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Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 15:30
O anúncio de que a GWM (Great Wall Motors) vai instalar uma indústria de veículos em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, chamou a atenção pelos números. Afinal, quando pronta, a unidade deve gerar até 10 mil empregos e produzir até 200 mil veículos por ano, convertendo-se na maior fábrica da empresa na América Latina. Essa negociação durou cerca de três anos e envolveu uma disputa com o Paraná e reuniões madrugada adentro intermediadas pelo governo capixaba para convencer os chineses.>
O interesse do Espírito Santo em atrair a GWM para o Estado começou em 2023, quando a montadora passou a importar carros pelos portos capixabas.>
“Os executivos vieram ao Estado, tiveram uma primeira interação conosco e fizeram um convite para conhecermos a estrutura da GWM”, explicou o secretário de Desenvolvimento, Rogério Salume.>
Em abril de 2024, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) foi ao Beijing Auto Show, um dos maiores e mais influentes salões do automóvel do mundo, realizado em Pequim (China), e na ocasião também fez uma visita técnica à fábrica da GWM.>
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“A partir daí, se acendeu a chama da possibilidade de trazer a fábrica para o Espírito Santo”, disse o secretário.>
Em agosto de 2025, a montadora solicitou informações ao governo capixaba, como áreas disponíveis, benefícios, infraestrutura (gás, água, energia e logística) e mão de obra disponível.>
O governo do Estado, então, por meio da Nova-ES, agência voltada à atração de investimentos, reuniu essas informações a partir de levantamentos feitos com o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Secretaria da Fazenda (Sefaz), ES Gás e EDP.>
“A gente foi a cada órgão levantar informações e passar para o time técnico da GWM”, relembrou Salume.>
Em setembro, técnicos da montadora visitaram áreas em Aracruz e no Porto da Imetame, ocasião em que foram apresentadas as vantagens logísticas e a estrutura portuária da região, e foi assinado um termo de confidencialidade de uma possível negociação.>
Rogério Salume
Secretário de Desenvolvimento do ESNo fim de 2025, o governo estadual começou a elaborar o termo de compromisso de investimento, com apoio do escritório de advocacia Machado Meyer, para que a montadora, diante das vantagens oferecidas pelo Estado, assegurasse o investimento em Aracruz.>
Em janeiro de 2026, o termo de compromisso chegou à versão final, e o vice-governador levou o documento à China, em uma nova visita às instalações da GWM. No dia 15, o presidente da companhia, Jack Wey, assinou o documento e confirmou o interesse em se instalar no Espírito Santo.>
“Foram centenas de horas, de trocas de mensagens, porque esse não é um projeto simples. É uma mudança histórica que vamos colher os frutos daqui para frente”, declarou Salume.>
Algumas dessas conversas ocorreram de madrugada, de acordo com o diretor de Relações Institucionais da GWM no Brasil, Ricardo Bastos. “Muitas vezes, as reuniões eram às duas, três da manhã, para conciliar a agenda lá na China, e o governo daqui sempre nos atendeu, nos proveu informações e, ao mesmo tempo, entendendo o nosso lado", relembrou.>
No dia 27, o Executivo estadual publicou, no Diário Oficial do Estado, um Decreto de Utilidade Pública (DUP), reservando uma área de 1,9 milhão de metros quadrados em Aracruz para o empreendimento. Na última terça-feira (26), a montadora confirmou os investimentos no município e apresentou as novas etapas para tirar a empreitada do papel.>
O governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), afirmou que o projeto é de longo prazo e ainda não há um prazo para o início da montagem dos veículos. Ele explicou que, neste primeiro momento, é necessário concluir a reserva da área para, na sequência, iniciar o licenciamento ambiental, a terraplanagem e a preparação do terreno.>
“A gente quer, cada vez mais, que o Estado seja forte na indústria. A política industrial leva soberania a um país, a um Estado. A gente pode ter a indústria que nos leve à soberania e alimente as outras demais atividades. É uma compreensão importante para quem quiser governar o Espírito Santo”, apontou.>
Para efetivar a reserva da área, ainda será necessário dialogar com a Suzano, detentora de parte do terreno, para saber como será a apropriação. Na sequência, caberá ao Iema realizar o licenciamento ambiental para, na sequência, iniciar a terraplanagem e começar a construir a fábrica.>
Conforme relatou o diretor de Relações Institucionais da GWM, Ricardo Bastos, ao colunista Abdo Filho, de A Gazeta, a proximidade do terreno à área portuária do Norte capixaba e a infraestrutura logística foram pontos que contaram a favor do Espírito Santo na disputa com o Paraná.>
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