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Investigação preliminar

Ufes apura denúncia de racismo contra professora do curso de História

Denúncia aponta que docente teria utilizado termos racistas para se referir à funcionária e proferido ofensas contra estudante autista em sala de aula
Vinicius Zagoto

Publicado em 

27 fev 2026 às 18:54

Publicado em 27 de Fevereiro de 2026 às 18:54

Ufes
Prédio da Reitoria da Ufes, em Goiabeiras Crédito: Carlos Alberto Silva
Ufes apura denúncia de racismo contra professora do curso de História
A Administração Central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) abriu investigação preliminar para apurar denúncia de que uma professora do curso de História, em disciplina optativa, teria proferido afirmações de caráter racista, capacitista e preconceituoso. O nome da docente não será divulgado, uma vez que a instituição ainda avalia se vai abrir um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
De acordo com relatos de estudantes, que pediram para não ser identificados, à reportagem de A Gazeta, as falas alvos da denúncia ocorreram em uma aula no dia 12 de fevereiro, no campus de Goiabeiras, em Vitória. Na ocasião, a professora teria contado em sala de aula uma história relacionada a uma funcionária que atua na casa dela. 
Ao se referir à funcionária, que é negra, a docente teria utilizado o termo “preta safada” e afirmado que “depois de sair da senzala”, teria “ficado frouxa”. Na mesma ocasião, a professora ainda teria se dirigido a um estudante autista e dito que, caso engravidasse “de alguém como ele”, preferiria abortar do que ter a criança, se descobrisse antes do nascimento. 
Alguns estudantes que presenciaram as falas acionaram o Centro Acadêmico Livre de História Professor Cleber Maciel, que se posicionou nas redes sociais contra a atitude da docente e acionou a coordenação do curso.
“Trata-se de uma fala abertamente racista, sexualizada e desumanizante, que mobiliza imaginários coloniais e escravocratas para humilhar e inferiorizar uma mulher negra, reforçando estereótipos históricos de violência e objetificação”, declarou o Centro Acadêmico em nota.

Ufes abre investigação preliminar

A Ufes tomou conhecimento do caso no dia 19, após uma denúncia ser recebida na Ouvidoria da instituição. De acordo com a universidade, em 24 horas, a Diretoria de Prevenção, Mediação de Conflitos e de Correição (DPMC) emitiu parecer admitindo a denúncia e encaminhou o caso à reitoria.
Na sequência, a universidade abriu uma investigação preliminar, que será conduzida pela DPMC. A Ufes afirmou que, caso fique caracterizada a prática de infração disciplinar por parte da docente, será instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra ela. 
Procurada por A Gazeta, a Ufes afirmou que repudia todo e qualquer ato ou manifestação preconceituosa em seus campi e disse estar empenhada em desenvolver políticas e ações que reforcem seu compromisso com a prevenção e o combate ao assédio e à discriminação na comunidade universitária.
“A Administração Central da Ufes declara que todo e qualquer ato de racismo, discriminação e assédio ocorrido dentro de seus campi será apurado, a fim de que sejam adotadas as providências previstas em lei, sempre que necessário”, disse a instituição.
A reportagem tenta contato com a professora. O espaço segue aberto para manifestações.

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