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Filha sonha com a volta de Milena, conta Douglas Gottardi

Douglas Gottardi, irmão de Milena, é a última testemunha de acusação a prestar depoimento e abriu abriu a sessão desta quinta-feira (26), no Fórum Criminal de Vitória

Tempo de leitura: 5min
Vitória
Publicado em 26/08/2021 às 14h43
Douglas Gottardi, irmão de Milena. Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi.Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi.
Douglas Gottardi, irmão de Milena. Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi.Entrevista coletiva sobre o julgamento dos acusados de matar a médica Milena Gottardi. Crédito: Vitor Jubini

Meses após a morte de Milena Gottardi, médica assassinada em setembro de 2017, suas filhas ainda sofriam com a perda da mãe. O irmão de Milena, Douglas Gottardi, relatou em seu depoimento, de forma emocionada, que foram necessários meses para que as crianças se recuperassem, mas que ainda sofrem com a perda.

Nesta quinta-feira (25), teve início o quarto dia do julgamento das seis pessoas apontadas como as responsáveis pelo assassinato da médica Milena Gottardi. O depoimento de Douglas Gottardi — um dos mais esperados — se prolongou durante toda a manhã. Ele é a última testemunha de acusação a depor. Acompanhe tudo o que está acontecendo no julgamento em tempo real.

Douglas relatou que, nos últimos meses, quando levava as filhas de Milena para a escola, a menor revelou a ele que tinha um sonho. 

Douglas Gottardi

Irmão de Milena e testemunha de acusação

"Ela me contou que sonha que a mãe volte"

Douglas relatou que a filha mais velha de Milena, que na época do crime tinha 9 anos e que hoje está com 13 anos, conhece toda a história sobre o assassinato.

“Converso com ela, não escondo nada. Nestes quatro anos o que a impacta é o medo que demonstra, o medo em relação à possibilidade de voltar a morar com o pai. Ela deixa muito claro isto. Sempre pergunta: ‘Tio, com 18 anos vou ter que ir embora da sua casa?’ Falo que não, que elas são presentes que Milena deixou.”

Ele contou também que, em momentos de discussão entre ele e a esposa, a filha mais velha de Milena fica muito preocupada. “Ela logo pergunta se vou me separar. E explico que discutir faz parte da rotina dos casais, mas que está tudo bem, que não vamos nos separar. Ela ainda se culpa de, em alguns momentos, ter ficado ao lado do pai”, afirmou.

DESESPERO NA MADRUGADA

Em meio a lágrimas, Douglas contou em seu depoimento que a situação foi muito mais complicada com a filha menor de Milena, que à época do crime tinha 2 anos e que hoje está com 5 anos e 10 meses. “Logo que foi morar com a gente, ela chorava à noite, muito, muito mesmo. Chamava a mãe quando ficava nervosa (Douglas chora)... E aquilo ficava por muitos minutos, a gente tentando fazer ela dormir e ela não aceitava.”

Douglas disse que sua mãe, Zilca Gottardi, tentava ajudar, mas ficava muito emocionada com a situação. 

Douglas Gottardi

Irmão de Milena e testemunha de acusação

"A gente não sabia o que fazer. A abraçava, colocava vídeo para acalmar, mas ela chorava e chorava"

"Nos momentos em que a campainha do apartamento tocava, ela saía correndo, achando que a mãe estava retornando do trabalho. Isso nos causava muita dor. (Douglas começa a chorar.. ) Foi uma situação muito complicada. Este processo com a pequena foi ainda mais doloroso do que com a mais velha”, relatou.

Douglas contou que a filha menor de Milena ía para a cama do casal durante a madrugada. “Entrava em nosso meio e ficava abraçada com minha esposa. (Douglas chora). Eu observava que aquele abraço era como se ela estivesse abraçando a mãe”, completou, muito emocionado.

"HILÁRIO ERA AGRESSIVO COM AS FILHAS"

Entre os réus está o ex-marido da vítima e ex-policial civil Hilário Antonio Fiorot Frasson, acusado de ser um dos mandantes do crime. Para o depoimento de Douglas Gottardi, Hilário e os demais  réus ficaram fora da sala do júri. Douglas relatou que Hilário era agressivo com as filhas, principalmente com a mais velha. 

Douglas Gottardi

Irmão de Milena e testemunha de acusação

"Hilário cuidava das meninas, coisas que os pais fazem, mas sempre muito rígido e bruto com a mais velha. Qualquer coisa que ela derrubava no chão, um suco, ele logo pegava o chinelo para bater. Era sempre muito bruto com as crianças"

Douglas disse que o comportamento agressivo de Hilário se estendia aos demais familiares de Milena. "Minha mãe falava que quando ele chegava no apartamento, parecia que chegava uma nuvem preta: as crianças mudavam. Ele é agressivo com todos."

A testemunha relatou ainda que, em sua percepção, Hilário tinha comportamentos diferentes dependendo de com quem estava. Segundo Douglas, para os amigos influentes que tinham algum cargo de poder, como delegados e juízes, Hilário fazia banquete, recebia bem, atendia da melhor forma.

Douglas Gottardi

Irmão de Milena e testemunha de acusação

"Para mim, existiam dois Hilários: um fora da casa dele, que brincava, era expansivo, com todo mundo na rua, e outro dentro de casa, onde era mal-humorado, agressivo"

JULGAMENTO

O destino dos réus será decidido por sete jurados, sendo quatro mulheres e três homens. Quem conduz o julgamento é o juiz Marcos Pereira Sanches. 

O crime aconteceu em 14 de setembro de 2017, quando a médica encerrava um plantão. Confira abaixo como seria a participação de cada um dos acusados:

RELEMBRE O CRIME

A médica oncologista pediátrica Milena Gottardi foi baleada no estacionamento do Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória, na noite de 14 de setembro de 2017, em uma suposta tentativa de assalto. Milena foi socorrida em estado gravíssimo e, após passar quase um dia internada, teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, Hilário teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessou ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de roubar a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor.

Em 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, foi preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na mesma data, o ex-marido Hilário Frasson foi preso.

O último a ser detido foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais.

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