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Corte no auxílio e inflação freiam vendas nos supermercados do ES

Carne, arroz e óleo de soja, que estão com preços crescentes, foram os produtos com maior redução na procura. Outubro deve fechar com queda superior a 8% nas vendas, segundo a Acaps

Publicado em 29/10/2020 às 20h33
Atualizado em 29/10/2020 às 21h20
Gôndolas de supermercado: preços altos afastaram consumidores. Crédito: Pixabay
Gôndolas de supermercado: preços altos afastaram consumidores. Crédito: Pixabay

A alta da inflação dos alimentos nos últimos meses e a redução do valor do auxílio emergencial já começam a impactar o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo. As vendas no mês de outubro devem fechar com queda superior a 8%, em média, segundo a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps).

Essa freada era, até certo ponto, previsível por causa da redução do auxílio de R$ 600 para R$ 300 desde setembro, benefício que é pago a cerca de um terço dos brasileiros. No entanto, esse movimento de queda nas vendas ganhou ainda mais força com a escalada nos preços da comida, que continua. Na Grande Vitória, a inflação dos alimentos acumula alta de 10,3% no ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em reunião realizada nesta quarta-feira (28), empresários do setor em todo o Estado relataram o movimento de queda, segundo o presidente da Acaps, João Falqueto, que explicou ainda que a maior baixa se dá justamente na venda dos alimentos que tiveram maior aumento nos preços.

João Falqueto

Presidente da Acaps

"Houve uma redução significativa, que estamos estimando que vá ficar entre 8,1% e 8,9%, em média, sobretudo nas vendas de proteína animal e também de arroz e óleo de soja. Nesta última semana, também houve retração no tomate"

De acordo com Falqueto, essa queda se iniciou em setembro, mas em menor grau. Já entre janeiro e junho, as vendas nos supermercados e atacarejos capixabas tiveram um aumento de 7,61%, fruto do maior consumo em casa causado pela pandemia do coronavírus e também pelas medidas de auxílio do governo, que injetaram bilhões de reais na economia.

"São muitos os fatores que podemos atribuir a esse movimento, mas o principal, de fato, é que muita gente estava usando o auxílio de R$ 600 na alimentação. A população de baixa renda quanto tem mais dinheiro faz compras maiores. E com a redução do auxílio e os preços se estabilizando altos, acabou tendo essa redução", avalia o presidente da Acaps.

Falqueto ainda destaca: "A elevação de preços nos últimos meses acabou indo além dos alimentos. Quem começou a fazer uma reforma em casa, por exemplo, passou a encontrar os materiais de construção mais caros. Tudo isso impacta no orçamento familiar". 

João Falqueto, presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), no Encontro de Lideranças
João Falqueto, presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps). Crédito: Carlos Alberto Silva

Diante do cenário, a tendência é que a queda no faturamento se prolongue, apesar da expectativa de um crescimento moderado das vendas de final de ano. "Em 2021, não teremos mais o auxílio e, além disso, há previsão de abertura de grandes lojas, o que vai fazer aumentar a concorrência e dividir os consumidores em um momento que já devemos sentir a falta do auxílio", diz o presidente da Acaps.

Em outubro, a prévia da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) atingiu 0,94%. O resultado é mais que o dobro da inflação registrada em setembro e a maior alta para o mês em 25 anos. A comida respondeu pela metade da inflação ao consumidor, com destaques para a carne bovina (4,83%) – item de maior peso entre os alimentos –, óleo de soja (22,34%), arroz (18,48%) e leite longa vida (4,26%).

GOVERNO DEVE ZERAR TARIFA DE IMPORTAÇÃO

Nesta quinta-feira (29), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo deve reduzir imposto de importação de produtos cujos preços subirem muito, incluindo alimentos e materiais de construção, citando por exemplo o arroz e o óleo de soja. 

"Já estamos estudando quais as tarifas de importação que vão descer. Começou a subir demais o preço do arroz? Zero tarifa de arroz. Vai começar a subir soja, óleo de soja? Zero tarifa de importação. Desde que nós reduzimos a tarifa de importação do arroz, ele (o preço) travou. Está alto, mas travou. Começa a entrar o ano novo, vem a safra do arroz de volta, e ele vai começar a ceder de novo. E tudo bem", comentou o ministro durante audiência no Congresso.

Para o ministro, os preços subiram como consequência do aumento da renda causado por medidas do governo, como o auxílio emergencial e o saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Com mais dinheiro no bolso, essas pessoas passaram a comprar mais e comer melhor, e também a fazer obras em casa.

"Eles não só estão comendo melhor como eles também estão melhorando a casa deles, comprando materiais de construção. Então, começou um boom de compra de material de construção. Houve um boom do setor, e os preços subiram. Agora, esses preços justamente vão trazer mais produção de todos esses insumos, tudo isso vai começar a entrar, e do que não entrar nós vamos derrubar a tarifa de importação", disse.

* Com informações de agências

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