Comandado no Espírito Santo pelo ex-deputado federal
Marcus Vicente, o
Progressistas (PP) já traçou as suas estratégias e prioridades para as eleições municipais de novembro no Espírito Santo. Hoje, segundo Vicente, o partido prioriza a eleição a prefeito de Viana, com o vereador
Cabo Max, em Cariacica, com o médico
Helcio Couto, e na Serra, com a dentista
Luciana Malini. Já na sucessão de
Luciano Rezende, em Vitória, o partido pode fazer um movimento ousado: apoiar o atual vice-prefeito,
Sérgio Sá, pré-candidato a prefeito pelo
PSB, partido do governador
Renato Casagrande.
Na Capital, a decisão irrevogável da direção do PP,
declarada por Vicente desde 2019 e reafirmada agora por ele à coluna, é não reeditar a aliança de 2016 com o partido de Luciano, o Cidadania (ex-PPS). Isso significa não apoiar o candidato de Luciano à sucessão, o deputado estadual
Fabrício Gandini (também do Cidadania). Tomada essa decisão, o PP enxerga hoje dois caminhos, de acordo com seu presidente regional.
Além disso, Luiz Paulo não controla atualmente o
PSDB estadual, presidido pelo deputado estadual
Vandinho Leite, que, ao contrário do ex-prefeito, faz oposição ao governo Casagrande. Para ser candidato, o ex-prefeito precisaria ter o nome referendado em convenção da Executiva Municipal do PSDB, agora postergada para setembro. Em Vitória, a Executiva é presidida pela vereadora
Neuzinha de Oliveira, que também se declara pré-candidata.
Assim, de acordo com Marcus Vicente, o PP já tem um plano B na Capital (que pode prontamente virar o plano A): engrossar a coligação majoritária que será liderada pelo vice-prefeito Sérgio Sá (PSB). Faz sentido, até porque o PP foi um dos primeiros partidos a aderir à candidatura de Casagrande em 2018 e hoje é um dos principais partidos da base do governo do socialista no Espírito Santo.
Os progressistas estão alojados em muitos cargos na máquina estadual. O próprio Marcus Vicente é, desde o início do governo, o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano. O presidente do PP em Vitória, Marcos Delmaestro (que conduz pessoalmente as articulações da sigla na Capital), é o subsecretário da Casa Civil. Em suma, o PP está integradíssimo ao movimento político mais amplo liderado no Estado pelo governador (portanto, pelo PSB de Sérgio Sá). Por esse prisma, o apoio dos progressistas a Sá soa até natural.
Em Viana e Cariacica, o PP não abre mão das candidaturas de Cabo Max e de Helcio Couto, respectivamente. Quer governar uma cidade da Grande Vitória e em Viana, principalmente, acredita ter plenas condições de chegar à prefeitura. O PP sonha com o apoio do Palácio Anchieta a seu candidato na cidade, até como “compensação” pela lealdade a Casagrande desde que ele estava na planície.
Além dessa questão pragmática, o que pode dificultar esse apoio esperado pelo PP é o perfil político do próprio Cabo Max, mais alinhado com a direita bolsonarista que se opõe ao governo Casagrande (embora o vereador, pessoalmente, seja parceiro).
Na sucessão de
Audifax Barcelos (Rede), o PP tem a pré-candidatura da dentista
Luciana Malini. Mulher do ex-vereador e ex-deputado estadual Jamir Malini, ela já foi secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres na atual gestão de Audifax e na anterior. Vicente diz que o partido manterá a candidatura, apostando na renovação política e na representatividade feminina. Mas, na avaliação do colunista, é possível que o PP acabe compondo na Serra com outro candidato, devido às chances limitadas de vitória.
Isso por causa da polarização dos últimos 12 anos entre Audifax e
Sérgio Vidigal (PDT), além da provável candidatura do deputado federal
Amaro Neto (Republicanos), campeão de votos para a Assembleia Legislativa em 2014 e para a Câmara dos Deputados em 2018.
Em todo o Espírito Santo, de acordo com Marcus Vicente, o PP pretende lançar candidato próprio a prefeito em 33 dos 78 municípios, além de 25 candidatos a vice-prefeito. Assim, quer estar em chapa majoritária em 58 cidades. Também planeja lançar chapa de vereadores em 66 municípios. O partido tem capilaridade.
Com procuração dada por Vicente, o presidente do PP em Vitória, Marcos Delmaestro, conhecido no meio político como Marquinhos, já é quem fala em nome do partido para além das divisas da Capital. Vicente já o ungiu como sucessor e está preparando o pupilo para assumir em breve a presidência regional do partido.
O ex-deputado segue a mesma estratégia que adotou para passar o bastão na presidência da Federação de Futebol do Espírito Santo: após presidir a entidade por muitos anos, foi dando cada vez mais protagonismo ao seu escolhido para sucedê-lo, Gustavo Vieira, até que Vieira assumiu oficialmente o cargo.
Atualmente um dos mais fortes representantes do Centrão no Congresso e recém-integrado ao governo Bolsonaro, o PP é um partido de direita. Curiosamente, apoiou os governos
Lula e
Dilma, do
PT, e comprometeu-se bastante no esquema do petrolão (Paulo Roberto Costa era da “cota” do partido na Petrobras).
Na genealogia dos partidos brasileiros, o PP descende em linha reta da Arena, sigla que representava o governo durante a ditadura militar e dava sustentação ao regime. Com o fim do bipartidarismo implantado pela ditadura, o Partido Democrático Social (PDS) foi o sucessor direto da Arena. Em 1993, mudou de nome para PPR, que virou PPB em 1995, depois Partido Progressista (PP) em 2003 e, desde 2017, apenas Progressistas.
Até hoje não superado, o desentendimento de Marcus Vicente com Luciano Rezende deita raízes na coligação formada em torno de Casagrande na eleição estadual de 2018.
Como reportamos aqui na época, tem a ver com a escolha da vice na chapa majoritária. Uma das pernas da coligação com candidatos a deputado federal reunia o PP, o Cidadania e outros partidos. Vicente, que tentava a reeleição nessa chapa, considerava essencial a presença de
Lenise Loureiro (Cidadania), candidata de Luciano, na mesma.
Lenise acabou sendo mesmo candidata a deputada federal (com votação modesta). Mas por um triz não se tornou candidata a vice-governadora ao lado de Casagrande, indicada pelo partido do prefeito de Vitória. Na última hora, Vicente colocou o pé na porta e não aceitou esse arranjo entre Luciano e Casagrande.