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Preços dos alimentos subiram 7,5 vezes a inflação da Grande Vitória

Somente o arroz ficou 21% mais caro neste ano na Região Metropolitana do Espírito Santo, segundo dados do IPCA, divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE

Publicado em 09/09/2020 às 12h59
Atualizado em 09/09/2020 às 12h59
Um prato de arroz serve como base ou acompanhamento para diversas receitas
Preço do arroz tem incomodado os consumidores. Crédito: Pille Riin Priske/Unsplash

Os gastos com alimentação têm subido mais rapidamente que a inflação oficial. Apesar do movimento de deflação observado na Grande Vitória em agosto – o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,03% na comparação com julho –, o preço dos alimentos subiu 1,72% no mês passado. No ano, a variação desses itens já chega a 6,95% e é 7,55 vezes maior que a inflação geral acumulada de 0,92% na região, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A despesa com comida é onde o bolso sente mais,  e a elevação dos preços têm sido motivo de reclamações frequentes nas últimas semanas. O preço do arroz, por exemplo, subiu 21,66% até agosto na Grande Vitória.

Nas prateleiras dos supermercados, um pacote de 5 kg do produto, que é um dos principais itens da cesta básica, já é vendido por mais de R$ 22. O leite longa vida subiu 24,8% neste ano, e o litro já é comercializado por cerca de R$ 4,50. O óleo de soja, cujo litro tem custado, em média, R$ 5,99, subiu 24,07% no ano.

Carne de porco (12,52%), feijão preto (22,27%), farinha de trigo (24,64%), frutas (17,59%), açúcar cristal (16,12%) e queijo (16,96%) também tiveram aumento. O queijo minas no ES, aliás, já custa o preço do filé mignon em alguns supermercados, conforme demonstrou reportagem publicada no último domingo (6) em A Gazeta

Mas o principal “vilão” quando o assunto é alimentação foi, mais uma vez, o tomate, que ficou 78,77% mais caro no acumulado do ano. Somente em agosto, a variação foi de 44,47%.

A maior demanda por alimentos em domicílio, com a disponibilidade de renda das camadas mais pobres através do auxílio emergencial e força das exportações ajudam a explicar a alta do preço dos principais produtos, segundo especialistas.

De acordo com o superintendente técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Bruno Lucchi, em entrevista ao portal CNA, no caso do arroz, por exemplo, a demanda se apresentou elevada durante os meses de março e abril em função da pandemia. Porém, historicamente, esses deveriam ser os piores meses de preço em função da safra. 

"No entanto houve quebra na produção de importantes países produtores, como Índia e Tailândia, o que resultou na ampliação acentuada do preço no mercado internacional. No acumulado até agosto, o preço médio do arroz no cenário internacional se elevou em 29%"

Com relação ao preço dos laticínios, a Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes) explicou que, entre os meses de maio e setembro, o gado está na entressafra. Isso significa que a produção reduziu nesse período.

O economista Marcelo Loyola Fraga destacou que, de modo geral, a oferta não acompanhou a demanda repentina. "Apesar de muita gente ter ficado sem renda, os negócios terem caído o muito, houve liberação do auxílio emergencial e do saque emergencial do FGTS. Também há de se considerar que, diante do momento de incertezas, os recursos que antes seriam aplicados em bens duráveis foram redirecionados para despesas básicas, como alimentação. Tudo isso influencia a alta dos preços."

GASTOS COM EDUCAÇÃO RECUAM 8,6%

Se por um lado o preço dos alimentos subiu, os gastos com educação tiveram queda de 8,6% em agosto. Esse movimento tem relação com a pandemia, que levou ao fechamento das escolas e a uma redução no valor pago pelos pais devido à suspensão das aulas presenciais. Também houve redução nos gastos com habitação, que recuaram 0,11% no mês passado.

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