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Vitória 475 anos

De píeres a ciclovias: novas obras abraçam a baía de Vitória para transformar a Capital

Intervenções do Estado e do município direcionam investimentos nos contornos da baía de Vitória, buscando turismo e mobilidade, além da recuperação do Centro da cidade

Publicado em 05 de Setembro de 2026 às 07:57

Maurílio Mendonça

Publicado em 

05 set 2026 às 07:57

Olhar para a Vitória do futuro é olhar para a baía que contorna toda a ilha e planejar a cidade a partir da orla. Prédios estratégicos, mudanças viárias, ciclovias, transporte pela água e sobre as pontes, além de requalificações urbanas fazem parte das estratégias tanto da Prefeitura quanto do Governo do Estado. Ambos enxergam esse futuro com ajuda do turismo e da mobilidade urbana, sem se esquecer da ocupação residencial e cultural da região do Centro

Vista aérea do Porto de Vitória
A vista da Baía de Vitória direciona os atuais e futuros investimentos pensados pela prefeitura e pelo governo do ES para a Capital  Codesa/Divulgação

Ao menos quatro áreas da Capital passam por grandes mudanças, pelo olhar da Prefeitura de Vitória. Essas modificações abrangem:

  • os acessos a Jardim Camburi, principalmente com a construção do Mergulhão na Avenida Dante Michelini

  •  as melhorias urbanas planejadas para o Centro de Vitória;

  •  a orla que beira toda a baía e integra o projeto Vitória de Frente para o Mar; 

  •  as estruturas viárias na região entre a Enseada do Suá e a Praia do Canto.


“São ações que olham para a nossa cidade reconhecendo o potencial turístico e, também, melhorando o fluxo por quem trafega pela Capital”, avalia Gustavo Perin, secretário de Obras de Vitória.

Na região da Enseada do Suá e da Praia do Canto, principalmente nos acessos à Terceira Ponte e nas áreas próximas à Curva da Jurema e às praças dos Desejos e dos Namorados, a Prefeitura de Vitória realizou 46 intervenções viárias, incluindo mudanças de cruzamentos, alterações em sentidos de ruas e melhorias para o trânsito de bicicletas.


Na perspectiva do secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno, tanto o governo do Estado quanto a prefeitura estão preparando a Capital como um centro que agrega toda a Grande Vitória.

Pensamos na mobilidade integrada com a cidade, e que funcione para a população que mora, trabalha e passa pela Capital

Fábio Damasceno, secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura

De acordo com ele, as mudanças realizadas pelo Estado na Terceira Ponte, tanto o aumento no número de faixas quanto a construção e entrega da ciclovia da vida, são um começo dessa transformação em Vitória. "Assim como a retomada do aquaviário, incluindo a estação na Praça do Papa, recém-reformada, e que integra a Capital com Vila Velha e Cariacica pela baía”, acrescenta o secretário.


Esse olhar para a baía, segundo Damasceno, vai desde a vista para quem pedala sobre a Terceira Ponte quanto para quem navega com ajuda dos barcos do aquaviário. “Atualmente, a nossa maior demanda é nos finais de semana, exatamente o oposto do que acontece com os ônibus. Enxergar o potencial turístico da cidade também é olhar para esse possível futuro da Capital”, defende Damasceno.

Turismo para transformar a economia

Olhar para o mar é algo que, segundo Gustavo Perin, já estava previsto no planejamento estratégico da prefeitura desde 2021. “Com o (projeto) Vitória de Frente para o Mar, reconhecemos o potencial turístico da Capital e começamos a entender o potencial econômico de nossa cidade, levando possibilidades para diferentes áreas e melhorando a mobilidade das pessoas”, resume o secretário de Obras de Vitória.

Nova Orla da Ilha das Caieiras e a passarela do bairro Resistência
A nova orla da Ilha das Caieiras e a passarela do bairro Resistência estão incluídas no projeto "Vitória de Frente para o Mar", idealizado pela Prefeitura da Capital. Fernando Madeira

Primeiro vieram as obras entre os bairros Resistência e Ilha das Caieiras, com calçadão e píer que ainda atendem aos bairros Santo André, Redenção e Nova Palestina. Segundo Perin, todo o trecho está finalizado e contou com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A partir desse projeto, recebido de herança da gestão anterior, a equipe passou a olhar para toda a orla da Capital como possibilidade.


