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Caso Ramona: sete meses depois, motorista segue solto e sem acusação

Wilker Wailant foi autuado por embriaguez ao volante; ele é suspeito de ter invadido a contramão e atropelado a estudante em março deste ano em Vila Velha

Publicado em 21/10/2020 às 15h40
Universitária morre em acidente em Vila Velha
Ramona estava trabalhando com entrega por aplicativos quando foi atingida pelo carro de Wilker Wailant. Crédito: Internauta

Faz mais de sete meses que a família da estudante Ramona Bergamini Toledo tem que conviver com a dor de ter perdido a jovem, que morreu atropelada aos 19 anos. Enquanto isso, o motorista Wilker Wailant – autuado em flagrante por homicídio culposo qualificado, por dirigir embriagado – está solto e ainda não foi acusado.

No início de março, ele até chegou a ter a prisão preventiva decretada. Entretanto, no dia 24 daquele mês, o Habeas Corpus feito pela defesa foi aceito liminarmente pela ministra Laurita Vaz, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Relatora do caso, ela foi acompanhada pela Sexta Turma e a decisão se tornou definitiva em 19 de maio.

229 dias

se passaram desde o dia em que a estudante Ramona Bergamini morreu atropelada enquanto estava parada com a moto, esperando sinal abrir, na Avenida Carlos Lindenberg

Desde então, pouca coisa evoluiu no andamento do processo junto ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), que ainda nem recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPES) contra o suspeito. O que, por sua vez, está dependendo de complementos do Inquérito Policial, por parte da Polícia Civil (PC).

De acordo com o TJES, o que existe na Justiça é somente uma comunicação de prisão em flagrante. Já o MPES explicou que um promotor de Justiça entendeu que o crime é doloso (intencional) e o remeteu ao Tribunal de Júri, no dia 22 de abril. Nessa data, o suspeito já estava solto e, por isso, "o caso não se encontrava entre os que deveriam ser analisados em regime de plantão extraordinário".

Fotojornalismo: motoboys protestam por morte de Ramona

Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Eles transitaram por várias vias e protestaram no local onde Ramona foi morta. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado. Fernando Madeira
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado
Motoboys protestam por morte de Ramona, atropelada em Vila Velha por um motorista embriagado

O Ministério Público Estadual, então, pediu que fossem realizados novos trabalhos de investigação "indispensáveis para a coleta de mais provas dos fatos".

A Polícia Civil informou que "as diligências complementares estão em andamento na Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito". Quando finalizadas, o inquérito será novamente devolvido ao MPES, que poderá oferecer a denúncia.

Conforme informado pela própria PC, o inquérito policial foi concluído em 13 de março – nove dias depois do crime – e indiciou Wilker Wailant por homicídio e tentativa de homicídio, ambos por dolo eventual. Vale lembrar que o motorista também atingiu o veículo de uma segunda vítima, que sobreviveu.

"A JUSTIÇA SÓ ANDA PARA ELE", DESABAFOU MÃE DE RAMONA

Ainda em maio, o juiz Douglas Demoner Figueiredo, da Quarta Vara Criminal de Vila Velha, atendeu ao pedido da defesa: que Wilker Wailant pudesse deixar a cidade da Grande Vitória para ir à casa dos pais, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, já que ele teria tido o contrato de trabalho rescindido.

Já no final de junho, o suspeito recebeu uma nova proposta de emprego, o que resultou em mais uma solicitação por parte do advogado. Após apresentar informações sobre a futura empresa e documentos, Wilker Wailant foi autorizado pela Justiça, no dia 3 de julho, a trabalhar fora do Espírito Santo.

26 de março

foi a data em que Wilker Wailant recebeu o alvará de soltura - um dia depois da data em que Ramona completaria 20 anos de idade

Para a liberação, o juiz considerou a crise causada pela Covid-19 e possíveis indenizações. "Um dos efeitos da pandemia foi reduzir os empregos e a recolocação profissional (...) Ao retomar atividade lucrativa, o autuado poderá melhor suprir a pretensão dos herdeiros/dependentes da vítima, caso reconhecida sua responsabilidade", defendeu.

Ainda assim, os sentimentos que têm sido carregados pela família de Ramona Bergamini Toledo são apenas dois: dor e injustiça. "Sei que ele mudou de endereço e que está trabalhando. A Justiça parece que anda só para ele; mas para mim, não", desabafou a mãe da jovem, Kelly Bergamini.

Kelly Bergamini

Mãe de Ramona

"Todo dia que passa é mais dor e desespero. Além de perder quem você ama, você fica de mãos atadas. Não tem o que fazer além de esperar e a gente tem a sensação que quanto mais tempo passa, mais vai ficar no esquecimento e ser julgado de qualquer jeito"

Segundo ela, a sensação que fica é a do abuso. "É como se ele disesse: 'eu posso beber, eu posso matar, eu posso continuar a minha vida'. Enquanto isso, eu continuo nesse inferno em vida. Ele nunca assumiu o erro, nem emitiu uma nota ou tentou se justificar. Nunca nos deu qualquer apoio", reclamou.

Ainda muito abalada pela perda da filha, Kelly tem procurado ajuda médica e já fez uso de remédios para ajudar a lidar com a situação, de tanto sofrimento. "Só tem piorado com o tempo. Já me perdi na rua, tenho medo da noite. Fecho o olho e vem o acidente na cabeça, a ida ao IML, o velório. Não sei o que é dormir até hoje", revelou.

O QUE DIZ A DEFESA

Por meio de nota, o advogado Ludgero Liberato, que defende Wilker Wailant, afirmou que o "cliente ficou muito abalado com o ocorrido e não manteve contato com a família de Ramona até o presente momento, pois, por orientação jurídica, entendeu-se adequado esperar toda a produção da prova, para evitar qualquer alegação de que o acusado tenha interesse em impedir o esclarecimentos dos fatos".

A defesa também confirmou que o cliente "após perder o emprego, buscou novas atividades no interior do Estado, mediante prévia autorização judicial". Sobre Wilker Wailant admitir ser culpado ou ter dirigido sob a influência de álcool, o advogado afirmou apenas que ele "dará sua versão dos fatos em juízo".

O ACIDENTE

O acidente aconteceu na noite de 4 de março deste ano, na Avenida Carlos Lindenberg, na altura do bairro Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha. De acordo com o registrado pela Guarda Municipal de Trânsito, Wilker invadiu a contramão da via e atingiu a moto em que estava a jovem. A universitária voltava do trabalho e aguardava a abertura de um semáforo.

De acordo com pessoas que estiveram no local, a batida teria acontecido por volta das 23h30 da quarta-feira (4). Além da motocicleta em que Ramona estava, um carro popular e um ônibus do sistema Transcol também foram atingidos. Os ocupantes do coletivo não se feriram, mas a motorista do subcompacto chegou a ser socorrida para um hospital de Vila Velha.

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