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Quem são os possíveis candidatos à Presidência da República em 2022

Ciro Gomes, Moro, Bolsonaro, Lula, Doria, Simone Tebet e outros. A lista é grande, mas nem todos vão se viabilizar. Confira a lista de quem já se apresenta como pré-candidato

Tempo de leitura: 7min
Vitória
Publicado em 05/03/2021 às 19h28
Atualizado em 09/03/2021 às 09h34
Ciro Gomes, João Doria, Sergio Moro, Jair Bolsonaro, Lula e Simone Tebet estão entre os pré-candidatos à Presidência da República em 2022. Crédito: Montagem A Gazeta
Ciro Gomes, João Doria, Sergio Moro, Jair Bolsonaro, Lula e Simone Tebet estão entre os pré-candidatos à Presidência da República em 2022. Crédito: Montagem A Gazeta

Atualização

29 de Dezembro de 2021 às 17:59

Uma versão anterior deste texto, publicado em março de 2021, listava possíveis candidatos à Presidência da República, mas que não se viabilizaram. É o caso de Luciano Huck, Luiza Trajano, Eduardo Leite (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM). Desde então, outros nomes surgiram na disputa, como o do ex-presidente Lula (PT) e a senadora Simone Tebet (MDB). Para manter a relevância do conteúdo, a reportagem foi atualizada.

Desde o início de 2021, possíveis nomes para concorrer à Presidência da República circulam no mercado político. Até mesmo o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que teve a pré-candidatura confirmada pelo próprio partido, o PSB, chegou a fazer parte desta lista extensa.

Até agosto de 2022, prazo para que as candidaturas sejam registradas pelos partidos, muitos nomes vão ser lançados. Isto não quer dizer que eles vão estar nas urnas.

Alguns pré-candidatos vão fazer alianças, outros estão ali para ganhar visibilidade, e há ainda os que são lançados como "balão de ensaio" para analisar a aceitação e o apoio no mercado político e da população. Dependendo do resultado, eles acabam seguindo no jogo, trabalhando para ganhar musculatura, ou se retirando antes mesmo da disputa.

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"É como se fosse um jogo de xadrez, com peças e diferentes funções. Os partidos vão colocando no tabuleiro e vendo como essas peças se movem. Nesse jogo, muitos nomes devem sair e outros surgir", analisa o cientista político Paulo Baía. 

Confira, em ordem alfabética, alguns nomes cotados como possíveis candidatos à Presidência da República:

ALESSANDRO VIEIRA (CIDADANIA)

Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
O senador Alessandro Vieira (SE) é pré-candidato pelo Cidadania. Crédito: Pedro França/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (Cidadania) ganhou projeção durante a CPI da Covid no Senado. Apesar de não ser titular da Comissão, se fez presente em diversas sessões, fazendo críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL). A pré-candidatura do parlamentar ao Palácio do Planalto foi lançada  pelo Cidadania.

Alessandro Vieira está no primeiro mandato na política. Ele foi eleito senador em 2018 pelo Sergipe. 

CIRO GOMES (PDT)

Ciro Gomes, ex-governador do Ceará
Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, é a opção do PDT para concorrer à presidência mais uma vez. Crédito: Reprodução/Redes sociais

Terceiro colocado nas eleições de 2018, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) se apresenta como uma opção de centro e faz críticas tanto a uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) quanto a tentativa de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ciro vem tentando atrair o apoio de siglas de centro-esquerda e centro-direita para 2022. A construção de uma frente, contudo, pode não ser viabilizada, já que outros partidos como o Podemos, PSD e MDB analisam lançar candidatos próprios.

FELIPE D'ÁVILA (NOVO)

Cientista político Luiz Felipe D'ávila teve a pré-candidatura lançada pelo partido Novo. Crédito: Divulgação/Partido Novo
Cientista político Luiz Felipe D'ávila teve a pré-candidatura lançada pelo partido Novo. Crédito: Divulgação/Partido Novo

No início de novembro, o partido Novo lançou a pré-candidatura à Presidência do cientista político Luiz Felipe D'ávila.  D'ávila já foi filiado ao PSDB e coordenou o programa de governo de Geraldo Alckmin em 2018, mas é desconhecido por grande parte da população.

Em 2021, o partido Novo passou por conflitos internos devido a uma parcela do grupo, liderada por João Amôedo (candidato à Presidência em 2018), se declarar favorável ao impeachment de Jair Bolsonaro (PL). Parte dos integrantes ainda apoia o presidente.

JAIR BOLSONARO (PL)

O presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento do programa Adote um Parque, no Palácio do Planalto.
O presidente Jair Bolsonaro deve tentar a reeleição em 2022. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), já disse que não sabe se vai tentar a reeleição e até ameaçou não haver eleições em 2022, mas as movimentações dele têm mostrado que ele está, mais do que nunca, interessado na corrida eleitoral. 

Apesar das críticas à gestão na pandemia e ver a popularidade em queda, Bolsonaro ainda desfruta de aprovação e tem uma base de eleitores fiéis que dificilmente vão abandoná-lo nas eleições. Entre cientistas políticos, é unânime que o presidente se coloca como um candidato forte, já que tem a máquina nas mãos.

