Bastidores e informações exclusivas e relevantes sobre os negócios e a economia do Espírito Santo

"A GWM decidiu construir uma fábrica no Espírito Santo", afirma Ferraço

O presidente e fundador do conglomerado, Jack Wey, e o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, assinaram um termo de compromisso para a implantação da montadora em um dos municípios do Parklog/ES

Vitória
Publicado em 14/01/2026 às 15h30
Fábrica da GWM em Iracemápolis, em São Paulo
Fábrica da GWM em Iracemápolis, em São Paulo. Crédito: Divulgação/GWM

Na manhã desta quarta-feira (14), já noite em Baoding, cidade chinesa que abriga a sede da montadora de automóveis GWM (Great Wall Motors), o presidente e fundador do conglomerado, Jack Wey, e o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, assinaram um termo de compromisso para a implantação de um parque fabril em um dos municípios do Parklog/ES (Aracruz, Colatina, Fundão, Ibiraçu, Jaguaré, João Neiva, Linhares, Marilândia, Serra e Sooretama). Mas o que exatamente isso significa?

"Significa que a GWM, um dos maiores conglomerados privados da China, com faturamento de cerca de US$ 40 bilhões, decidiu construir uma fábrica de carros no Espírito Santo. Um comunicado ao mercado, com todos os detalhes do projeto, deve ser feito nos próximos dias, afinal, eles são listados na Bolsa de Hong Kong, mas o fato é este", explicou Ricardo Ferraço, que conversou com a coluna já no início da madrugada chinesa.

O namoro com a GWM começou há dois anos, em Pequim, em um evento global de veículos elétricos e híbridos. A gigante chinesa havia chegado ao Brasil, apenas comercializando veículos importados (toda a importação é feita pelo Espírito Santo), há pouco tempo, em meados de 2022, mas já tinha certeza do tamanho do apetite brasileira pelos seus modelos, afinal, as vendas só faziam crescer. Em agosto de 2025, a fábrica de Iracemápolis, interior de São Paulo, foi inaugurada. Ela fica onde, no passado, funcionou um parque da Mercedes-Benz. A operação recebeu um investimento de R$ 4 bi, mas tem restrições, afinal, não deixa de ser uma adaptação. Os chineses sabem que precisam de algo maior para dar conta do mercado brasileiro (ou além). Aí é que o Espírito Santo volta com mais força para a cena.

No próprio mês de agosto, uma comitiva da GWM, com membros da alta cúpula, faz uma visita quase secreta e conhece toda a região do Parklog. Na sequência, é iniciada a fase de estudos aprofundados sobre a situação estrutural da região: transporte, energia, recursos humanos, água, área disponível, instituições e infraestrutura de transporte. Já no final de 2025, é assinado um NDA (Non-Disclosure Agreement, Acordo de Não Divulgação em inglês) com o governo capixaba para o aprofundamento das discussões. Em poucos dias o NDA evoluiu para o convite oficial de ida à sede da empresa, em Baoding.

Executivos da GWM e o vice-governador do ES, Ricardo Ferraço, assinam acordo na China
Executivos da GWM e o vice-governador do ES, Ricardo Ferraço, assinam acordo na China. Crédito: Divulgação/Governo do ES

"A cerimônia de hoje foi muito simbólica, todo o comando da empresa estava lá, inclusive o fundador, Jack Wey, que é uma figura muito conhecida e respeitada na China. Muito embora o mercado ainda não tenha sido comunicado, foi assinado um termo de compromisso para a construção de uma fábrica no Espírito Santo. E isso se deu depois de muito estudo, muita conversa e muito planejamento. Eles tomaram a decisão de ampliar o projeto no Brasil e a nova plataforma será no Espírito Santo. Não se faz nada deste tamanho do dia para a noite, mas creio que as coisas andarão com boa velocidade", disse Ferraço.

Os executivos da GWM apresentaram os detalhes do projeto ao vice-governador, mas como o comunicado ao mercado ainda não saiu, o sigilo está mantido. "Não posso entrar em detalhes, mas um projeto como este exige uma mobilização enorme de recursos. O que posso afirmar é que se trata de um dia histórico para o Espírito Santo, uma fábrica como esta tem força para agregar muito valor para a nossa economia, de mudar uma realidade. Estamos falando de uma empresa que fabrica 1,5 milhão de carros por ano, que está liderando essa transição da indústria automobilística para carros híbridos, elétricos e movidos a hidrogênio. Atrair uma plataforma como essa para o Estado é disruptivo para a nossa economia. Vamos seguir trabalhando e cuidando do passo a passo para que a montadora saia do papel no menor tempo possível", finalizou o vice-governador. 

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.