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Eleições 2020

Como está o cenário eleitoral na disputa a prefeito de Viana?

Em Viana, a eleição a prefeito nasce cheia de pré-candidatos e envolta em um grande mistério: quem será o candidato apoiado por Gilson Daniel? A resposta a essa pergunta pode até definir a eleição, pois o ungido pelo prefeito será o favorito natural

Publicado em 02 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 jul 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Gilson Daniel é prefeito de Viana e presidente da Amunes
Gilson Daniel é prefeito de Viana e presidente da Amunes Crédito: Reprodução Facebook/Gilson Daniel
Em Viana, a eleição a prefeito nasce cheia de pré-candidatos e envolta em um grande mistério: quem será o candidato agraciado com o apoio do prefeito Gilson Daniel (Podemos)? É uma pergunta cuja resposta pode até definir a eleição, antes mesmo da largada oficial, tamanho o potencial de transferência de votos hoje atribuído ao prefeito.
Para escrever esta análise, conversamos com vários agentes políticos da cidade. A visão predominante é a de que, no último dos seus oito anos sucessivos de administração, Gilson é um prefeito bem avaliado pelos moradores de Viana, o que lhe confere um “dedo de Midas”: o candidato para quem ele apontar será automaticamente o favorito e terá meio caminho andado rumo à sucessão.
Em nenhum outro município da Grande Vitória, o jogo sucessório está tão nas mãos do prefeito como está nas de Gilson na cidade de pouco menos de 80 mil habitantes (e perto de 50 mil eleitores). Na avaliação de muitos, ele só não faz seu sucessor se não souber usar esse poder. Ou seja, se escolher mal.
Ciente disso, o prefeito joga com o tempo a seu favor: ou ainda não escolheu o “felizardo”, ou, se o escolheu, não abre o nome para ninguém. Sua maior arma nesse jogo é o mistério. “Acho que nem a mulher dele sabe”, ri-se um político vianense. Questionado pela coluna, Gilson manteve o suspense.
Como pode se dar ao luxo, o prefeito deve adiar o anúncio ao máximo, até a convenção municipal do seu partido, o Podemos (ou perto dela). Assim, naturalmente, evita sujeitar o seu escolhido a desgaste e a investidas de adversários antes da hora, sem ter por quê. Até lá, ainda se permite lançar alguns balões de ensaio, que ajudam a confundir o mercado político (aliados, inclusive). Com isso pode testar vários nomes de seu grupo político, trabalhando com pesquisas para embasar a decisão a ser tomada no limite. Nesse jogo, enfim, Gilson é o dono da bola e do relógio.
E os outros jogadores, quem são? Aí é que está: não faltam candidatos a prefeito e, acima de tudo, candidatos a “candidato DO prefeito”.
Para efeito de análise, podemos dividir em dois grupos os aspirantes ao posto de Gilson. No primeiro, estão os aliados dele. No segundo, vamos agrupar os pré-candidatos não necessariamente opositores do prefeito, mas posicionados fora do seu campo de influência na cidade.

FILA DE CANDIDATOS NO PODEMOS

Dentro do próprio grupo político de Gilson, há uma fila de possíveis candidatos, a maioria deles filiados ao Podemos, por iniciativa do próprio prefeito (presidente estadual do partido).
Uma leva de exonerações publicadas no início de junho indicou quem são, nas fileiras do Podemos, os potenciais candidatos de Gilson. Num estalo só, ele desligou dos respectivos cargos o ouvidor-geral da prefeitura, João Batista Novaes, seu secretário de Governo, Wanderson Bueno, e sua secretária de Educação, Luzian Belisario. Exonerados no limite do prazo legal, os três mantêm-se, assim, aptos a disputar a eleição (a prefeito ou a vereador).
Analistas políticos de Viana acreditam mais numa candidatura dos dois primeiros, enquanto Luzian seria uma cortina de fumaça erguida por Gilson.
Ex-prefeito da cidade, Novaes é ouvidor da prefeitura desde que Gilson chegou ao cargo, em 2013, após derrotar a ex-prefeita Solange Lube no ano anterior. Em 1996, Novaes elegeu-se vice-prefeito na chapa liderada por José Luiz Balestrero, cassado pela Câmara Municipal três anos depois. Assim, governou Viana de 1999 até o ano 2000.
Por sua vez, Wanderson Bueno chegou a ser secretário municipal de Saúde na gestão de Gilson, antes de se tornar secretário de Governo. Ele é filho de Celso Bueno, ex-presidente da Câmara de Viana.
Antes do fim do prazo de desincompatibilização, o secretário municipal de Defesa Social, Ledir Porto (também filiado ao Podemos por Gilson), também chegou a ser cotado. Ele, porém, não se desligou do cargo, ao contrário dos três colegas e correligionários, ficando assim legalmente inabilitado para concorrer às eleições.

