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Luiz Paulo ainda tenta ser candidato pelo PSDB, mas libera PP de aliança

O tucano manteve a pré-candidatura a prefeito de Vitória, apesar da decisão da Executiva municipal, de lançar Neuzinha de Oliveira. Os partidos que haviam garantido aliança, contudo, voltam a negociar com outros nomes

Publicado em 15/09/2020 às 22h00
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Marcos Delmaestro, presidente do PP de Vitória
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Marcos Delmaestro, presidente do PP de Vitória. Crédito: Reprodução

O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) ainda espera ser candidato à Prefeitura de Vitória, com a ajuda da Executiva nacional do partido, após o PSDB municipal ter escolhido a vereadora Neuzinha Oliveira para representar a sigla na disputa. Luiz Paulo nem chegou a disputar a convenção do partido. E vê legendas até então aliadas a ele procurarem novos caminhos. O próprio tucano esteve nesta terça-feira (15) na convenção do PP de Vitória e liberou os progressistas da parceria prévia.

Na convenção, o PP fez o lançamento de sua chapa de vereadores e deixou a ata aberta, com a possibilidade de apoiar qualquer outra sigla para o cargo de prefeito. O PP faz parte do grupo "Aliança Cívica por Vitória", composto também pelo PSB, Rede e alguns membros do PSDB, entre eles, Luiz Paulo. 

O PP é um dos principais partidos da base do governo Casagrande no Espírito Santo – o presidente municipal, Marcos Delmaestro, era inclusive subsecretário da Casa Civil do governo –, e por isso um dos caminhos prováveis, caso não siga realmente com Luiz Paulo, é integrar a coligação do vice-prefeito e candidato do PSB, Sérgio Sá, conforme já afirmou o presidente estadual, Marcus Vicente, desde o período pré-eleitoral.

Tal opção leva em consideração também que, desde 2019, o PP rompeu com Luciano Rezende e com o partido dele, o Cidadania (ex-PPS). Isso significa que não apoiará o candidato de Luciano à sucessão, o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania).

"CARICATURA DE CANDIDATA"

O anúncio de Luiz Paulo veio em meio à disputa interna travada dentro do partido para definir seu candidato, já que a sigla tinha também a pré-candidatura de Neuzinha, que também é a presidente municipal. Diante da situação, Luiz Paulo preferiu, inclusive, nem comparecer à convenção do partido, que confirmou a chapa da vereadora, a única inscrita.

No entanto, Luiz Paulo espera garantir o direito de ser candidato, visto que o partido possui uma resolução que prevê que em cidades de mais de 100 mil eleitores e que possuam propaganda eleitoral na TV, as candidaturas devem passar pelo crivo da Executiva nacional.

Na convenção do PP, Luiz Paulo afirmou que seu nome continua à disposição da nacional, que tem até o dia 26 de setembro para decidir – último dia de prazo para pedido de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral –, e que "é pré-candidato até o último minuto, se decidirem ter candidato para valer, de verdade, e não uma caricatura de candidata".

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

Ex-prefeito de Vitória

"O PSDB tem um projeto de candidatura própria, e tem uma outra articulação, que atende aos interesses do grupo político que está na Assembleia, como a convenção de ontem (segunda) demonstrou com clareza"

"Vai ficar decidido o que a nacional entender que é o melhor projeto para o PSDB. A convenção que o PSDB realizou ontem (segunda) não tem nenhuma validade se não for sancionada pela Executiva nacional. Trabalhei com PP, DEM, PMN para ter um projeto robusto com condições de disputar. Compreendo que os prazos estão passando, as pessoas vão fazendo outras alianças, mas seguirei pré-candidato", afirmou o ex-prefeito.

Ele também agradeceu o apoio que vinha recebendo das demais siglas. "Quero reconhecer o protagonismo fundamental do Progressistas na construção desse projeto. Não posso pedir para vocês me esperarem, não tenho como assegurar que a decisão será favorável a nós, portanto compreendo, assim como entendo o caminho que o DEM tomou. O deputado Theodorico Ferraço nos ajudou muito a chegar até aqui e foi obrigado a buscar outro caminho para seu projeto", disse Luiz Paulo.

