ASSINE
 Esperidião Carlos Frasson, ex- sogro de Milena Gottardi,  foi preso acusado de ser um dos mandantes do assassinato da médica
Esperidião Carlos Frasson, ex- sogro de Milena Gottardi, foi preso acusado de ser um dos mandantes do assassinato da médica . Crédito: Polícia Civil /Arte Geraldo Neto

'Ele me fez refém dentro de casa', disse Milena ao sogro; ouça áudio

Gravação foi feita na casa da médica, quando sogros foram ao local tentar reverter a separação dela com Hilário.  Em outro áudio, feito um mês após o afastamento do casal, médica se mostra feliz com a separação

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 25/08/2021 às 10h01

Em um áudio gravado meses antes de ser assassinada, a médica Milena Gottardi revelou a seus sogros as dificuldades que estava encontrando para se separar de Hilário Frasson. Relatou sobre as ameaças, as perseguições e até que precisou se disfarçar para ir se encontrar com um advogado.

“Ele me fez refém, refém dentro de casa. Então, como que eu fico do lado de uma pessoa que eu não confio?”, disse a médica a Esperidião Frasson.  Ele, e o filho Hilário, estão entre os seis apontados como responsáveis pelo crime. A gravação foi divulgada por familiares em 2017, logo após o crime.

Segundo um parente da vítima, o áudio foi gravado por Milena em seu apartamento, no mês de abril. Na ocasião, ela tinha se separado de Hilário e os sogros foram pedir para que ela mudasse de ideia. “Eles chegaram com Hilário ao apartamento, sem avisar, por volta das 6 horas. Milena estava saindo para ir ao trabalho”, afirmou.

Na gravação Milena falou sobre as perseguições e o que teve que fazer para conseguir contratar um advogado: “Sabe o que eu fiz para conseguir um advogado? Me disfarcei e tive que entrar no hospital para trocar de roupa porque eu sabia que tinha alguém me vigiando.” Ouça abaixo:

Milena Gottardi revela a sogros o medo que tinha do ex-marido

OUTRA GRAVAÇÃO MOSTRA MILENA FELIZ COM A SEPARAÇÃO

Um mês após a separação, em uma outra gravação de um aplicativo de conversa, Milena Gottardi relatou a uma amiga que estava aliviada após se separar de Hilário Frasson. Em um trecho ela conta que já conseguia perceber o quanto o relacionamento com o ex-marido estava fazendo mal a ela. "Estava me privando, eu estava mudando, eu não era mais aquela Milena que eu sempre fui, como que é bom a gente gostar da gente".

Confidenciou ainda para a amiga que, mesmo com todas as dificuldades que estava enfrentando em relação às filhas pequenas, a separação foi o melhor caminho. "Eu olho o olhinho da X (filha) e ela está super resolvida, conversa de boa sobre a separação, eu vejo que eu tomei a melhor decisão, eu estou gostando de mim. Está difícil, às vezes acho que não vou conseguir, mas estou gostando muito de mim e estou me sentindo mais leve." Ouça o áudio enviado para a amiga:

Em áudio, médica revelou à amiga que estava bem após separação

CRIME E JULGAMENTO

Seis pessoas foram apontadas como as responsáveis pelo assassinato da médica, entre elas o ex-marido de Milena, Hilário Frasson, hoje um ex-policial civil. Todos vão ser julgados na próxima segunda-feira (23), no Fórum Criminal de Vitória, a partir das 9 horas.

A EXPECTATIVA DO ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO

O advogado Renan Sales, que atua como assistente de acusação, representando a família da vítima, assinala não haver dúvidas sobre a participação dos seis réus no crime. "Pelas provas produzidas durante toda a persecução penal, não há dúvidas de que os seis réus são, de fato, os responsáveis pelo feminicídio que vitimou a médica Milena Gottardi"

Observa ainda que a condenação trará um pouco de alento para família de Milena. “Servirá como medida pedagógica para desestimular outros crimes contra mulher, além de fazer justiça no caso concreto”.

Em relação ao julgamento, diz estar confiante na atuação dos jurados. “O Tribunal Popular do Júri de Vitória, por seus sete jurados, condenará todos, mesmo com todas as tentativas dos réus em levar esse julgamento para outra comarca”, diz, lembrando que a defesa dos réus tentou transferir o julgamento para outras comarcas do estado.

MPES: “PROVA ROBUSTA E COERENTE PARA CONDENAÇÃO”

A expectativa do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) é de que será feita Justiça no júri popular dos seis acusados pelo assassinato da médica. “A sociedade de Vitória foi muito afetada com a morte de uma pessoa tão boa. Neste julgamento vai ser demonstrado a concretização do mal que foi praticado”, assinala o promotor Leonardo Augusto de Andrade Cezar dos Santos, um dos três que acompanham o caso.

Ele recorda que Milena era pediatra oncologista e que, com ela, morreu a esperança de várias famílias de crianças com câncer por ela tratadas. “É um impacto para além da família da vítima. A maldade que consta nos autos é de desacreditar qualquer pessoa, pelo menosprezo com a vida humana. A prova contra os réus está robusta e coerente para uma condenação e o MPES está confiante”, assinala.

Caso Milena Gottardi
Equipamentos médicos de Milena Gottardi guardados pela família. Crédito: Acervo da família

DEFESA DOS RÉUS

O advogado Leonardo Gagno, que realiza a defesa de Hilário Frasson, informou que apesar das graves acusações e da complexidade do processo está confiante que a Justiça será realizada. “Durante o júri, a defesa terá a oportunidade de apresentar provas importantes, aclarar os fatos e demonstrar que a imagem do Hilário foi distorcida pela acusação.”

Leonardo da Rocha de Souza, que faz as defesas de Dionathas e Bruno, informou que fará uma última visita aos réus na próxima sexta-feira (20). “Será para uma conversa e orientação aos dois”, explicou.

Rocha relatou que, em relação a Bruno, a expectativa será a sua absolvição. “Será o nosso grande desafio. Ele está muito angustiado e espero provar a sua inocência e que a Justiça seja feita em relação a ele”, destacou.

Já Dionathas, réu confesso, quer prestar os esclarecimentos. “Espero que ele tenha tranquilidade para esclarecer todos os fatos”, pontuou Rocha.

Alexandre Lyra Trancoso, que realiza a defesa de Valcir, assinalou que ele não participou do crime. “Queremos reverter a situação. Entendemos que ele não atuou como intermediário do crime.”

Os advogados Davi Pascoal Miranda e David Marlon Oliveira Passos, que fazem as defesas de Esperidião e Hermenegildo, respectivamente, não foram localizados. Assim que a reportagem conseguir o contato, esta matéria será atualizada com as informações deles.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.