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Eixo de crescimento

Nova orla de Camburi transforma região e movimenta mercado imobiliário com lançamentos

Urbanização do Canal de Camburi cria novo eixo de mobilidade e convivência em Vitória e aumenta o interesse por imóveis no entorno

Publicado em 01 de Setembro de 2026 às 15:31

Yasmin Spiegel

Publicado em 

01 set 2026 às 15:31
Parte da nova orla do Canal de Camburi, na Praia do Canto, foi inaugurada
Parte da nova orla do Canal de Camburi, na Praia do Canto, foi inaugurada
Fernando Madeira

Durante anos, o Canal de Camburi ocupou uma posição quase secundária na paisagem de Vitória. Embora estivesse cercado por bairros tradicionais e por uma das áreas mais valorizadas da Capital, o espaço costumava ser subaproveitado.

Agora, com a entrega da primeira etapa da urbanização do Canal de Camburi, a relação começa a mudar. O projeto, parte do programa municipal “Vitória de Frente para o Mar”, conecta Barro Vermelho, Praia do Canto, Santa Luíza e Pontal de Camburi por meio de cerca de 3,3 quilômetros de decks, ciclovias e calçadões.

Ao todo, estão previstos 32 mil metros quadrados de área urbanizada, com espaços de convivência, quiosques, restaurantes, marina e estruturas voltadas à mobilidade ativa. O investimento estimado é de R$ 219,9 milhões, considerado o maior já realizado na área de turismo no Espírito Santo.

Qualidade urbana também entra na conta do imóvel
Parte da nova orla do Canal de Camburi, na Praia do Canto, foi inaugurada
Região projeta novo ciclo de crescimento Fernando Madeira

Para Alexandre Schubert, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES), a transformação representa uma mudança de paradigma na relação da cidade com o espaço público. Segundo ele, grandes cidades que se destacam são aquelas que conseguem transformar áreas urbanas em espaços de convivência.

“Durante muitos anos, essa área era vista como os fundos da cidade. Hoje, passa a ser uma nova fachada urbana, um espaço que aproxima as pessoas da água, do lazer e da paisagem natural”, afirma.

Na avaliação de Schubert, a qualidade urbana é um dos fatores que contribuem para a valorização. Mas, para ele, o impacto não deve ser medido apenas pelo preço dos imóveis.

“O mercado imobiliário capixaba acompanha esse movimento porque sabe que qualidade urbana é um dos principais fatores de valorização. Mas essa valorização vai muito além do preço dos imóveis. Ela significa mais qualidade de vida, mais segurança, mais circulação de pessoas, fortalecimento do comércio e maior orgulho de morar naquela região”, explica. 

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Espírito Santo (Creci-ES), Manoel Dias, também vê na intervenção um potencial de transformação do mercado.

“Quando um bairro ganha mais mobilidade, áreas de convivência, segurança e qualidade de vida, ele se torna mais atrativo para moradores, empresas e investidores. Isso se reflete na valorização dos imóveis residenciais, comerciais e corporativos”, avalia.

Para ele, o processo pode ampliar as oportunidades de negócios e criar um ambiente urbano mais dinâmico, com fortalecimento do comércio e atração de novos investimentos: “O resultado é um ambiente urbano mais dinâmico, com fortalecimento do comércio, novos investimentos e benefícios que alcançam toda a comunidade”. 

Novos empreendimentos
Fachada do Casa Ilzze, lançamento da Igom e Mazzini
Fachada do Casa Ilzze, lançamento da Igom e Mazzini Divulgação

O movimento já aparece no mercado com o surgimento de novos projetos residenciais na região. Um dos exemplos é o Casa Ilzze, empreendimento da Mazzini Construtora em parceria com a Igom Desenvolvedora, localizado no Barro Vermelho.

Segundo Andressa Brandão, gerente de vendas da Igom/Mazzini, a nova configuração urbana é um dos elementos que aumentam o potencial imobiliário do entorno: “Quando um espaço urbano passa a oferecer qualidade ambiental e uso ativo pela população, ele se torna um vetor de valorização imobiliária. Imóveis com frente ou vista para esse novo cenário tendem a se valorizar”, afirma.

O interesse também é impulsionado pela escassez de terrenos disponíveis para novos projetos. O empreendimento será construído em um dos últimos lotes com vista livre para o canal, com visual que alcança do Mestre Álvaro à Praia de Camburi. 

Já para Rachel Menezes, presidente da MZI Incorporadora, o impacto de uma intervenção urbana desse porte não deve ser analisado somente sob a ótica dos imóveis. Segundo ela, quando espaços públicos são qualificados, as pessoas tendem a ocupar mais as ruas, caminhar, praticar atividades ao ar livre e permanecer mais tempo na região, o que pode fortalecer o comércio e estimular a chegada de novos empreendimentos - inclusive, a incorporadora está preparando um lançamento na região, o Brisa Barro Vermelho. 

“A valorização econômica é uma consequência natural, mas o principal ganho é a construção de uma cidade mais viva, acolhedora e conectada com as pessoas”, afirma.

A avaliação é compartilhada por Sandro Carlesso, diretor executivo da Impacto Engenharia. Para ele, a urbanização cria uma nova frente de convivência voltada para o mar e agrega valor não apenas aos empreendimentos, mas à experiência de quem vive e circula no entorno.

"Intervenções urbanas como essa têm o poder de redefinir a forma como as pessoas vivem e percebem a cidade. A partir disso, o poder público precisa rever os índices construtivos e gabaritos do entorno na revisão do Plano Diretor Urbano (PDU), para dar condições de novos empreendimentos residências e comerciais mais qualificados”, pontua.

Comércio e novos usos

A expectativa de transformação não se limita aos apartamentos. Otacílio Pedrinha, presidente da Associação de Moradores da Praia do Canto, acredita que a nova orla também pode alterar a dinâmica comercial dos bairros.

“Além de promover os espaços e estabelecimentos já existentes, uma transformação urbana dessa dimensão cria um ambiente favorável para a abertura de novos negócios, incentiva a economia criativa e amplia o potencial turístico da região. Quando a cidade investe em qualidade urbana, o comércio responde com mais dinamismo, geração de empregos e desenvolvimento econômico”, conta. 

A transformação do Canal de Camburi também muda a maneira como os moradores podem utilizar a região. Para o arquiteto e morador Augusto Pacheco, um dos principais méritos da intervenção é transformar um espaço de passagem em um lugar de permanência.

A nova estrutura reúne mobilidade, lazer e paisagem, criando condições para caminhadas, corridas, ciclismo, esportes náuticos e convivência: “Esse tipo de intervenção beneficia a saúde física e mental da população, promove a convivência entre diferentes gerações e cria um novo cartão-postal para Vitória, capaz de atrair moradores e visitantes não apenas pela beleza da paisagem, mas pela experiência urbana que oferece”, finaliza.

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