Mesmo com o cenário da pandemia de Covid-19, que agrava a arrecadação dos municípios e deixa a realidade dos próximos gestores mais difícil de enfrentar, o número de candidatos para disputar o posto de chefe do Executivo municipal nas sete cidades que integram a Região Metropolitana da Grande Vitória é 120% maior que em 2016.
A quantidade de nomes ainda pode cair, já que o prazo para o pedido de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até o dia 26 de setembro, mas a explosão de candidaturas confirma o que especialistas previam: o fim das coligações para eleição de vereadores força os partidos a manter candidaturas a prefeito para "puxar voto" para vereadores.
Cariacica é a que mais confirmou nomes e, também, a que teve maior crescimento percentual de candidaturas. Em 2016, apenas quatro candidatos chegaram às urnas enquanto neste ano as convenções partidárias já lançaram 14 nomes na disputa. É um salto de 250%. Fundão é o único município que não registrou o fenômeno, confirmando, até o momento, apenas três candidatos.
Vitória também teve um crescimento considerável, passando de cinco para 12 candidaturas, e a Serra, de quatro para 9. Vila Velha e Guarapari registram, até agora, o mesmo número de candidatos nos dois momentos, seis em 2016 e 10 após as convenções deste ano. Viana, que teve apenas dois candidatos em 2016, já tem seis nomes confirmados. Não foram consideradas, para o levantamento, candidaturas que foram indeferidas pela Justiça Eleitoral na eleição passada.
Para o cientista político João Gualberto Vasconcellos, Cariacica é o exemplo perfeito de um dos fatores que levaram ao salto de candidaturas: a ausência de lideranças fortes. "Temos um presidente da República que não faz parte de nenhum partido, um governador que não está atuando nas eleições e a ausência de candidatura de lideranças fortes", aponta. Se os nomes mais tradicionais estivessem na disputa, opina João Gualberto, fariam uma articulação para colocar lideranças menos influentes como vice ou candidatos a vereador, o que poderia reduzir o número de candidaturas.
Mesmo com esse fator, contudo, a questão principal, aos olhos do especialista, é o fim das coligações. "Tenho a impressão que o aumento deve-se em primeiro lugar ao fim das coligações. Tem uma engenharia do processo eleitoral que força candidatos a vereador a precisarem de um candidato a prefeito. Os vereadores não estão preocupados em eleger o prefeito, estão preocupados com ter um domínio sobre o fundo partidário, sobre o tempo de propaganda", assinala.
Antes da regra, criada pela mirreforma eleitoral de 2017, os partidos podiam buscar alianças para criar chapas de vereador. Ou seja, uma chapa poderia conter candidatos a vereador de diferentes partidos e um candidato a prefeito de peso, com tempo de propaganda extenso e possibilidade de dividir o palanque para tentar eleger o máximo de vereadores possível. Agora, pela regra, todos os candidatos a vereador precisam ser da mesma sigla, o que faz com que os partidos queiram manter seus candidatos a prefeito para trazer essa visibilidade.
Outro fator que contribui, mas de forma mais lateral, são as regras de divisão do fundo partidário. O advogado eleitoral Ludgero Liberato explica que dois dos fatores que são levados em consideração para a distribuição da verba entre os partidos são o número de votos e a quantidade de cadeiras que as siglas ocupam no Congresso. Com as eleições de 2022 já no horizonte, candidatos interessados em concorrer a vagas em Brasília começam a se movimentar.
"Não é tão relevante quanto o fim das coligações, mas é um momento de aparecer e começar a ter o nome ventilado. PT e PSL, por exemplo, são os dois partidos com mais dinheiro de fundo partidário, porque formaram as maiores bancadas em 2016", pontua.
A verba pública é distribuída de acordo com critérios internos das siglas, ou seja, nem todos os Estados recebem o mesmo valor. "Acaba que o Espírito Santo recebe uma fatia muito pequena do dinheiro", assinala Liberato.
Além das verbas, o tempo de propaganda eleitoral gratuita em TV e no rádio também é distribuído pelos mesmos critérios. Muitas siglas ficam de fora dos dois benefícios por não conseguirem eleger deputados federais, por isso, aponta o especialista, "nunca foi tão importante" para os partidos fortalecerem suas siglas visando eleger candidatos em 2022, mesmo que não consigam eleger um prefeito agora.
LISTA DE CANDIDATOS A PREFEITO NA REGIÃO METROPOLITANA DE VITÓRIA 2020
Cariacica
- Adilson Avelina (PSC)
- Bia Biancardi (PMB)
- Célia Tavares (PT)
- Celso Andreon (PSD)
- Euclério Sampaio (DEM)
- Heraldo Lemos (PCdoB)
- Hélcio Couto (PP)
- Ivan Bastos (MDB)
- Joel da Costa (PSL)
- Jovarci Motta (DC)
- Marcos Bruno (REDE)
- Sandro Locutor (PROS)
- Saulo Andreon (PSB)
- Subtenente Assis (PTB)
Fundão
- Gil (PSB)
- Eleazar Lopes (PODEMOS)
- Carlos Magno (PSDB)
Guarapari
- Edson Magalhães (PSDB)
- Fredson Fagundes (PL)
- Oziel de Sousa (PSC)
- Gedson Merízio (PSB)
- Maria Helena (PP)
- Cláudio Paiva (PRTB)
- Carlos Von (Avante)
- Coronel Ferrari (PSD)
- Bárbara Hora (PT)
Serra
- Bruno Lamas (PSB)
- Alexandre Xambinho (PL)
- Gracimeri Givorno (PSC)
- Sergio Vidigal (PDT)
- Vandinho Leite (PSDB)
- Ebinho Moraes (PCdoB)
- Fábio Duarte (Rede)
- Ledeil Doná (PSOL)
- Luciana Malini (PP)
Viana
- Wanderson Bueno (Podemos)
- Cabo Max (PP)
- Faustão (PDT)
- Lyra da Federal (MDB)
- Graça Fortes (PSL)
- Cida Rocha (Avante)
Vila Velha
- Rafael Primo (REDE)
- Dalton Morais (Novo)
- Amarildo Lovato (PSL)
- Arnaldinho Borgo (PODEMOS)
- Hudson Leal (REPUBLICANOS)
- Mônica Alves (PSOL)
- Fernanda Martins (PV)
- Coronel Wagner Borges (PL)
- Max Filho (PSDB)
- Neucimar Fraga (PSD)
Vitória
- Sérgio Sá (PSB)
- Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS)
- Fabrício Gandini (CIDADANIA)
- Mazinho dos Anjos (PSD)
- Gilbertinho Campos (PSOL)
- Namy Chequer (PCdoB)
- Raphael Góis Furtado (PSTU)
- Neuzinha de Oliveira (PSDB)
- João Coser (PT)
- Halpher Luiggi (PL)
- Capitão Assumção (PATRIOTA)
- Coronel Nylton Rodrigues (NOVO)