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Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 13:56
A unidade industrial da GWM (Great Wall Motors) em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, vai ocupar uma área de 1,7 milhão de metros quadrados e terá a capacidade de produzir até 200 mil veículos por ano. A expectativa dos executivos da empresa é que sejam gerados até 10 mil empregos diretos e indiretos na fase operacional.>
As negociações foram confirmadas em janeiro, quando a montadora chinesa assinou um termo de compromisso com o governo do Estado para a implantação da segunda fábrica no Brasil. O valor do investimento ainda não está definido, mas está incluído nos R$ 10 bilhões que a companhia pretende investir no país, sendo que R$ 4 bilhões foram empenhados na primeira unidade, localizada em Iracemápolis (SP), inaugurada em agosto do ano passado.>
As novas etapas do empreendimento foram anunciadas na manhã desta terça-feira (24), em evento no Palácio Anchieta, e compreendem o licenciamento ambiental da área onde a planta será instalada, o início do desenvolvimento de peças até a montagem completa dos veículos.>
De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, o governo já assinou um Decreto de Utilidade Pública (DUP), reservando a área para a implantação do projeto. Será necessário dialogar com a Suzano, detentora de parte da área, para saber como será a negociação. “É todo um processo legal e isso começa a partir de hoje”, disse. >
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O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado em 26 de janeiro e destina uma área de 1,9 milhão de metros quadrados na região de Aracruz à implantação do projeto industrial. Desse total, 1,7 milhão de metros quadrados serão da GWM e outros 200 mil metros são de áreas de preservação permanente.>
Conforme antecipado pelo colunista Abdo Filho, de A Gazeta, a unidade industrial não será somente uma montadora, que recebe as peças de várias partes do planeta e faz a montagem dos veículos, mas também uma fabricante. Assim, muitas peças, componentes e insumos serão produzidos em Aracruz.>
O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) avalia que o projeto é complexo e vai nascer importando barras e peças. A partir daí, será desenvolvida a cadeia de produção com fornecedores locais, o que deve atrair outras empresas para a região. “À medida que o projeto for sendo implantado, a importação será substituída”, explica.>
A expectativa é que a planta automotiva possa fazer todas as etapas de produção do carro, desde a produção das peças até a estamparia, soldagem, pintura e montagem final, de acordo com o diretor de Assuntos Institucionais da GWM no Brasil, Ricardo Bastos.>
“Nossa visão para o Brasil sempre foi de longo prazo. A fábrica de Iracemápolis (SP) tem a capacidade para 50 mil carros. No ano passado, vendemos 42 mil carros no Brasil. Nós temos toda uma América Latina para chegar. A produção no Brasil não é somente para atender à demanda local. Tem que ser competitiva e fazer frente aos concorrentes”, contextualiza.>
Segundo o executivo, produzir componentes em solo brasileiro é importante, pois, ao exportar os veículos para outros países latinos, há isenção de impostos, o que aumenta a lucratividade. “A China tem um desafio. Precisa se internacionalizar. Não pode só olhar para o mercado chinês. Tem que participar do mercado global. E, para isso, não pode só exportar, tem que produzir fora de lá. É isso o que a gente está fazendo”, detalha.>
O governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), afirma que o projeto é de longo prazo e ainda não há um prazo para o início da montagem dos veículos. Ele explica que, neste primeiro momento, é necessário concluir a reserva da área para, na sequência, iniciar o licenciamento ambiental, a terraplanagem e a preparação do terreno.>
"A gente quer, cada vez mais, que o Estado seja forte na indústria. A política industrial leva soberania a um país, a um Estado. A gente pode ter a indústria que nos leve à soberania e alimente as outras demais atividades. É uma compreensão importante para quem quiser governar o Espírito Santo”, aponta. >
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