarar apoio a Arnaldinho, dificilmente essa decisão será seguida por Doutor Hércules. O parlamentar inviabilizou a candidatura do vereador pelo MDB, afirmando que seria candidato. Como dirige a sigla em Vila Velha, teve preferência.

Sem a garantia da legenda, Arnaldinho precisou trocar de partido para se lançar à prefeitura. Mas, durante o período de convenções, Hércules acabou recuando, abriu mão de concorrer ao pleito e não saiu nem mesmo como vice. 

Neucimar afirma que ele e o deputado podem vir a apoiar candidatos diferentes neste segundo turno. "Entendo as questões do Hércules, por isso não é certeza que nosso grupo caminhará junto." 

BOLSONARISTAS FICAM PRA TRÁS

Alguns candidatos até tentaram surfar na onda do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que se mostrou um péssimo cabo eleitoral para seus apoiadores. 

Amarildo Lovato (PSL), por exemplo, que se autodeclarou o candidato de Bolsonaro em Vila Velha, apesar de não ter sido citado pelo presidente em suas transmissões ao vivo, amargou uma derrota nas urnas, obtendo apenas 3,76% dos votos válidos.

Além dele, outros dois candidatos, também bolsonaristas, mas não tão declarados, saíram derrotados. O deputado estadual Hudson Leal (Republicanos), teve 3,2% dos votos, enquanto o tenente-coronel Wagner (PL), que apostou em evidenciar seus princípios cristãos e conservadores na campanha, conquistou 6,73% dos eleitores. 

O 2º segundo turno das eleições está marcado para o domingo do dia 29 de novembro, e também vai ocorrer nas cidades de Votória, Serra e Cariacica. 

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão relativa ao segundo turno, para a Capital e para Vila Velha, retorna na próxima sexta-feira (20) e vai até o dia 27 de novembro. Cada candidato terá o mesmo tempo, de 5 minutos.

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