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Publicado em 2 de março de 2026 às 19:33
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) iniciou um projeto-piloto para disponibilizar abafadores de ruído e protetores auriculares a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) que utilizam os restaurantes universitários (RUs). A iniciativa é conduzida pela Diretoria de Gestão dos Restaurantes (DGR) e tem como objetivo oferecer mais conforto e acessibilidade durante as refeições.>
Na primeira etapa, o projeto contempla o campus de Goiabeiras, em Vitória, escolhido por concentrar mais de 80% do público-alvo da ação. Atualmente, 197 estudantes estão cadastrados com TEA ou TGD na universidade. Para retirar o equipamento, o aluno deve estar devidamente registrado no Núcleo de Acessibilidade da Secretaria de Inclusão Acadêmica e Acessibilidade (Siac/Ufes) e comparecer à Sala de Atendimento ao Usuário (SAU) do restaurante universitário.>
Ao todo, foram adquiridos 150 abafadores nesta fase inicial — quantitativo considerado suficiente para atender à demanda do campus. A proposta é que, após a avaliação do projeto-piloto, a iniciativa seja transformada em política permanente e expandida para os demais campi da universidade. A expectativa é que a ampliação tenha início no segundo semestre de 2026, a depender dos resultados obtidos.>
A implementação da medida é resultado de diálogo entre Reitoria, setores administrativos e representantes estudantis. Em julho de 2025, a vice-reitora Sonia Lopes, membros da Siac e da DGR se reuniram com representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do Coletivo Neurodivergente para discutir melhorias estruturais e de convivência nos restaurantes. >
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A entrega dos abafadores atende a uma demanda apontada em estudo realizado pelo Coletivo, que identificou a necessidade de reduzir barreiras sensoriais nos espaços coletivos da universidade.>
Para medir os resultados da ação, a Ufes definiu indicadores como a taxa de adesão ao projeto pelo público-alvo, a variação na frequência de refeições dos beneficiários antes e depois da retirada do equipamento e a avaliação de satisfação e percepção de inclusão por parte dos estudantes atendidos.>
A expectativa institucional é de impacto direto e positivo na qualidade de vida e na permanência qualificada desses alunos. A universidade projeta aumento na frequência de refeições por estudantes com TEA/TGD, redução de episódios de sobrecarga sensorial e ansiedade durante a permanência nos RUs, além de maior autonomia e bem-estar.>
O projeto-piloto integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à inclusão. A universidade está elaborando um Plano de Acessibilidade para os cinco restaurantes universitários, com participação da Siac e da DGR. O anteprojeto, desenvolvido no âmbito do contrato 27/2025, prevê intervenções estruturais e ambientais para reduzir barreiras sensoriais e promover ambientes mais acolhedores para estudantes com TEA/TGD e outras neurodivergências.>
Entre as medidas previstas para este semestre estão a adequação de acessos preferenciais, a instalação de mesas acessíveis, a capacitação dos trabalhadores para atendimento humanizado às diversidades e a disponibilização de pessoal treinado nos três turnos de funcionamento.>
Com a iniciativa, a Ufes busca consolidar uma cultura institucional de inclusão, utilizando dados do projeto-piloto para embasar a futura ampliação do benefício.>
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