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Saúde

Enfermagem: profissionais precisam receber o respeito que merecem

No Brasil, a questão de respeito passa pela aprovação de uma jornada digna que garanta as condições de trabalho

Publicado em 13 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

13 mai 2021 às 02:00
Ethel Maciel

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Ethel Maciel

Gravura do famoso artista Banksy retrata uma criança deixando de lado seus super-heróis e brincando com uma nova super-heroína: a Enfermeira
Gravura do famoso artista Banksy retrata uma criança deixando de lado seus super-heróis e brincando com uma nova super-heroína: a Enfermeira Crédito: Reprodução/Instagram Banksy
Ontem, 12 de maio, foi o Dia Internacional da Enfermeira e do Enfermeiro. Faço questão de iniciar no feminino, pois representamos 85% da enfermagem no Brasil. No último relatório de 2017 do Conselho Federal de Enfermagem, a classe profissional era formada por 23% de enfermeiras (os) e 77% de técnicas (os) e auxiliares de enfermagem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu o ano de 2020 como o ano da enfermagem.
A data foi escolhida pela celebração do bicentenário de nascimento de Florence Nightingale, que foi a precursora da enfermagem enquanto profissão, e tinha o intuito de empoderar e valorizar os enfermeiros que atuavam na assistência à saúde, nos hospitais, nas unidades de saúde e em cargos de gestão.
pandemia mudou rapidamente as ações programadas para essa celebração e as enfermeiras (os) em todo planeta se viram travando uma luta de vida e morte com o vírus. Essa foi a profissão com mais mortes no mundo e no Brasil, e dentre os profissionais da saúde, os que mais morreram foram enfermeiras e enfermeiros.
Segundo a OMS, as enfermeiras (os) são fundamentais em um mundo em evolução, e com o envelhecimento de sua população, precisaremos de mais nove milhões de enfermeiras (os) e parteiras para atingir a meta de cobertura universal de saúde até 2030. Durante a pandemia, serviços que abriram vagas para profissionais de enfermagem não conseguiram preenchê-las dada a escassez no mercado de trabalho. Infelizmente, sem valorização da profissão, melhores salários e condições de trabalho, esse número não será atingido, colocando as instituições de saúde em risco de ficarem sem esses profissionais.
A pandemia também colocou esses profissionais em evidência, ganhando inclusive uma gravura do famoso artista Banksy, que retrata uma criança deixando de lado seus super-heróis e brincando com uma nova super-heroína: a Enfermeira. A homenagem que ganhou o mundo simboliza uma esperança de que a profissão finalmente receba o respeito que merece.
No Brasil, essa questão de respeito passa pela aprovação de uma jornada de trabalho digna que garanta as condições de trabalho com a regulamentação de uma jornada de 30 horas semanais, como já existe para diversas profissões da saúde, e um salário digno da responsabilidade e comprometimento que a profissão exige. Hoje, essas demandas estão representadas por um Projeto de Lei de autoria do senador capixaba Fabiano Contarato e esperamos que seja votado a qualquer momento.
Infelizmente, quando observamos as ações que foram tomadas pelos gestores durante a pandemia e analisamos quais foram as prioridades de muitos hospitais durante a crise, vemos que o sistema é movido por lucros e não pelo bem-estar dos profissionais de saúde.
Isso ficou nítido, tanto em hospitais administrados por organizações sociais ou os do setor privado. Estes, inclusive, com aumento do preço dos planos de saúde. Esse deve ser também um ponto de análise na defesa do nosso SUS (Sistema Único de Saúde). A maioria de nós entrou na profissão para ajudar a cuidar de vidas. Mas quando a morte está soprando em torno de você como um furacão e você não tem qualquer apoio das instituições, isso faz você questionar se está fazendo alguma diferença expor sua vida.
Donos de planos de saúde que figuram na lista da Forbes como os que mais enriqueceram no país, enviaram ao Congresso uma carta pedindo para não votarem o piso salarial da enfermagem. Repudiamos a precarização do trabalho defendida por essas corporações e nós, enfermeiras (os), técnicas (os) e auxiliares de enfermagem pedimos a sociedade apoio à nossa causa que é justa, digna e urgente.
Mais que super-heroínas, queremos ser vistas como pessoas, que sofrem, têm medo e angústias, mas que nos momentos mais sombrios da humanidade estiveram lá, fazendo com dedicação nosso trabalho, e atravessamos, com muitas famílias e doentes, a maior crise sanitária do século. Agora precisamos da aprovação da PL2564. Um viva a toda a enfermagem brasileira.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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