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Trabalhadores rurais de Alfredo Chaves se unem para reconstruir pontes

Eles alegam que estão fazendo esse serviço antes da ajuda do governo por necessidade, pois localidades estão isoladas

Publicado em 23/01/2020 às 13h10
Trabalhadores reconstroem ponte que caiu por causa das chuvas em Alfredo Chaves. Crédito: Raquel Carvalho/VC no ES1
Trabalhadores reconstroem ponte que caiu por causa das chuvas em Alfredo Chaves. Crédito: Raquel Carvalho/VC no ES1

Trabalhadores rurais de Alfredo Chaves, um dos municípios mais prejudicados pelas chuvas no Espírito Santo, estão reconstruindo pontes em comunidades no interior. Eles alegam que estão fazendo esse serviço antes da ajuda do governo por necessidade, pois localidades estão isoladas. Segundo a Defesa Civil, 17 pontes foram danificadas ou destruídas na cidade após o nível de córregos e rio subir.

Reunidos em mutirão, os trabalhadores já reconstruíram três pontes na comunidade de Quarto Território e mais uma está sendo reerguida nesta quinta-feira (23).

Ponte foi reconstruída no interior de Alfredo Chaves. Crédito: Raquel Carvalho/VC no ES1
Ponte foi reconstruída no interior de Alfredo Chaves. Crédito: Raquel Carvalho/VC no ES1

As comunidades rurais do município estão sendo bastante prejudicadas também pelas consequência da chuva da última sexta. Sem as pontes, o escoamento de produtos agrícolas foi afetado: muitos perderam o que tinham nas plantações, mas outros, que conseguiram fazer colheita, estão com dificuldades para escoar a produção.

Alfredo Chaves é um município que é grande produtor de banana. Nesta quarta-feira (22), em um vídeo enviado pelo aplicativo da TV Gazeta, um morador registrou produtores rurais carregando caixas de banana nos próprios braços atravessando um rio, porque a ponte já não existia mais.

PREJUÍZOS NA ZONA RURAL

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, disse que houve perda na produção rural no Sul do Estado em decorrência das chuvas, mas ainda não é possível dimensionar o prejuízo no campo porque comunidades continuam isoladas.

"Essas cidades que foram muito atingidas tem sua maior parte da população na área rural, então essas pessoas do interior precisam de um olhar especial. Os produtores têm feito os transbordo da produção nas margens de rios, muitas vezes carregando caixas nas costas, com cordas, porque pontes caíram e eles estão sem acesso do meio rural para o urbano", disse.

Plantação de café foi dividida pela erosão provocada pelas chuvas em Vargem Alta. Crédito:  Divulgação/Notaer
Plantação de café foi dividida pela erosão provocada pelas chuvas em Vargem Alta. Crédito: Divulgação/Notaer

Júlio explicou que as lavouras que foram implantadas em terras planas foram bastante prejudicadas nos municípios mais afetados.

"Não vai ser o suficiente para gerar um desabastecimento de produtos no Estado, mas com certeza vai prejudicar. O preço dos produtos pode ser afetado também", disse.

COMUNIDADES ISOLADAS

Seis dias após a chuva, o cenário das cidades mais atingidas ainda é de destruição e muito trabalho pela frente. Ruas, casas e lojas foram tomadas pela lama após a passagem de uma enxurrada.

Pelo menos 22 comunidades continuam isoladas nas cidades mais afetadas. Bombeiros têm organizado missões para levar comida, água e medicamentos a essas localidades.

Em Vargem Alta, 15 pontes caíram e seis comunidades estão isoladas, sendo que outras cinco estão com acesso dificultado. Em Alfredo Chaves, 15 localidades continuam isoladas e uma represa corre risco de rompimento.

Em Iconha, ainda há uma comunidade considerada isolada. No interior da cidade, o cenário é de devastação, com pontes improvisadas, muita lama e ruas e casas destruídas.

ICONHA - 22/01/2020: Bombeiros chegam a casa em comunidade isolada de Iconha. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta
ICONHA - 22/01/2020: Bombeiros chegam a casa em comunidade isolada de Iconha. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta

ALERTA DE MAIS CHUVAS E CICLONE

O Espírito Santo recebeu um sinal de alerta máximo para tempestades, que deverão se estender até a sexta (25). O temporal deverá atingir principalmente as cidades do Sul do Espírito Santo e a Grande Vitória. Esta é a primeira vez que o Estado recebe esse tipo de alerta.

"A previsão é de chuvas intensas, bastante fortes, altos acumulados de precipitação para o estado do Espírito Santo a partir de amanhã até sexta-feira. Ventos muitos fortes no litoral capixaba formam um sistema tipo um ciclone tropical, que traz as nuvens do oceano para dentro da cidade", explicou Carlos Wagner.

De acordo com o meteorologista Hugo Ramos, esse ciclone vai potencializar as chuvas que já estavam previstas.

“De acordo com as simulações atmosféricas, o ciclone deve se formar mais para a noite de amanhã (23). E o papel dele vai se potencializar as chuvas que já vão ocorrer no estado. Já temos a presença de um canal de umidade que vai causar aumento na intensidade das chuvas, ele [ciclone] vai ajudar a organizar toda essa umidade sobre o Espírito Santo e vai manter o tempo chuvoso”, completou Ramos.

Ainda segundo o meteorologista, capixabas de todas as regiões devem se preparar para chuvas fortes. “Em razão do aumento da umidade, que vai vir do leste de Minas Gerais, vai provocar chuvas em todas as regiões do Espírito Santo. Por isso que a gente mantém o aviso para todo o estado. E essa umidade toda vai se organizar no centro do ciclone, onde vai ter uma condição de instabilidade muito maior”, explicou.

Com informações do G1 ES

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