“Os demais projetos pensados para a orla da nossa ilha vieram com recursos próprios”, frisa Perin. Um deles, dividido em várias etapas, inclui os trechos do Canal de Camburi, da Praia do Canto até chegar a Nova Palestina, passando por Joana D’Arc, Mangue Seco, Andorinhas, Santa Luíza, Barro Vermelho, Pontal de Camburi e Jardim da Penha. O outro segue em direção para a Enseada do Suá, na altura do Hortomercado, até o Centro da Capital, incluindo mudanças urbanas, ciclovia e deques na região da Ilha de Monte Belo.

R$ 572,65 MILHÕES

É o valor somado de todas as etapas concluídas, em obras e em licitação do projeto Vitória de Frente para o Mar.

Recentemente, duas partes dessas obras foram entregues à população, no Canal de Camburi: uma fica entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch; e a outra é no entorno da Ponte da Passagem, no Pontal de Camburi.


Essas duas etapas, segundo o secretário Gustavo Perin, terão o restante das obras entregues até o final deste ano, incluindo as obras de integração entre Jardim da Penha e Praia do Canto, pela baía, com passarela para pedestres, além dos espaços de lazer nos bairros Santa Luíza e Andorinhas.

Obras da nova Orla de Andorinhas e no entorno da Ponte da Passagem
Trecho em Andorinhas, incluído no projeto "Vitória de Frente para o Mar", terá as obras finalizadas até o final de 2026, segundo a Prefeitura de Vitória Fernando Madeira

“Teremos cinco pontos comerciais, incluindo restaurantes e quiosques, nesses locais. Além das áreas de atracação de barcos, espaços de lazer, entre outros atrativos à população”, elenca Perin.


O trecho entre Santa Luíza e Barro Vermelho, assim como o restante da orla de Pontal de Camburi, está em licitação. E, de acordo com o secretário, as obras da orla entre Resistência e Joana D’Arc devem começar nos próximos meses, enquanto a parte que liga Joana D’Arc à Santa Martha e a orla de Mangue Seco está na fase final do projeto.

Nosso planejamento é rodear toda a ilha. Mais para a frente, vamos conseguir abranger de Mário Cypreste até Caieiras, passando pela orla de Santo Antônio

Gustavo Perin, secretário de Obras de Vitória

Em Mário Cypreste, por sinal, a prefeitura está prestes a começar a reforma do antigo Cais do Hidroavião. “A ordem de serviço sai em poucos dias”, afirmou Perin. E o projeto da Cidade do Samba também está perto de ser concluído. “A empresa contratada está finalizando os últimos detalhes com a prefeitura e, até o final do ano, devemos começar a obra”, afirma o secretário. Além dos galpões para dez escolas de samba, o espaço ainda terá deques e arquibancada alagada.


Partindo da futura Cidade do Samba, estão três obras do governo do Estado: duas finalizadas e entregues, e outra que acabou de começar. O complexo viário Pontal do Príncipe foi entregue pelo Estado em 2021, incluindo novos acessos ao Porto de Vitória, mudanças no fluxo do trânsito da região e espaços de lazer para a comunidade, num investimento acima de R$ 40 milhões.


“A partir do Pontal do Príncipe, começamos a pensar em novos acessos ao porto e a melhorar o fluxo do trânsito entre a rodoviária e a Ilha do Príncipe e Vila Rubim”, explica Damasceno.

Foto área do Pontal do Príncipe no Centro de Vitória
A área do Pontal do Príncipe, no Centro de Vitória, foi entregue pelo Governo do Espírito Santo em 2021, contribuindo com os acessos ao Porto de Vitória Divulgação/ Governo do ES

As melhorias recém-inauguradas na Rodoviária de Vitória — espaço que o Estado voltou a administrar desde 2021 — também entram na lista. Além de reformar as entradas e saídas para pedestres no local, incluindo os acessos de taxistas e motoristas de aplicativos, o governo inaugurou uma estação do aquaviário na rodoviária, neste ano, ampliando o transporte sobre a baía de Vitória.


Há cerca de um mês, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) iniciou as obras da Segunda Ponte, que vai receber mais uma faixa para ajudar no trânsito de acesso à Capital. Um investimento de R$ 15 milhões. “Essa nem estava prevista nos planejamentos feitos para a mobilidade, mas, ao identificarmos a possibilidade de incluir a nova faixa, optamos por realizar a obra para melhorar os acessos à Capital”, pontua.

