O governo do Espírito Santo oficializou, nesta segunda-feira (4), o ParkLog Sul Capixaba, em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, a exemplo do projeto que está sendo desenvolvido em Aracruz, na Região Norte, com o ParkLog/ES.
A nova iniciativa visa integrar e potencializar as vocações econômicas da Região Sul do Estado, que tem forte produção de rochas ornamentais, petróleo e gás e agronegócio, com destaque para o café conilon.
Essa integração passa pelo fortalecimento e conexão entre rodovia, ferrovia, portos e o Aeroporto de Cachoeiro, a partir de uma parceria entre os setores público e privado.
O projeto busca transformar ativos como o Porto de Ubu, em Anchieta; o Porto Central, em Presidente Kennedy; e o Aeroporto de Cachoeiro em um sistema logístico de alta competitividade.
Na lista ainda está a ferrovia EF-118, também conhecida como Vitória-Rio, que vai interligar Santa Leopoldina ao Rio de Janeiro, passando pela Região Sul capixaba. O leilão da estrada de ferro deve ter edital publicado nos próximos meses, segundo o governador Ricardo Ferraço.
Uma das primeiras movimentações do ParkLog Sul Capixaba deve ser a diversificação de carga no Porto de Ubu, da Samarco, que atualmente movimenta apenas pelotas de minério de ferro. Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, as conversas e estudos que estão sendo feitos visam transformar o porto numa plataforma também de contêineres e grãos, além da possibilidade de utilizar uma retroárea de 55 mil metros quadrados.
"A capacidade prevista no ParkLog é movimentar 266 milhões de toneladas ao ano, juntando o Porto Central e o Porto de Ubu. Isso é 43% maior do que o Porto de Santos, o maior da América Latina, movimentou em 2025, que foi 186 milhões de toneladas. Isso muda o jogo", destacou Salume.
O foco inicial do Porto Central, para meados de 2028, será petróleo e gás, com transbordo de carga de petróleo ship-to-ship.
A possibilidade de usar o Porto de Ubu para escoar a produção de rochas ornamentais, principalmente de Cachoeiro de Itapemirim, já havia sido citada pelo governador durante apresentação do projeto em Cachoeiro no final de abril. Cerca de 53% da produção de rochas do Estado são escoadas pelos portos do Rio de Janeiro e de Santos.
Intermodalidade
Complexo portuário: O projeto conta com duas grandes frentes: a transformação do Porto de Ubu, em Anchieta, hoje focado em minério, em um porto de cargas gerais, e o avanço das obras do Porto Central, em Presidente Kennedy, que terá foco inicial em petróleo e gás. Juntos, esses portos podem superar a capacidade do Porto de Santos em até 43%.
Malha ferroviária: O governo federal prepara o leilão da ferrovia EF-118, que conectará Anchieta a Santa Leopoldina, permitindo o escoamento de cargas vindas do Centro-Oeste brasileiro.
Infraestrutura rodoviária: A duplicação da BR 101 no trecho sul é vista como fundamental para a competitividade e mobilidade de cargas e pessoas.
Novo eixo aéreo: O Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim foi reformulado para operar com aviação executiva e cargas, visando a nacionalização de jatos executivos. Além disso, há o projeto de um novo aeroporto na região do Caxixe, em Venda Nova do Imigrante, focado no turismo.
"A região tem enormes potenciais, e esse planejamento vai permitir que tudo isso possa ser potencializado e possa ser transformado em geração de emprego, trabalho e prosperidade para as pessoas", destacou o governador.
O ParkLog Sul adota uma governança compartilhada. O decreto assinado formaliza essa estrutura, criando comitês onde o setor público e a iniciativa privada decidem juntos as diretrizes do plano de ação.
O objetivo é organizar os ativos existentes para que não compitam entre si, mas trabalhem de forma integrada para reduzir custos e atrair indústrias. A consultoria responsável pelo estudo deve apresentar o plano detalhado — incluindo o número exato de municípios envolvidos e a previsão de empregos — nos próximos dois meses.
"O destino do Espírito Santo é ser um hub logístico onde a diferença para os outros Estados será muito grande", concluiu o secretário de Desenvolvimento, Rogério Salume.