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Cenas do crime de Milena Gottardi
Cenas do crime de Milena Gottardi. Crédito: Acervo pessoal/Arte Geraldo Neto

Milena Gottardi: Começa hoje julgamento dos 6 acusados por morte de médica

Confira as principais informações sobre o crime, as investigações, e as provas, como vídeos e áudios da vítima, além de entrevista com familiares e com o executor da médica

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/08/2021 às 02h02

A partir das 9 horas desta segunda-feira (23), começam a ser julgadas as seis pessoas apontadas como as responsáveis pelo assassinato da médica Milena Gottardi. Dentre elas está o ex-marido da vítima e ex-policial civil Hilário Antonio Fiorot Frasson.  O crime aconteceu em 14 de setembro de 2017, quando a médica encerrava um plantão. A previsão inicial do Tribunal de Justiça é de que o julgamento prossiga até a próxima sexta-feira (27). Confira abaixo como seria a participação de cada um dos acusados:

ENTERRO E INVESTIGAÇÕES

Milena foi socorrida em estado gravíssimo e, após passar quase um dia internada, a médica teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro. As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, Hilário teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu. Emocionados, parentes e amigos se despediram e prestaram homenagens à médica.

Data: 16/09/2017 - ES - Fundão - Velório e enterro da médica Milena Gottardi Tonini Frasson, 38 anos, baleada na cabeça dentro do estacionamento do Hucam - Editoria: Cidades - Foto: Carlos Alberto Silva - GZ
Velório e enterro da médica Milena Gottardi Tonini Frasson, 38 anos. Crédito: Carlos Alberto Silva

AS PRISÕES DOS ACUSADOS

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessa ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de roubar a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor.

Sítio onde foi deixada a moto usada no assassinato da médica Milena Gottardi

Às 5h de 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, é preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na tarde daquela mesma data, o ex-marido Hilário Frasson, é preso. Dias antes, quando fez a liberação do corpo de Milena, Hilário teve a arma e o celular apreendidos pela polícia.

O último a ser preso foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais. Dias depois foi feita a reconstituição do crime. Veja vídeo:

Vídeo de reconstituição mostra passo a passo do crime contra médica

JUSTIÇA ACEITA A DENÚNCIA CONTRA SEIS ACUSADOS

Em 18 de outubro de 2017, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou os seis detidos pelo crime. Dentre eles estavam dois familiares: o ex-marido e o sogro da vítima. Nas provas levantadas pelas investigações havia um vídeo com os últimos momentos da médica:

Vídeo mostra últimos momentos da médica Milena antes de ser baleada

No dia 27 de outubro de 2017, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apresentou denúncia contra os acusados, aceita pela Justiça estadual em  1º de novembro de 2017.

Seis pessoas vão sentar no banco dos réus a partir das 9 horas desta segunda-feira (23), no Fórum Criminal de Vitória. Em decorrência do elevado número de réus, a expectativa é de que o julgamento dure sete dias. O acesso ao público e a realização de fotos e filmagens não serão permitidos. 

CARTA DEIXADA POR MÉDICA

Logo após o crime, familiares de Milena encontraram em sua casa uma carta, na qual ela relatava os motivos da separação, suas angústias e o medo de ser morta. Pedia que, se algo acontecesse com ela, que o irmão, Douglas Gottardi, cuidasse das filhas, o que foi aceito pela Justiça.

Carta deixada por  Milena Gottardi

Documento foi encontrado por familiares

ÁUDIOS DE DESESPERO E ALÍVIO

Áudios obtidos por familiares revelaram dois momentos da médica assassinada. O primeiro deles é a gravação de uma discussão entre Milena e os pais de Hilário durante a qual ela revela seus temores. “Ele me fez refém dentro de casa”, contou a médica. Confira:

Milena Gottardi revela a sogros o medo que tinha do ex-marido

Em outra gravação, enviada a uma amiga por um aplicativo de mensagens, a médica revela “alívio” e que “estava bem” após a separação de Hilário. Confira:

Em áudio, médica revelou à amiga que estava bem após separação

FAMÍLIA TEM MEDO E ESPERA POR JUSTIÇA

Os familiares de Milena Gottardi aguardam com expectativa o julgamento e a condenação dos seis acusados pelo crime. O irmão Douglas e a mãe Zilca Gottardi relatam que vivem com medo dos acusados serem soltos e esperam que a Justiça seja feita para terem paz. A mãe desabafa: “Eles têm o castigo deles, mas a minha menina não volta mais."