Restaurar, (re)ocupar, requalificar o Centro

A região do Centro de Vitória, com os incentivos oferecidos pela prefeitura, a exemplo do recente Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC), receberá uma série de obras.


O município já reformou o Museu Capixaba do Negro (Mucane), o Viaduto Caramuru, o Mercado da Capixaba e a Praça Getúlio Vargas. As obras nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, bem como na Praça Ubaldo Ramalhete, começaram em abril de 2026 e seguem em andamento, com investimento de R$ 10,5 milhões.

A próxima intervenção a ser executada é a da Vila Rubim e do seu entorno. “Vamos mudar as calçadas e recuperar a área embaixo da Ponte Seca, para uso da população. Não vamos mexer nos galpões. Vamos começar essa obra até o final deste ano", complementa..


Outras três obras   estas ainda sem previsão para começar e já incluídas nos planos da prefeitura —  são as reformas do entorno do viaduto Caramuru e do Parque Moscoso, além do restauro da Praça Oito.

Fachada da nova sede da Sejus no Centro de Vitória
A nova sede da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), no Centro de Vitória, fica no entorno do viaduto Caramuru, área planejada pela prefeitura para receber melhorias Divulgação/ Governo do ES

No entorno do viaduto, ocorre a reforma da nova sede da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), com previsão inicial de ser finalizada em 2026. O antigo Edifício Caramuru, na Cidade Alta, desocupado há mais de 10 anos, recebeu investimento de R$ 19 milhões e um novo nome: Edifício Odimar Ribeiro de Souza, em homenagem ao policial penal falecido em acidente de trânsito, há três anos.


A região do Centro da Capital passou a ser sede para outras autarquias do Governo do Espírito Santo, segundo a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger). Nos últimos anos, se mudaram para a região central: o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), a Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), o Procon Estadual e a Ciretran de Vitória, só para citar alguns órgãos e autarquias.


Quem mais recuperou ou pretende recuperar edifícios históricos nessa área central da cidade é a Secretaria de Estado da Cultura (Secult). O Teatro Carlos Gomes foi reinaugurado no final de 2025, enquanto a Catedral Metropolitana de Vitória recebeu alguns reparos na estrutura. A primeira entrega da Secult veio três anos atrás, com o HUB ES+, em frente à Praça Costa Pereira: investimento de quase R$ 12,7 milhões.

Teatro Carlos pronto após reforma
Todo o Teatro Carlos Gomes foi restaurado e entregue à população no final de 2025, com recuperação de elementos históricos que compõem o espaço, a exemplo do teto Vitor Jubini

Enquanto isso, o Centro Cultural Majestic ainda está em obras, iniciadas em 2019. A Secult também tem planos de transferir para o Centro a sede da Galeria Homero Massena e sua própria estrutura administrativa. O novo endereço previsto é o Edifício Castelo Branco, no Centro de Vitória. No entanto, o prédio está ocupado por integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), e a secretaria aguarda a proprietária e administradora atual do imóvel, a Caixa Econômica Federal, concluir as negociações com o movimento.

Três armazéns restaurados para uso cultural e de formação

Outro espaço à espera da Secult-ES é o Armazém 5 do Porto de Vitória. O galpão foi cedido em março de 2025 pela Vports (administradora do Porto), nove meses depois de entregar três armazéns requalificados. Depois de usar o espaço para receber a exposição “Baía de Vitória: Outras Margens Possíveis”, a Secretaria de Estado da Cultura iniciou a elaboração de um projeto para que o armazém se transforme num espaço multiuso, com museu, área de eventos, restaurante e outros serviços.


Mas a Vports também recuperou outros dois galpões. O Armazém 3 está com o Senai Porto, que atualmente oferece sete cursos profissionalizantes, além de manter a parceria com a Prefeitura de Vitória com formações para moradores e trabalhadores do Município. Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o espaço atende às demandas de setores estratégicos para a economia da cidade, oferecendo cursos nas áreas de tecnologia da informação, gestão, programação e economia criativa.

360 VAGAS

Disponibilizadas pelo Senai Porto para o segundo semestre de 2026.

