Queijo minas no ES já custa o preço do filé mignon nos supermercados

Nas gôndolas, o queijo minas padrão, por exemplo, chega a custar R$ 59,89 o quilo, enquanto o filé mignon bovino não passa de R$ 39,98 o quilo

Publicado em 06/09/2020 às 18h26
Atualizado em 07/09/2020 às 10h23
Queijos
Queijos estão custando mais caro que a carne nos supermercados. Crédito: Freepik

Quem foi ao supermercado na última semana provavelmente se espantou ao olhar para o preço de alguns produtos. Nas gôndolas, o queijo minas padrão, por exemplo, dependendo da marca, chega a custar R$ 59,89 o quilo. Ele está mais caro até que o filé mignon bovino, que pode ser comprado a R$ 39,98 o quilo, na embalagem a vácuo, no mesmo supermercado. Já na bandeja sai a R$ 58,90. O aumento da procura e a entressafra são alguns dos motivos que fizeram os preços dispararem.

R$ 59,89

PREÇO DO QUILO DO QUEIJO MINAS PADRÃO

De acordo com a pesquisa de preços feita pela reportagem de A Gazeta, neste domingo (6), nos sites de supermercados da Grande Vitória, no Espírito Santo, o queijo tipo minas não é o único que está com o preço lá nas alturas.

O queijo muçarela, que era comercializado há R$ 25 o quilo no início do ano, agora chega a ser vendido a R$ 46,50 o quilo. Outro da lista que disparou de preço foi o leite de vaca integral, sendo que as marcas mais populares chegam a custar R$ 4,99.

Passando agora para alista de produtos que compõem o prato do dia a dia do brasileiro, o arroz e feijão também subiram de preço. Já é possível encontrar o pacote de 5 kg de arroz tipo 1 sendo comercializado a R$ 27,90. Já o quilo de feijão preto continua com o preço lá em cima, custando até R$ 8,99.

POR QUE OS PREÇOS ESTÃO SUBINDO

Na Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) da Grande Vitória, em Cariacica, por exemplo, o preço máximo de comercialização do feijão preto era de R$ 5,22, na última quinta-feira (3). Já nos supermercados é praticamente impossível encontrar o quilo por menos de R$ 8.

De acordo com produtores, enquanto os mercados permanecem com os grãos da safra passada com um valor mais elevado, na Ceasa já chegou a nova safra com um preço mais baixo. "Os supermercados estão segurando o preço mais elevado já há meses. Daqui a alguns meses, vai ter excesso de produto no mercado e o preço vai despencar", conta um agricultor. 

De acordo com o superintendente técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Bruno Lucchi, em entrevista ao portal CNA, no caso do arroz, por exemplo, a demanda se apresentou elevada durante os meses de março e abril em função da pandemia. Porém, historicamente, esses deveriam ser os piores meses de preço em função da safra.

Bruno Lucchi

superintendente técnico da CNA

"No entanto houve quebra na produção de importantes países produtores, como Índia e Tailândia, o que resultou na ampliação acentuada do preço no mercado internacional. No acumulado até agosto, o preço médio do arroz no cenário internacional se elevou em 29%"

Com relação ao preço dos laticínios, o presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, explica que, entre os meses de maio e setembro, o gado está na entressafra. Isso significa que a produção reduziu nesse período. 

Júlio Rocha

Presidente da Faes

"Com o isolamento social, o consumo doméstico aumentou. Com a demanda mais elevada e a oferta menor de produtos, o preço acaba se elevando. Além disso, temos que destacar ainda o aumento na exportação de bovinos"

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), em média, no mês de agosto, o produtor capixaba estava recebendo R$ 1,74 pelo litro de leite. O valor é R$ 0,48 maior do que o pago no mesmo período de 2019 (R$ 1,26). Porém para o consumidor a impressão é que a diferença é bem maior, já que o litro do produto passou de menos de R$ 3 para quase R$ 5.

PREÇOS DEVEM REDUZIR

O superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, explica os preços irão se adequar assim que os efeitos sazonais de produção passarem, bem como a regularização de oferta, via novos estímulos à produção.

"Na pecuária bovina, por exemplo, a oferta de animais para abate provavelmente aumentará a partir do último trimestre do ano em função da melhoria do maior processo de intensificação e devido à melhoria das condições das pastagens", explica.

Já a produção de laticínios, que foi uma das mais afetadas pela pandemia, deve ter a produção acelerada em setembro em algumas regiões também em função do início das chuvas e melhor remuneração do produto. "Tudo isso pode sinalizar redução dos preços aos consumidores, pois teremos aumento na oferta desses produtos", afirma Bruno.

SUPERMERCADOS DIZEM QUE CULPA DA ALTA DE PREÇOS É DA INDÚSTRIA

Conforme a reportagem de A Gazeta publicada neste sábado (6) mostrou, os donos de supermercados culpam a indústria pela alta dos preços. De acordo com eles, os produtos já estão chegando aos estabelecimentos com valores elevados e, muitas vezes, em menor quantidade do que a encomendada.  

O presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), João Falqueto, explicou que, aliado a esses pontos, existe o fato de que, até pouco tempo atrás, os produtores de determinadas culturas, como o arroz, estavam desestimulados com o valor da mercadoria no país e, por isso, produziram menos do que poderiam. E, do pouco que produziram, a maioria tem sido exportada.

“As commodities nunca estiveram tão favoráveis ao produtor, principalmente o arroz, que, nos últimos anos, estava apresentando queda na produção porque os agricultores estavam indo mais para a soja, que pagava melhor. Com a pandemia, a soja, que já vinha ganhando em volume, passou a ser ainda mais demandada pelo mercado exterior e, pela alta do dólar, os produtores têm preferido exportar”, explicou Falqueto.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) chegou a comunicar à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, sobre reajustes generalizados praticados pela indústria e disse que o setor tem sofrido “forte pressão” por aumentos de preços de itens da cesta básica. O órgão alertou ainda para o risco de desequilíbrio entre a oferta e a demanda num momento de crise sanitária.

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