EXECUTOR PEDE PERDÃO AOS FAMILIARES

Dois anos após o crime, o executor da médica, em entrevista para A Gazeta, diz que se arrependeu de ter cometido o crime. Dionathas Alves Vieira, é o único dos seis réus que admitiu ter participação no crime. Ele acredita que deve um pedido de perdão não só para a família, mas para toda a sociedade capixaba. Veja vídeo:

ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO: PENAS ALTAS PARA OS RÉUS

O advogado Renan Sales, que atua no processo como assistente de acusação, representando a família da vítima, destaca que não há dúvidas sobre a condenação dos réus. “Por toda a prova produzida durante o processo, não há dúvida de que os seis réus são os responsáveis pelo feminicídio que vitimou a médica Milena Gottardi”, assinala. Confira o vídeo:

Assistente de acusação, Renan Sales não há dúvidas sobre a condenação dos assassinos de Milena Gottardi

NOVA PROVA ANEXADA AO PROCESSO

Uma nova prova foi anexada ao processo nessa segunda-feira (16). Trata-se de e-mail que o advogado Leonardo Gagno, que faz a defesa do ex-marido Hilário Frasson, afirma que foi escrito por Milena e localizado no computador de Hilário.

No texto do e-mail, Milena Gottardi relata estar “confusa”, “que precisava de um tempo para pensar”, que “foi incentivada por algumas pessoas” a recorrer a uma medida judicial contra ele e que sua “consciência pesou” diante de sua “postura precipitada”. O elogia pelos cuidados com as filhas e conclui a mensagem: “eu ainda te amo”. Veja o documento:

E-mail de Milena Gottardi para Hilário

Documento apresentado pelo advogado do ex-marido

Leonardo Gagno aponta que há uma sincronia entre as duas provas: a carta que Milena registrou e o e-mail que Hilário recebeu. “Uma sincronia que confirma o ato de arrependimento de Milena”. Veja a explicação do advogado:

MPES: ‘CONCRETIZAÇÃO DO MAL”

Para os três promotores de Justiça que atuam no julgamento dos seis apontados como os responsáveis pelo assassinato da médica Milena Gottardi, morta em setembro de 2017, este é o crime em que é possível “enxergar a concretização do mal".

DEFESA DOS RÉUS

O advogado Leonardo Gagno, que realiza a defesa de Hilário Frasson, informa que apesar das graves acusações e da complexidade do processo está confiante que a Justiça será realizada. “Durante o júri, a defesa terá a oportunidade de apresentar provas importantes, aclarar os fatos e demonstrar que a imagem do Hilário foi distorcida pela acusação.”

Leonardo da Rocha de Souza, que faz as defesas de Dionathas e Bruno, fez uma última visita aos réus nesta sexta-feira (20) para conversa e orientação.

Rocha relata que, em relação a Bruno, a expectativa será a sua absolvição. “Será o nosso grande desafio. Ele está muito angustiado e espero provar a sua inocência e que a Justiça seja feita em relação a ele”, destacou.

Já Dionathas, réu confesso, quer prestar os esclarecimentos. “Espero que ele tenha tranquilidade para esclarecer todos os fatos”, pontuou Rocha.

Alexandre Lyra Trancoso, que realiza a defesa de Valcir, assinala que ele não participou do crime. “Queremos reverter a situação. Entendemos que ele não atuou como intermediário do crime."

Os advogados Davi Pascoal Miranda e David Marlon Oliveira Passos, que fazem as defesas de Esperidião e Hermenegildo, respectivamente, não foram localizados. Assim que a reportagem conseguir o contato, esta matéria será atualizada com as informações deles.

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