"Já tem prova de que ele estava bêbado. Falta boa vontade. As coisas estão caminhando para ele se livrar dessa, mas a gente vai seguir lutando, porque foi um crime monstruoso e ele precisa pagar. Ele não tem noção do que ele causou, da pessoa maravilhosa que ele tirou da gente."
Desde então, todos os andamentos do caso beneficiaram o indiciado: o pedido de
Habeas Corpus foi atendido de forma definitiva em maio pelo Supremo Tribunal Federal (
STF); no mesmo mês ele foi liberado para visitar os pais em
Cachoeiro de Itapemirim; e em julho pôde deixar o
Estado para trabalhar.
O cenário atual é o seguinte: o caso completa um ano nesta quinta-feira (4) com o processo ainda em fase de inquérito policial no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (
TJES). Até o momento, o Ministério Público Estadual (
MPES) nem sequer apresentou denúncia contra Wilker Wailant, que segue impune.
Questionado pela reportagem, o MPES informou que o promotor solicitou informações complementares e "imprescindíveis" à Polícia Civil, tais como depoimentos de testemunhas e informações sobre as condições da pista, da iluminação e do clima no momento dos fatos.
"Vale ressaltar que a pandemia dificultou a tramitação do procedimento, que por envolver inidiciado solto não tramitou com a mesma celeridade dada aos casos em que há réus presos. Quando o inquérito policial retornar, o promotor analisará os elementos e decidirá por qual crime oferecerá a denúncia", afirmou o órgão.
Na quarta-feira (3), a
Polícia Civil informou que as novas diligências foram realizadas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito e que o inquérito será encaminhado, ainda nesta semana, para o Judiciário, solicitando medidas cautelares. Porém, outros detalhes não foram passados.
Em outubro do ano passado, a PC reforçou que o inquério policial havia sido concluído, inicialmente, em 13 de março. Ou seja, nove dias depois do crime. Na época, a investigação resultou no indiciamento de Wilker Wailant por homicídio e tentativa de homicídio, ambos com dolo eventual.
No acidente que matou a jovem Ramona, o carro dirigido por Wilker Wailant ainda bateu em outro automóvel que trafegava na Avenida Carlos Lindenberg, também na altura do bairro Nossa Senhora da Penha. Dentro deste veículo estava a motorista, uma mulher identificada como Maria Aparecida Figueiredo.
Com ferimentos leves, ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para um hospital. Ainda de acordo com informações passadas pela Guarda Municipal de Vila Velha à época, um ônibus também foi atingido, mas o motorista e os passageiros saíram ilesos.
"Ela tinha uma vida, estava trabalhando, não teve chance de se defender. Foi uma covardia e não vamos deixar ser esquecido. Esse tipo de crime tem que acabar", defende Kelly, que vê a futura punição como um alívio. "
Principalmente se ele for preso, se for privado da liberdade, como fez com a minha filha para sempre".
Por meio de nota, o advogado Ludgero Liberato, que faz a defesa de Wilker Wailant, destacou que o cliente continua trabalhando fora do Espírito Santo, "inclusive por questões de segurança", e que este esclarecerá os fatos em juízo.