O PRESIDENTE DA CÂMARA, FÁBIO DIAS (PSB)

Também integrante fiel do bloco político de Gilson Daniel em Viana, o presidente da Câmara Municipal, Fábio Dias (PSB), apresenta-se como pré-candidato a prefeito ou, mais especificamente, como aspirante ao posto de “candidato com o selo oficial do prefeito”. Ele, inclusive, deixa claro: só concorrerá à prefeitura se for o candidato escolhido por Gilson. Se não, parte para a reeleição.
“Sou mesmo pré-candidato a prefeito. Mas sou do grupo político do prefeito há oito anos. Então, independentemente da minha vontade e da vontade do PSB, vamos ouvir muito o prefeito, porque somos do mesmo grupo político. Minha candidatura a prefeito está bem condicionada a isso [o apoio do prefeito]. Estamos buscando apoio no consenso. Não vejo possibilidade de ir para um enfrentamento a ele”, afirma Dias, presidente da Câmara há dois biênios, desde o início de 2017.
Outrora filiado ao PT, Dias chegou à Câmara pelo partido como suplente, em 2014, quando Gilson Daniel nomeou o vereador Laziomar Furlani (PT) para comandar a Secretaria Municipal de Esportes. Em 2016, ainda no PT, conseguiu reeleger-se. Na última janela para vereadores trocarem de legenda, de março para abril, ele migrou para o PSB, partido do governador Renato Casagrande.
Por sinal, no plano estadual, Podemos e PSB são aliados, o partido de Gilson integra a base do governo Casagrande, e prefeito e governador mantêm excelente relacionamento. Gilson demonstra grande lealdade a Casagrande, tendo se mantido próximo a ele entre 2015 a 2018, quando o socialista estava sem mandato.
Esse é outro fator que dá a todos uma certeza: Gilson pode optar por lançar e apoiar Fábio Dias, mas, se seguir outro caminho (lançando um candidato próprio do Podemos), o PSB na certa retira a candidatura do presidente da Câmara, até para evitar criar uma aresta desnecessária com o aliado estratégico (Gilson também é presidente da Amunes).
O próprio Fábio Dias formula um raciocínio para explicar por que o grupo liderado por Gilson não deve lançar mais de uma candidatura:
“Viana não tem 2º turno. Aqui é assim: lado a e lado b. É mais ou menos como na Serra: Fla-Flu. É como em cidades do interior: só tem dois grupos políticos. Então não vejo viabilidade de uma terceira via. Historicamente, a cidade nunca elegeu a terceira via. Essa eleição será resumida a uma candidatura da situação e uma candidatura da oposição.”

FORA DO BLOCO DO PREFEITO

Quanto a uma candidatura única representando a máquina, não há grande discussão. Mas quanto à segunda parte da tese (a de um só candidato competitivo na oposição), há controvérsias… Até porque, no momento, sobram nomes numa lista de pré-candidatos a prefeito de Viana que não necessariamente se opõem a Gilson, mas que não gravitam em torno do prefeito nem pertencem ao seu campo magnético.
Na próxima coluna, listaremos e analisaremos esses nomes que não estão sob o raio de influência do prefeito e que querem surpreender na disputa a prefeito de Viana.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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