Já o Armazém 4 e o prédio anexo estão nas mãos do Museu Vale. As obras estão em andamento, segundo o Museu, e a data de inauguração ainda está em definição. Inicialmente, a previsão era abrir a nova sede ao público ainda em 2026, segundo anúncio feito pelo Museu em julho de 2024.


O espaço completo inclui área para exposições temporárias e outra para o acervo histórico da Estrada de Ferro Vitória a Minas, além de salas para o educativo do museu, ateliê e residências artísticas, um auditório e uma biblioteca. Até um restaurante com vista panorâmica para a baía de Vitória foi anunciado, para ser instalado na cobertura do prédio anexo ao Armazém.

Obra na Avenida Beira-Mar começa pelo Centro

No campo da mobilidade, há a possibilidade de Vitória conectar os bairros Ilha do Príncipe e Jardim Camburi por ciclovia. Essa conquista virá com as obras, prestes a começar, da Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, também conhecida como Avenida Beira-Mar. Elas serão iniciadas neste mês de setembro, a partir do trecho entre a Praça Pio XII e o final da Curva do Saldanha, em frente ao Penedo. 


A prefeitura vai avançar em mais três metros a calçada sobre a baía, para melhor acomodar ciclistas e pedestres. “É o começo da reurbanização que vai até a Enseada do Suá e que faz parte do projeto Vitória de Frente para o Mar”, lembra Gustavo Perin.

A reforma da Beira-Mar está orçada em quase R$ 98 milhões. Além de melhorar a área de passeio nessa parte do Centro,  fará mudanças nas faixas e calçadas do trecho entre a sede da prefeitura e o Hortomercado. “Mas essa parte será a última a ser feita. Ainda estamos adequando o projeto”, salienta Perin.

O trecho entre a Curva do Saldanha e a sede da prefeitura é o que mais terá mudanças. O sentido do fluxo de veículos não deve ser alterada, mas a área próxima da baía vai receber novidades. “Vamos expandir o calçadão, incluir ciclovia, instalar os deques sobre a baía, e garantir os espaços de lazer para a população”, reforça o secretário de Obras de Vitória.


Essa obra será realizada  com outras duas, do governo do Estado. A Semobi deve instalar duas estações do aquaviário, uma no Centro e outra na Ilha de Santa Maria. Segundo Fábio Damasceno, secretário da Semobi, as obras até já começaram.

“É que a empresa está construindo os flutuantes e as pontes metálicas que serão conectados ao píer de cada estação. Isso pode ser antecipado e está sendo feito para, assim que tivermos todas as liberações, essas peças sejam instaladas nos locais”, disse Damasceno.


A meta da Semobi é de entregar essas duas estações e mais uma até o final de 2027, incluindo os terminais Dom Bosco e Pio XII, que ficam na Avenida Beira-Mar, e o de São Pedro, no píer da Ilha das Caieiras. “O de São Pedro será o primeiro a ser construído, seguido por Dom Bosco e Centro”, garante o secretário.

A orla também é o foco da cultura e da mobilidade

Ainda nesse passeio pela orla da Capital, mais dois pontos chamam a atenção: o Cais das Artes e o Mergulhão de Camburi. O primeiro abraça a baía de Vitória com cultura, e o segundo contribui com a mobilidade metropolitana.


Depois de mais de uma década, o museu e a praça do Cais das Artes, que fica na Enseada do Suá, ao lado da Praça do Papa, foram entregues no começo de 2026. Mas ainda falta concluir a construção do teatro, por exemplo, que terá capacidade para 1,3 mil lugares. O projeto segue em andamento, sendo acompanhado pelo Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES).

Em Jardim Camburi, a obra do Mergulhão mantém previsão para ser concluída até março de 2027. “Essa obra, assim como o projeto Vitória de Frente para o Mar, vem do planejamento estratégico de 2021. É fundamental melhorar os acessos ao bairro, que é o maior da cidade. E ainda melhorar o trânsito de quem vem da ou segue para a Serra”, explica Gustavo Perin.


Segundo o secretário de Obras de Vitória, o Mergulhão de Camburi vai eliminar a retenção de veículos no cruzamento das avenidas Norte-Sul e Dante Michelini. A expectativa é reduzir o tempo médio de travessia no local para 10 segundos, e que atualmente varia entre 55 e 88 segundos. O investimento da prefeitura nessa obra é de R$ 77,5 milhões.

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