Depois dos alimentos, preço da cerveja também sobe no ES

Em bares e restaurantes, a bebida já está ficando mais cara em função de reajustes repassados pelas cervejarias. Expectativa é de mais altas em breve, inclusive nos supermercados

Publicado em 11/09/2020 às 19h36
Atualizado em 11/09/2020 às 22h00
Data: 14/11/2008 - ES - Vitória - Consumo de cerveja (brinde com copos americanos com cervejas) - Editoria: Economia - Foto: Carlos Alberto Silva - Jornal A Gazeta - CULTURA - Culinária - Bebida - Alcoólica
Cerveja está entre os produtos que subiram de preço nos últimos dias. Crédito: Carlos Alberto Silva

Afogar as mágoas na cerveja para tentar esquecer da pandemia ou mesmo da alta nos preços dos alimentos não vai ser tão fácil. Isso porque a "loira gelada" também está ficando mais cara em bares e restaurantes do Espírito Santo, e as expectativas são de mais reajustes para as próximas semanas, inclusive nos supermercados. 

Depois de meses de "seca", só agora o setor de bares voltou a brindar com a reabertura dos estabelecimentos após a flexibilização das medidas de combate à Covid-19. Porém, ao mesmo tempo os empresários também passaram a ter mais custos. No Estado, segundo o presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares (Sindbares), Rodrigo Vervloet, as despesas com insumos no setor subiram cerca de 15%, e boa parte disso está relacionada à cerveja.

A bebida que faz "ficar alto", agora também vai no mesmo caminho. Um relatório do banco suíço de investimentos Credit Suisse divulgado nesta semana estima que o preço médio das cervejas no país deve ser elevado em cerca de 5% ao longo do mês de setembro pelas fabricantes Ambev, Heineken e Petrópolis. Parte desse aumento, inclusive, já está chegando.

Rodrigo Vervloet

Presidente do Sindbares

"Esse aumento já chegou [nos bares e restaurantes do Espírito Santo]. A gente lamenta isso e sempre faz um esforço de tentar absorver ao máximo para não passar para o consumidor, mas algum reajuste no preço final acaba tendo que ser repassado, até pela situação difícil que já enfrentamos neste ano"

Nos supermercados, que já vivem um cenário de aumento generalizado dos produtos da cesta básica, o preço da cerveja também sinaliza que vai começar a subir. Segundo o presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), João Falqueto, já há no Estado relatos de dificuldades como atraso na entrega e preço mais elevado nas fábricas, o que logo deve chegar às prateleiras.

"Ontem (quinta) mesmo, um associado de grande porte nos relatou que a cerveja que eles haviam comprado da Heineken para entregar em agosto não chegou e que a fábrica disse que só entregaria agora em setembro, mas cobrando já o novo preço reajustado. Isso é mais um fator novo que passa a nos preocupar agora", disse.

Segundo Falqueto, as justificativas dadas pelos fabricantes vão desde o custo maior com os insumos importados em dólar como o preço mais alto das latas de alumínio, que passaram a ter demanda maior que a oferta por causa da pandemia, uma vez que os consumidores estão optando mais pelas latinhas, mais vendidas nos supermercados, do que garrafas, que são o carro-chefe dos bares.

Outra explicação é o grande baque sofrido pelo setor na pandemia, que forçou o fechamento de bares, restaurantes e casas noturnas, derrubando também a demanda de cerveja. Logo, as fabricantes tendem a buscar recompor as perdas dos últimos meses com o reajuste dos preços, aumentando a margem de lucro.

A Heineken informou que iniciou neste mês um reajuste nas tabelas de preços para alguns de seus produtos. A fábrica é dona das marcas Heineken, Sol, Kaiser, Bavaria, Amstel, Kirin Ichiban, Schin, No Grau, Devassa, Baden Baden, Eisenbahn e Glacial.

"O reajuste de preços está relacionado à dinâmica natural do mercado brasileiro e à necessidade de compensar o impacto da valorização do dólar, uma vez que grande parte dos insumos envolvidos na produção das cervejas, incluindo, principalmente, o malte e materiais de embalagens, é importada", declarou a empresa em nota.

Sobre a queixa de atraso na entrega, a Heineken afirmou  que a distribuição de todos os seus produtos está normalizada na região do Espírito Santo e que a companhia está à disposição para atender seus clientes e parceiros por meio dos seus canais de atendimento.

Já a Ambev, dona de marcas como Brahma, Budweiser, Corona, Bohemia, Antarctica, Original, Skol e Stella Artois, informou que deve promover reajustes ao longo do semestre em diferentes regiões, mas que ainda não foram definidos percentuais.

Porém, a intenção da companhia é manter os preços de chopes e bebidas retornáveis para estimular o segmento de bares e restaurantes nessa reabertura, deixando os aumentos para os produtos mais caseiros como latinhas e long necks.

Economia Crise Econômica Cerveja Supermercados

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