ASSINE

Mulheres marcam presença nas Câmaras da Grande Vitória, mas bancada feminina diminui

Na legislatura atual, sete vereadoras exercem mandatos nas Câmaras de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, somadas. A partir de 2021, haverá cinco, no total. Na capital, duas foram escolhidas pelas urnas. Veja quem são

Vitória
Publicado em 17/11/2020 às 05h01
Atualizado em 17/11/2020 às 09h05
mulheres eleitas vereadoras em 2020
Camila Valadão (PSOL), Raphaela Moraes (Rede), Patrícia Crizanto (PSB), Karla Coser (PT) e Elcimara Loureiro (PP) são as cinco vereadoras eleitas nas principais cidades da Grande Vitória. Crédito: Reprodução/Rede Sociais/ Montagem A Gazeta

A partir de janeiro de 2021, a representatividade feminina nas Câmaras municipais das principais cidades da Grande Vitória estará reduzida. Dos 74 vereadores eleitos neste domingo (15) em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, apenas cinco são mulheres. Em relação à atual legislatura, elas perderam espaço. Ao todo, sete vereadoras exercem mandatos atualmente nesses municípios.

A pior situação está em Cariacica, onde nenhuma mulher conquistou uma vaga para o Legislativo. A Capital apresenta o melhor cenário, com duas vereadoras eleitas, algo que não acontecia desde 1989. 

A lista de estreantes nas Câmaras, por sua vez, aumentou. Das cinco eleitas, apenas uma renovou o mandato. As demais vão estrear nas Casas, que também terão mais diversidade de raça e idade.

As mulheres são mais da metade da população do Espírito Santo. Elas representam 51% dos capixabas. Esse percentual, contudo, não se espelha na ocupação de determinados espaços, como a política. Em 2020, as vereadoras eleitas correspondem a 6,7% do total de representantes do Legislativo nas quatro maiores cidades do Estado. 

O índice é ainda mais crítico quando se analisa a eleição para prefeito. Apenas uma mulher foi eleita para comandar uma cidade capixaba, o que corresponde a 1,28% do total de prefeituras.

A sub-representatividade feminina na política não é uma constatação nova e passa por diversos fatores, entre eles cultural. Historicamente, mulheres foram retiradas de espaços de comando e poder, sendo delegadas a elas as funções relacionadas ao lar e criação de filhos. 

Como consequência disso, a presença delas em cargos eletivos é significativamente menor do que a dos homens.

Só nos últimos 48 anos, 771 vereadores foram eleitos em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, mas apenas 29 eram mulheres. Isso significa que 96% das cadeiras das Câmaras Municipais foram preenchidas por homens durante esse período. 

Cariacica apresenta o pior cenário. Em toda a história do Legislativo do município, somente quatro vereadoras se elegeram. Na atual legislatura, das 19 vagas, apenas uma é ocupada por uma mulher, Ilma Siqueira (PSDB), que este ano não conseguiu se reeleger para seu quarto mandato.

Em 2021, Cariacica não terá representação feminina na Câmara Municipal. 

VILA VELHA 

Com apenas uma vereadora eleita em 2020, a Câmara Municipal de Vila Velha verá a representatividade feminina reduzida a partir de 2021. 

Atualmente, três mulheres compõem a Casa, que tem 17 vereadores, mas apenas Patrícia Crizanto (PSB) conseguiu se reeleger com 2.935 votos. Ela vai para o segundo mandato.

A socialista estará sozinha na Câmara, já que nenhuma outra mulher se elegeu.

  • Quem sai: Arlete da Silva Santiago (PSC) e Nilma Guez (PDT)
  • Quem permanece: Patrícia Crizanto (PSB)
  • Quem entra: Ninguém

SERRA

No município com maior número de vereadores- são 23 no total- duas mulheres vão compor o quadro da Câmara municipal a partir de 2021. 

