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Cultura

Cais das Artes insere o Espírito Santo no mundo

Cidades com vida cultural intensa atraem mais talentos, retêm capital humano, estimulam a economia criativa e fortalecem a sua identidade

Públicado em 

12 abr 2026 às 04:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

A inauguração do Cais das Artes, no início de abril, foi uma das melhores notícias para Vitória e para o Espírito Santo, não somente para a cultura, mas também para o desenvolvimento econômico e social do Estado, incluindo turismo, serviços e qualidade de vida. A obra durou 16 anos, foi cercada por incertezas e críticas, mas normalmente é o que ocorre com empreendimentos ousados.
A exposição inaugural, “Amazônia”, com cerca de 200 fotografias de Sebastião Salgado, já sinaliza que entramos no circuito internacional de grandes exposições e artes cênicas. A exposição já passou por cidades como Paris, Londres, Roma, Milão, Rio e São Paulo e agora está ali na Enseada do Suá, aberta ao público.
Em recente passagem pelo Espírito Santo, o artista plástico carioca José Bechara, que acaba de doar ao Estado a monumental obra "Falta", com cerca de 60 toneladas, observou que a arte tem o poder de colocar cidades no mapa, literalmente. Quem digitar a palavra "Chicago" no Google Imagens, verá que o destaque é para a obra Cloud Gate, também conhecida como The Bean, de Anish Kapoor. A obra fica no Millennium Park, bem no centro de Chicago, e virou a sua referência global no principal sistema de busca do mundo.
Em Brumadinho, Minas Gerais, o Instituto Inhotim, considerado o maior museu a céu aberto do planeta, transformou o seu entorno, fazendo surgir um novo circuito turístico com pousadas, hotéis e restaurantes, atraindo somente no ano passado mais de 350 mil visitantes de mais de 20 países.
No mundo, o caso mais conhecido talvez seja o do Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha. Inaugurado nos anos 1990, o museu transformou completamente a cidade, que antes era uma região industrial em declínio e hoje é um destino global de turismo voltado à cultura, arquitetura, gastronomia e inovação. O chamado Efeito Bilbao passou então a ser estudado como um case de como a cultura pode reposicionar economias.
Há inúmeros outros exemplos no Brasil e no mundo. O Espírito Santo tende agora a seguir esse rumo com o Cais das Artes, que finalmente decolou, representando também a importância da continuidade na gestão pública.
A obra foi concebida em 2007 pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha e começou a sair do papel em 2010. Atravessou, portanto, as gestões de Paulo Hartung e Renato Casagrande, tendo sido interrompida durante alguns anos, recebendo críticas diversas. Mas felizmente foi entregue à população, simbolizando a importância da continuidade na gestão pública, viabilizando projetos que são de Estado, não de um governo.
Abertura da exposição ''Amazônia'', do renomado fotógrafo Sebastião Salgado
Governo do Estado entrega Museu do Cais das Artes Crédito: Fernando Madeira
A gestão do Cais das Artes foi estruturada sob um modelo de parceria, para garantir uma curadoria de alto nível e uma operação com eficiência de mercado, sem perder seu caráter público. O modelo de gestão será por meio de uma organização social, formato que permite maior agilidade na contratação de espetáculos internacionais e na manutenção técnica do complexo, o que seria impraticável num modelo convencional de administração direta.
Contar com um equipamento desse padrão representa um impulso para o desenvolvimento do Estado e também para a qualidade de vida da população. Num tempo marcado pela velocidade, superficialidade e fragmentação na circulação das informações, a atenção das pessoas virou um ativo escasso, sendo alvo de uma disputa intensa pelas redes sociais e pelas telas em geral.
Foco e concentração viraram artigo de luxo. A inteligência artificial amplia o acesso à informação e democratiza o conhecimento, mas também acelera a produção e o consumo de conteúdo, muitas vezes sem o devido filtro, sem contexto e reflexão.
Cais das Artes
Cais das Artes Crédito: Vitor Jubini
Contudo, essa hiper oferta de informação não vem acompanhada da ampliação da nossa capacidade de compreensão. Pelo contrário, o que percebemos é uma crescente dispersão e dificuldade de concentração: especialistas têm alertado que o excesso de telas e o uso intenso de redes sociais estão diretamente associados ao aumento dos níveis de ansiedade, depressão, insônia e outros problemas de saúde mental.
É justamente nesse contexto que a cultura ganha um papel ainda mais relevante. Em um mundo acelerado, a arte nos convida a desacelerar. Em um ambiente superficial, ela nos conduz à reflexão e à profundidade. A arte exige tempo, contemplação, silêncio. Ela nos convida a pensar, a sentir, a refletir, num momento de reconexão com o que nos torna humanos.
Mais do que pura diversão, a arte é formação: ela forma repertório, senso crítico, sensibilidade. Funciona como base para a inovação, a criatividade e a construção de uma sociedade mais equilibrada e humana. Cidades com vida cultural intensa atraem mais talentos, retêm capital humano, estimulam a economia criativa e fortalecem a sua identidade. Empresas inovadoras buscam ambientes criativos. Pessoas qualificadas escolhem viver onde há qualidade de vida, e cultura é parte essencial disso.
O Espírito Santo, ao concluir o Cais das Artes, dá um passo importante nessa direção. Agora, o desafio é mantê-lo como um polo vivo e dinâmico, integrado à agenda cultural nacional e internacional, atraindo exposições, espetáculos e produções de alto nível, fortalecendo nossa conexão com o mundo e ampliando a qualidade de vida da população capixaba.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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