Eu sempre sonhei em ser professora. À medida que crescia e meu desejo se tornava realidade, vi como estudantes nascem diante de professores, e ali, naquele movimento mágico, os estudantes iam, eles próprios, se transformando em mestres.
Quantas vezes, como estudante, me senti transportada para outro universo depois de uma aula que eu considerava brilhante. O caminho para casa era muito mais alegre, eu podia sentir o cheiro e a cor nas palavras de muitos mestres. Essa inspiração, que nos comove em muitas descobertas de assuntos incríveis, é ainda mais completa quando mediada pela emoção de termos professores e professoras que podem dividir esse maravilhamento conosco.
Como professora, eu sempre considerei esse momento sagrado. O encontro com meus e minhas estudantes é sempre permeado pelo melhor de mim. Há um êxtase que se inicia na preparação do encontro. Depois, o encontro em si. A dúvida, as perguntas, a curiosidade para aprender vista nos olhos dos estudantes é o que nos move como professoras e professores rumo a esse encantador universo do conhecimento.
Descobrir o mundo nem sempre é uma experiência feliz. Algumas vezes, quebrando nossos próprios preconceitos e concepções, a escola passa a ser esse lugar fundamental, para percebermos que o que vivemos não é natural, ou está de alguma forma equivocado. Romper barreiras e nos mostrar novos olhares sobre o mundo e sobre as pessoas tem sido desde o início dessa instituição chamada escola a fonte motriz desse olhar pedagógico na sociedade. Muitas vezes, é na experiência com o outro, nesse ambiente escolar, que vamos descobrindo quem de fato nós somos.
Vivemos nesse momento o luto de não podermos estar reunidos nesse tempo pandêmico. E no retorno, a escola se transformou em um lugar asséptico, onde a magia perdeu sua expressão. O vírus nos roubou a alegria de compartilhar. Estamos ansiosos pelo retorno da escola como experiência terrena de locais de saber e conhecimento onde nos reunimos para celebrar a nossa existência.
A escola é o lugar aonde vamos para sermos nos mesmos. E onde a vivência da diversidade se faz concreta. A escola plena é fundamental para o mundo. Meu profundo respeito e admiração pelos professores e professoras que ESCOLHERAM, entre muitas profissões, educar.
Quando vejo que um ministro da Educação entende que ser professora é para quem não teve opção, sinto uma profunda pena do nosso país. Compadeço-me com as milhares de crianças que, neste momento, estão sem o contato presencial com suas mestras e mestres. Que choram pela falta do convívio nesse ambiente mágico, onde reside a esperança de que um dia, o mundo, ou esse cantinho que habitamos, seja um lugar de gente melhor.
Gente que pensa no coletivo e que entende que o futuro reside ali, no chão da escola, com as asas de milhares de imaginações que voam para longe daquele chão e que permitem que as paredes da escola sejam muito maiores que nossos olhos podem enxergar.