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Um ano de coluna

Em um ano, de 28 colunas, escrevi 16 sobre a esperança na pandemia: vacinas

Acima de questões ideológicas está a saúde pública, e para o bem de todos precisamos que a vacina chegue ao braço do maior número de pessoas

Publicado em 24 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

24 jun 2021 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

Voluntários são imunizados no Viana Vacinada deste domingo (13)
Que tenhamos mais vacinas e rápido, mas fundamentalmente que os braços onde elas serão administradas estejam a postos Crédito: Carlos Alberto Silva
Há exatamente um ano eu começava quinzenalmente a ter essa conversa neste espaço com vocês. Apesar de sempre ter escrito muito e adorar fazê-lo, a experiência de escrever durante esse cenário de pandemia foi enriquecedora na minha jornada como cientista. Eu nunca havia antes me aventurado na divulgação da ciência, e dividir com os leitores minha compreensão sobre a ciência e as descobertas nesse período me fez também de certa forma estar mais próxima de muitos e aprender a melhor forma de me comunicar.
Na coluna ainda não falei sobre minhas pesquisas, acabei focando nossa conversa neste último ano nas questões que envolveram nossa vida diária durante a pandemia. Falei da repetição na pandemia, como a humanidade tende a repetir certos comportamentos em tempos pandêmicos.
Também falei sobre a morte, sobre o novo normal e o que aprendemos durante esse período, se é que aprendemos. Falei dos cortes no orçamento das universidades e a quem interessa. Mas, sobretudo, falei de vacinas. Das 28 colunas escritas nesse período, 16 eu falei sobre as vacinas ou a vacinação e sempre como o símbolo da esperança.
Completar um ano aqui me fez reviver esse período de dor, de perdas, mas também de aprendizado. Deixo aqui minha solidariedade com os familiares das 500 mil vidas perdidas. Desde janeiro, essas vidas entram na conta de mortes por doenças imunopreveníveis, aquelas que não aconteceriam se tivessem tido o direito de receber a vacina antes de serem contaminadas.
Sim, comprar ou não as vacinas foi uma decisão política, disponibilizar para a população foi também uma decisão política. A ciência já sabia desde o ano passado, quando houve um grande esforço internacional de financiamento das vacinas, que a saída dessa pandemia de doença de transmissão respiratória era pela vacina.
Agora, além de chorar por nossos mortos, nos resta o empenho de convencer aqueles ainda indecisos, por falta de informação ou por estarem recebendo informações falsas, mentirosas e distorcidas, que tomar a vacina é um ato de solidariedade. Vacinamos para nós, por nossa comunidade, mas fundamentalmente por nosso país. A campanha de vacinação depende da velocidade e da cobertura vacinal, ou seja, o percentual de pessoas que conseguimos vacinar em cada faixa etária. Para chegarmos a uma situação de melhores indicadores epidemiológicos e retomarmos nossas vidas com mais segurança, dependemos uns dos outros.
Assim, agora cada um de nós conta para esclarecer e levar a informação para aquele parente ou amigo indeciso. Será um trabalho árduo, mas é tarefa de todos e todas. Para sairmos dessa pandemia, precisamos compreender que acima de questões ideológicas está a saúde pública, e para o bem de todos precisamos que a vacina chegue ao braço do maior número de pessoas.
Nosso Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 estimava em seu início a necessidade de vacinação de 70% da população. Esse número vem do entendimento da taxa de reprodução (R0) do vírus, o número de pessoas que podem ser infectadas por uma pessoa doente. Inicialmente, o R0 para a Covid-19 foi estimado entre 2 e 3. A gripe, em comparação, tem um R0 de 1,3 e enquanto o sarampo tem um R0 de 18. O R0 permite calcular a porcentagem mínima de indivíduos a serem imunizados necessária para proteger toda a população.
Esta condição, conhecida como limiar de imunidade coletiva (de rebanho), é calculada por [1- (1/R0)]*100. Para o SARS-CoV-2, usando um valor de R0 de 3, o cálculo seria: [1- (1/3)]*100, assim, [1 - (0,3)]*100, ou seja [0,70]*100 que daria a proporção de 70% da população necessária para imunidade de rebanho. O que observamos foi que, com a introdução de novas variantes mais transmissíveis, essa taxa de reprodução aumentou, dado o aumento da transmissibilidade do vírus, e muito provavelmente precisaremos vacinar um percentual maior de pessoas (próximo a 90%) para que todos estejamos protegidos.
A tarefa para atingirmos esse percentual ainda esse ano é árdua e, portanto, precisaremos de toda a nossa dedicação para que o nosso Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 seja um sucesso, pois ao final, independente de qual a sua ideologia política, vencermos a pandemia é missão de todos. Que tenhamos mais vacinas e rápido, mas fundamentalmente que os braços onde elas serão administradas estejam a postos quando cada um de nós for convocado para esse trabalho em favor da humanidade, tanto para o Brasil, quanto para o resto do mundo. Que venham as vacinas!

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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