O deputado estadual Lorenzo Pazolini e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, ambos do Republicanos, estiveram na convenção do PSDB. Pazolini é candidato à prefeitura e quer ter Neuzinha como vice. A vereadora, por sua vez, não descarta a possibilidade. 

O PP vai voltar para a mesa de negociações a partir desta quarta (16) para definir com quem fechará aliança, segundo o presidente municipal, Marcos Delmaestro. Segundo ele, a sigla também já conversou com os grupos das candidaturas de João Coser (PT), Mazinho dos Anjos (PSD) e Lorenzo Pazolini (Republicanos). "Nós não tínhamos um acordo com o PSDB, e sim com Luiz Paulo. Ele é um candidato muito preparado para a nossa cidade, e ela realmente precisa voltar para a época de glória que já teve, e isso se faz através de política, de conjuntura. Agora, houve a liberação do acordo. Então, vamos iniciar novas conversas", disse.

OS PERCALÇOS DA CANDIDATURA DE LUIZ PAULO

Luiz Paulo estava filiado ao Cidadania, no início deste ano, e atuando como diretor presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). No início de abril, foi exonerado do cargo já visando a possível candidatura, para respeitar o prazo de desincompatibilização, estabelecido pela Justiça Eleitoral.

Também nesse período, ele decidiu voltar ao PSDB, partido pelo qual militou por décadas, mas foi barrado pela Executiva municipal, comandada por Neuzinha. A filiação só foi concretizada após a determinação expressa do presidente nacional da sigla, Bruno Araújo, com quem Luiz Paulo tem bom trânsito.

O ex-prefeito também conseguiu resolver, a tempo, um outro problema que o impedia de disputar, que era a perda de seus direitos políticos, em uma ação de improbidade administrativa na qual foi condenado em segunda instância, e ainda recorre ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No início de agosto, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) suspendeu os efeitos da condenação até que ocorra o julgamento do recurso, fazendo com que Luiz Paulo deixasse de estar inelegível.

O tucano chegou, de fato, a iniciar os movimentos para a candidatura, com a realização de pesquisas internas, mobilização de equipe e articulações para alianças. Uma delas foi com o lançamento da chamada "Aliança Cívica por Vitória", na qual se uniu a PP, PSB e Rede – partidos que estão se posicionando em oposição à atual gestão, de Luciano Rezende –, e que uma das possibilidades seria se unificarem em torno de um único candidato. No grupo, Sérgio Sá (PSB) foi confirmado como candidato, em aliança com a Rede, que desistiu de lançar Roberto Martins e indicou a vice do socialista.

O deputado Theodorico Ferraço, principal liderança no comando do DEM,  chegou a revelar que queria apoiar a candidatura de Luiz Paulo, se o ex-prefeito realmente conseguisse se viabilizar, considerando que "esse é o caminho natural". O filho dele, ex-senador Ricardo Ferraço, também trabalhou nos bastidores para ajudar a viabilizar a candidatura do ex-prefeito dentro do partido de ambos, e atuou na coordenação política do DEM.

DEM FECHOU COM PAZOLINI

No entanto, o DEM acabou fechando aliança com Lorenzo Pazolini, na segunda-feira, o que sinalizou que a sigla poderia já não estar mais contando com a candidatura de Luiz Paulo.

Na convenção do PSDB de Vitória, os filiados com direito a voto aprovaram em ata a outorga de poderes para a Executiva municipal  deliberar sobre a formalização da coligação com outros partidos.

A Executiva também foi autorizada a promover alterações até a data limite para o registro de candidatura, 26 de setembro, podendo realizar remanejamento, exclusão, inclusão e alteração de candidaturas para os cargos de prefeito e vice-prefeito.

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