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Cultura

No Cais das Artes, a emblemática mostra de Sebastião Salgado

“Amazônia” foi o último dos trabalhos de Sebastião. Seus outros álbuns – “Outras Américas” (1986), “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Êxodos” (2000) e “Genesis” (2013), só para citar alguns deles – sempre ganharam admiração mundial

Públicado em 

03 abr 2026 às 05:01
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Foi uma bela escolha, a mostra “Amazônia” de Sebastião Salgado, para inaugurar o pavilhão de exposições do Cais das Artes, em Vitória. A mostra, com mais de 200 imagens, além de realçar a beleza do trabalho de Salgado, transmite um alerta e uma mensagem madura, consciente e correta que ressalta a urgência e a importância da preservação da maior floresta natural do planeta, ameaçada permanentemente por criminosos ambientais.
Nada melhor do que uma exposição assim, de reconhecimento mundial, para marcar a abertura de mais um dos espaços do Cais das Artes, finalmente à disposição da população após mais de 15 anos de obras. O teatro ainda está em fase de acabamento, mas a abertura do museu já é um magnífico presente aos capixabas que há muito anseiam por esse equipamento que, como disse o vocalista da banda Casaca, Renato Casanova, será “o coração da arte e da cultura capixaba”.
Cais das Artes foi projetado pelo renomado arquiteto, premiado internacionalmente, Paulo Mendes da Rocha, um capixaba que tem o seu nome reconhecido entre os profissionais mais brilhantes da sua área de atuação. Falecido em maio de 2021, infelizmente Rocha não poderá presenciar a inauguração da sua obra que tantas dificuldades enfrentou no período de construção. Foram anos de problemas, a começar pela falência da construtora vencedora da concorrência e pendências que se arrastaram por muito tempo até serem resolvidas.
Abertura da exposição ''Amazônia'', do renomado fotógrafo Sebastião Salgado
Governo do Estado entrega Museu do Cais das Artes Crédito: Fernando Madeira
É também emblemática a escolha da mostra “Amazônia” para a inauguração do Cais das Artes pelas ligações de Sebastião Salgado com o Espírito Santo. Natural de Aimorés, Minas Gerais, Sebastião se formou em Economia na Ufes e mesmo após se mudar para a Europa, sempre esteve próximo dos capixabas. Casado com Lélia, nascida em Vitória, sempre visitava o Espírito Santo. A ONG criada por Sebastião e Lélia, o Instituto Terra, em Aimorés, realiza inúmeros projetos de desenvolvimento ambiental que beneficiam comunidades capixabas situadas no Vale do Rio Doce.
A vida de Sebastião Salgado, falecido em maio do ano passado, está intimamente ligada ao Instituto Terra. No documentário “O Sal da Terra” (2014), produzido pelos cineastas Juliano, seu filho, e Wim Wenders, Sebastião conta que venceu a depressão ao testemunhar o renascimento das nascentes e das matas no Instituto Terra.
Na primeira fase de sua existência, o Instituto se dedicou à recuperação ambiental da área da antiga fazenda de gado dos pais de Salgado. Foi acompanhando o renascimento da floresta e das nascentes no Vale do Rio Doce que Sebastião readquiriu o ânimo de voltar a exercitar o seu talento como fotógrafo, após o período de descrença com a humanidade que se seguiu ao seu projeto “Êxodos” que retrata os refugiados obrigados a abandonar os seus países por causa das guerras e da fome.
“Amazônia” foi o último dos trabalhos de Sebastião. Seus outros álbuns – “Outras Américas” (1986), “Trabalhadores” (1993), “Terra” (1997), “Serra Pelada” (1999), “África” (2007), “Êxodos” (2000) e “Genesis” (2013), só para citar alguns deles – sempre ganharam admiração mundial. “Amazônia”, resultado de sete anos de trabalho de Salgado, já esteve exposto em vários países e capitais do Brasil sendo visto por mais de 1 milhão de pessoas.
É, assim, a escolha perfeita para ser exibida e admirada pelas capixabas na inauguração do nosso tão aguardado Cais das Artes.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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