Uma delas é a advogada Raphaela Moraes (Rede), estreante no cargo. Há oito anos, ela costumava dizer que não gostava de política, mas passou a se envolver com os problemas da cidade e da causa animal e decidiu sair candidata, sendo eleita com 1.659 votos. Hoje, sua principal bandeira é a proteção aos animais. 

Raphaela acredita que vai enfrentar preconceito na Câmara, mas que está pronta para enfrentar os desafios do cargo. "Não é porque faço parte de uma minoria que não vão ter que me respeitar.  Eles vão ter que respeitar meu espaço e a minha voz. Eu vim para fazer história como vereadora da Serra", afirma. 

A advogada vai ter ao lado a servidora pública Elcimara Loureiro (PP), que também estreia na vereança. Ela teve 2.057 votos. Elcimara foi secretária adjunta de Assistência Social na Serra e fez carreira na área. Ela reconhece as dificuldades das mulheres em conquistarem espaços de poder e pretende fazer do mandato uma inspiração para outras lideranças. 

"A gente ainda vive em um cenário de predominância masculina, e estamos aqui para quebrar esse tabu. Esse é o desafio que eu e a Raphaela teremos. Quero usar meu mandato para incentivar mais mulheres a se candidatar e fazer com que elas acreditem que podem, sim, estar nesses espaços", ressalta.

Em 2016, três mulheres foram eleitas na cidade para ocupar uma cadeira no Legislativo, mas uma delas, Neidia Pimentel (PSD), foi afastada em 2018 por suspeitas da prática de rachadinha. Atualmente, duas vereadores formam a bancada feminina da Casa, mas nenhuma delas foi reeleita.

  • Quem sai: Quélcia (PSC), Cleusa Paixão (PMN)
  • Quem entra: Raphaela Moraes (Rede) e Elcimara Loureiro (PP)

VITÓRIA 

Seguindo um padrão das capitais do Brasil, onde ao menos uma mulher se elegeu vereadora em 2020, Vitória apresenta o melhor cenário, entre as quatro cidades, em termos de representatividade feminina.

Desde 1989 o município não elegia mais de uma mulher para a Câmara Municipal. Atualmente, a única vereadora é Neuzinha (PSDB), que concorreu para a prefeitura, mas não foi eleita.

Após sete legislaturas apenas com uma mulher, Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT) vão ocupar duas das 15 cadeiras do Legislativo a partir de 2021.

"Mais do que ter mulher na Câmara Municipal, é importante ter compromisso com a pauta das mulheres. Eu tenho uma aliança histórica, um compromisso com o movimento, e esse tema será central durante o meu mandato", frisa Camila, que foi a segunda candidata mais votada para o Legislativo de Vitória. Ela teve 5.625 votos.

A assistente social tem um histórico de ativismo político na luta de mulheres, principalmente de mulheres negras. Em 2016, ela já havia disputado a vereança, mas não conseguiu se eleger. Agora, eleita, pretende fazer essa sua pauta principal. 

"É um desafio enorme assumir esse papel e representar as mulheres. Me sinto desafiada a trazer para o centro do debate pautas de necessidades que tocam na vida das mulheres na cidade", reforça.

Camila talvez não saiba, mas o engajamento político dela inspirou sua futura colega de bancada, Karla Coser (PT). Em 2020, a advogada disputou sua primeira eleição, sendo eleita vereadora com 1.961 votos.

"Os próximos quatro anos serão desafiadores; é uma Câmara predominantemente masculina. Mas eu estou muito feliz de não estar sozinha, é reconfortante saber que vamos estar em duas e que são duas mulheres feministas, combativas", analisa Karla, que emendou:

"Só vou estar em paz quando pelo menos metade das cadeiras forem ocupadas por mulheres. Meu comprometimento é fazer com que mais mulheres sejam eleitas."

  • Quem sai: Neuzinha de Oliveira (PSDB)
  • Quem entra: Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT)

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.