Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 18:25
Após ser eleita reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e não ser nomeada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020, a professora e pesquisadora Ethel Maciel vai receber um reconhecimento simbólico: sua foto passará a integrar a galeria de reitores da instituição. >
A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário da Ufes, em sessão nesta sexta-feira (27), após o colegiado aprovar por unanimidade a proposta do atual reitor, Eustáquio de Castro, que visava ao reconhecimento de Ethel. >
Conforme informações da universidade, a inclusão da professora na galeria de reitores possui caráter exclusivamente simbólico, histórico e reparador, não gerando efeitos administrativos ou jurídicos quanto ao exercício do cargo, mas preservando a memória institucional da Ufes e reafirmando o compromisso da universidade com os valores democráticos e a autonomia universitária.>
Quando Ethel Maciel se candidatou em 2020, ela foi a mais votada pela comunidade universitária e a primeira colocada na lista tríplice aprovada pelo colégio eleitoral. Contudo, Bolsonaro nomeou outro candidato, assim como fez em outras instituições de ensino superior.>
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Agora, essa prática não deverá ser mais adotada: a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 5.874/2025, que visa ao fim da lista tríplice para a escolha de reitores e reitoras das universidades e institutos federais brasileiros. A nova legislação determina que o resultado da consulta à comunidade acadêmica (estudantes, docentes e técnicos) prevaleça, sendo nomeado quem vencer a eleição direta.>
A professora Larissa Zanin, relatora da proposta de reconhecimento a Ethel, ressalta que, embora tenha havido o cumprimento da norma vigente à época, com a escolha do segundo candidato da lista tríplice, a decisão configurou grave afronta ao princípio da autonomia universitária, bem como desrespeito à escolha democrática da comunidade acadêmica da Ufes, produzindo uma ruptura institucional amplamente reconhecida no cenário nacional das universidades federais. >
Para o reitor Eustáquio de Castro, a decisão do conselho é uma reparação à professora Ethel e também à universidade. “Nós não poderíamos deixar isso passar batido. Esse resgate visa homenagear a professora não só como gestora eleita, mas também como a primeira pesquisadora nível 1A da Universidade e do Espírito Santo. Quem é pesquisador do CNPq sabe a dificuldade que é alcançar esse patamar”, destacou.>
Ethel Maciel se manifestou pelas redes sociais após tomar conhecimento da aprovação do conselho universitário, agradecendo a homenagem e o reconhecimento do que chamou de ruptura democrática e ataque à autonomia universitária. >
A cerimônia para colocar a foto de Ethel entre os demais reitores da Ufes vai ser realizada em data ainda a ser definida pelo gabinete da reitoria. >
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