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Coronavírus

As vacinas nos enchem de esperança de vermos o fim da pandemia

A Coronavac contribuirá para a realização de uma das maiores campanhas de vacinação do mundo

Publicado em 21 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

21 jan 2021 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

Coronavac
Coronavac chegou ao Espírito Santo na última segunda-feira (18) Crédito: Fernando Madeira
As vacinas fazem parte da nossa história desde 1796, quando o britânico Edward Jenner fez o primeiro experimento de inoculação de secreção do vírus da varíola bovina em humanos, provocando nestes uma doença leve, que não evoluía para a fase grave da varíola. Estava descoberta, assim, a propriedade de imunização. Atualmente, os processos de inativação e atenuação dos microrganismos são mais sofisticados, mas o conceito permanece o mesmo: treinar nosso sistema de defesa para identificar e combater o agente agressor.
Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a prover um sistema de saúde público, universal e gratuito para toda a população. O Sistema Único de Saúde, o nosso SUS, é a maior conquista do povo brasileiro e, como tudo aquilo que se conquista, é fruto de uma luta incansável. O SUS está mostrando mais uma vez sua força. As vacinas estão chegando, elas vêm pelo SUS e com elas a esperança de vermos o começo do fim dessa pandemia.
A vacina que iniciamos contribuirá para a realização de uma das maiores campanhas de vacinação do mundo. A Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, usa a tecnologia de vírus inativado e apresentou seus resultados à sociedade em rede nacional. A pesquisa que comprovou a eficácia da vacina foi conduzida por essa respeitada instituição, com pesquisadores experientes e reconhecidos internacionalmente, fruto de um trabalho sólido, com resultados animadores diante de uma pandemia que já tirou tantas vidas.
A Coronavac, em um grupo com alta exposição – como profissionais de saúde – foi capaz de reduzir pela metade os casos muito leves da doença e de reduzir em 78% a possibilidade de procura a um serviço especializado, que precise, por exemplo de uma tomografia. Vale lembrar que a maioria dos municípios no Brasil não possui rede hospitalar ou serviços de saúde com maior complexidade. Nos casos da Covid-19, acrescenta-se ao cenário o impacto da demora no atendimento, ou da remoção de pacientes de municípios com poucos recursos para os grandes centros.
Portanto, ter à nossa disposição uma vacina que será produzida aqui e que poderá reduzir a procura por esses serviços é um reforço e alento para a saúde coletiva e para os serviços de saúde, já exauridos nesse momento de crescimento dos casos no Brasil. Nenhum voluntário que recebeu a vacina precisou de atendimento hospitalar. Esse resultado nos enche de esperança de que muitas vidas poderão ser poupadas. 
Quando pensamos em uma escala nacional, além das vidas, os custos das hospitalizações são um argumento importante para a instituição da vacinação no menor tempo possível. Essas condições, inicialmente, já garantem um quadro muito melhor para o Brasil, que não teve em nenhum momento, desde fevereiro de 2020, o controle da pandemia.
Ver no último domingo a primeira pessoa ser vacinada foi um momento de puro êxtase. A enfermeira Monica Calazans nos mostrou de que matéria são feitos as nossas heroínas e heróis dessa pandemia. Eles são feitos de muito trabalho, de vida dura, mas principalmente de esperança de que aqueles que venceram e contam hoje a história de dor das perdas de vidas dessa pandemia serão os primeiros a serem lembrados, protegidos e cuidados com as primeiras doses da vacina.
É um momento único na nossa história, finalmente, podermos estar um passo adiante do vírus. No entanto, ainda temos pela frente o maior desafio: convencer as pessoas de que a vacina é uma estratégia de saúde coletiva, e quando você se vacina o faz por você, por mim, pela sua comunidade e pelo seu país. Acredite na ciência. Vacinar é um ato cívico e que seja para todos!

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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