Aumento de preços dos alimentos é mundial, diz secretário do Tesouro

Auxílio emergencial e limitações da pandemia fizeram consumo de alimentos aumentar ao mesmo tempo que a produção global caiu e o país passou a ser um fornecedor mundial

Publicado em 10/09/2020 às 20h03
Atualizado em 11/09/2020 às 08h11
Economista Bruno Funchal, diretor de Política de Recuperação Fiscal do Ministério da Economia e ex-secretário da Fazenda do Espírito
Economista Bruno Funchal é secretário do Tesouro Nacional. Crédito: Leonardo Duarte/ Secom-ES 

O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, classificou como um "fenômeno mundial" o aumento dos preços dos alimentos que tem sido observado no país. Segundo ele, com a pandemia do novo coronavírus, a produção de comida no planeta reduziu e o Brasil passou a ser um grande fornecedor para o exterior ao mesmo tempo em que o consumo interno aumentou.

"Se a gente olha os preços dos bens de consumo e de alimentação no mundo inteiro está tendo esse aumento. Porque teve uma injeção fiscal que manteve o consumo, e também uma queda de oferta no resto do mundo. Então, por mais que o Brasil tenha mantido as ofertas do setor agropecuário, há esse impacto", disse o secretário em live realizada na noite de quarta-feira (9) pela Fucape Business School de Vitória.

Na avaliação do chefe do Tesouro, além do auxílio emergencial ter turbinado o consumo, também impactou o fato das pessoas terem reduzido os gastos com serviços durante a pandemia, o que fez sobrar mais recursos para compras. Logo, no mesmo momento em que houve choque de oferta de comida global e o país passou a exportar mais, houve uma alta na demanda no mercado interno.

Funchal, que foi secretário estadual de Fazenda do Espírito Santo, afirmou que o fenômeno é temporário e que logo será revertido. O governo, por exemplo, já decidiu zerar o imposto de importação do arroz para conter a alta dos preços do tradicional alimento dos brasileiros, que tem sido um dos vilões da alta da cesta básica.

IMPACTO NOS JUROS

O secretário de Tesouro nega, mas analistas do mercado já dão como certa que essa inflação dos alimentos afete a taxa de juros futura, provocando uma alta no próximo ano. Hoje, a Selic está no menor patamar da história. Em agosto, a inflação no país foi a maior para o mês desde 2016.

A Selic é usada pelo Banco Central como ferramenta para controlar a inflação, já que a alta ou a queda dos juros influencia o consumo das famílias e a tomada de crédito no país. Em linhas gerais, quando a inflação está alta, os juros servem para reduzir o consumo e forçar uma queda nos preços. Quando a inflação está muito baixa, o Banco Central reduz a Selic para estimular o consumo.

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