Os capixabas Miguel Andrade e Bruno Pimentel desenvolveram a plataforma Ailum, baseada em inteligência artificial (IA), que automatiza a gestão e o relacionamento com pacientes de clínicas médicas. A proposta é auxiliar desde o primeiro contato com o cliente até a confirmação das consultas e cobranças de pagamento.
Com pouco mais de 30 dias de funcionamento — e após um ano e meio de elaboração —, eles já receberam R$ 600 mil de investidores-anjo. Esse tipo de investimento funciona como uma aposta no crescimento da empresa, já que, ao aceitarem o aporte, o valor do negócio passou a ser estimado em R$ 12 milhões no mercado.
O Ailum funciona de forma integrada ao WhatsApp, que é o principal canal de comunicação entre clínicas e pacientes. A plataforma interpreta mensagens, responde de forma contextual, sugere horários, agenda consultas e mantém o acompanhamento com pacientes ao longo do tempo. Isso reduz o tempo de resposta e organiza um fluxo que, em muitas clínicas, ainda depende exclusivamente dos funcionários da recepção.
A tecnologia também atua na organização da prática clínica. O sistema pode construir prontuários, organizar o histórico do paciente em uma linha do tempo estruturada e realizar teleconsultas. Tudo isso com registro automático das informações.
De acordo com os cofundadores, um dos diferenciais é o prontuário totalmente integrado com IA e com o atendimento. “Ele consegue operar sozinho, realmente sendo um 'copiloto' para a gestão e ainda com o serviço personalizado para cada clínica”, explica Miguel.
Segundo Bruno, em breve, a empresa terá serviços bancários realizados dentro da plataforma. Assim, as transações financeiras serão efetuadas de forma mais fácil para o paciente, garantindo a segurança e o registro de informações que ajudam na gestão de receita da clínica.
Como surgiu a ideia?
Miguel, que trabalha com marketing desde a adolescência, observou um problema no padrão que se repete no relacionamento entre clínicas privadas e clientes. As clínicas investem para atrair pacientes, mas não conseguem converter o interesse em atendimento efetivo.
A partir da experiência de Bruno, que estuda no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e já participou de projetos de desenvolvimento de sistemas em escala nacional, surgiu a ideia de usar IA para agregar valor ao Ailum.
Percebemos que não era uma dor pontual. Clínicas inteiras operam sem processo comercial estruturado, dependendo do esforço humano para dar conta de tudo. A gente entendeu que dava para organizar isso de forma mais consistente
Bruno Pimentel
Um dos fundadores da Ailum
Os sócios também esclareceram que a plataforma não é idealizada para substituir a recepção, apenas para auxiliá-la, permitindo que os funcionários da clínica foquem na qualidade do atendimento presencial.
Para Bruno e Miguel, a amizade também impulsiona o negócio. As discordâncias são comuns e até bem-vindas, já que eles vêm de áreas de trabalho diferentes, ajudando na evolução das ideias.
De acordo com o AI Index Report 2025, mais de 75% das empresas no mundo utilizam algum tipo de IA em seus processos. O caso capixaba é um dos retratos da juventude empreendedora que, naturalmente, se encontra com a inteligência artificial como uma ferramenta aplicada.
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