Bolsonaro foi eleito pelo PSL em 2018, mas saiu do partido no final de 2019 com o objetivo de criar o próprio partido, a Aliança pelo Brasil. O projeto não saiu do papel e o presidente ficou sem legenda até novembro de 2021, quando se filiou ao PL.

JOÃO DORIA (PSDB)

João Dória discursa no Centro de Convenções de Vitória
João Doria discursa no Centro de Convenções de Vitória em busca do apoios de tucanos locais. Crédito: Ricardo Medeiros

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tornou-se um grande crítico do presidente Jair Bolsonaro após a eleição em 2018. Os conflitos se intensificaram durante a pandemia de Covid-19 e Doria pode ser considerado o principal desafeto do chefe do Executivo federal.  

O governador de São Paulo ganhou visibilidade e aumentou o capital político com a vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac. Doria se coloca como opção de uma frente de centro-direita para as eleições de 2022, tentando atrair inclusive o apoio de partidos como o DEM. 

Em novembro, ele venceu as prévias do PSDB para concorrer à Presidência da República pelo partido. Ele bateu o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto, que disputavam a preferência da legenda.

LULA (PT)

Ex-presidente Lula
Ex-presidente Lula, aos 75 anos, pode disputar novamente a Presidência da República. Crédito: Edilson Junior/Instituto Lula

O ex-presidente Lula (PT) estava impedido de disputar eleições, barrado pela Lei da Ficha Limpa, por ter sido condenado em segunda instância por crimes investigados na Operação Lava Jato. Mas em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações do petista. Assim, Lula ficou livre para disputar eleições, inclusive a de 2022.

Desde então, o ex-presidente tem percorrido o Brasil, e até mesmo a Europa para visitar chefes de Estado. A agenda do petista também inclui eventos políticos para discutir projetos de governo. Recentemente, Lula se encontrou com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin em um jantar. O ex-tucano é apontado como possível vice da chapa do petista em 2022.

Nas pesquisas de intenção de voto, Lula aparece em primeiro lugar. À revista francesa Paris Match, Lula já admitiu que vai concorrer contra Bolsonaro nas próximas eleições. 

RODRIGO PACHECO (PSD)

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se filiou ao PSD em outubro de 2021. Na ocasião, o presidente do partido, Gilberto Kassab, já falava em Pacheco como pré-candidato em 2022. A pré-candidatura dele, contudo, ainda não foi lançada. 

SERGIO MORO (PODEMOS)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Moro ganhou projeção após sair do governo Bolsonaro. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Desde que saiu do governo, brigado com o presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro é cotado para 2022. Com uma imagem associada ao combate à corrupção, o nome dele se tornou popular e agrada parte do eleitorado.

Por um tempo, Moro ficou afastado do debate, principalmente após as derrotas que a Lava Jato sofreu no Supremo Tribunal Federal (STF), e passou a advogar na iniciativa privada. Mas em novembro, o ex-juiz se filiou ao Podemos em uma cerimônia que o anunciou como "futuro presidente da República". 

Moro aparece nas pesquisas como terceiro colocado, atrás de Lula e Bolsonaro, respectivamente. Ele tem se reunido com atores políticos e econômicos para traçar um plano de governo. 

SIMONE TEBET (MDB)

A presidente da CCJ, senadora Simone Tebet, durante a reunião deliberativa para análise da PEC 6/2019, que modifica o sistema de Previdência Social.
A senadora Simone Tebet teve a pré-candidatura à presidência lançada pelo MDB. Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A senadora Simone Tebet (MDB) ganhou visibilidade durante a CPI da Covid no Senado. Ela não fazia parte dos membros titulares, mas participou das sessões como integrante da bancada feminina. 

Tebet foi a primeira mulher a comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais disputadas no Senado, e concorreu à presidência da Casa em 2021. Em dezembro, o MDB lançou a pré-candidatura da senadora à Presidência da República.

"POUCOS NOMES VÃO SE VIABILIZAR"

Apesar da extensa lista de pré-candidatos à presidência em 2022 – muitos outros ainda devem surgir – o cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco, Antônio Lucena,  acredita que "poucos nomes vão se viabilizar". De acordo com ele, a consolidação de um candidato depende, sobretudo, da rede de apoio que ele consegue construir ao longo do tempo.

“Se durante esse período pré-eleitoral ele tiver apoio e conseguir ganhar musculatura, há uma tendência de permanecer naquele cenário e dispute, de fato, a eleição.  Mas no cenário que temos hoje, com tantos nomes em tantas frentes, muitas articulações ainda vão ser feitas. O único que eu apontaria como certo nas eleições é o do próprio presidente", sustenta. 

Alguns nomes, inclusive, que anteriormente eram cotados como pré-candidatos, não vingaram. Foi o caso do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM).

O médico ganhou visibilidade durante o período em que atuou no combate à pandemia de Covid-19 e, após sair do governo, se colocou como crítico à gestão de Bolsonaro. O DEM cogitou lançar a candidatura do ex-ministro em 2022, mas com a fusão com o PSL para formar o União Brasil, essa possibilidade tem se tornado cada vez mais remota.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, também chegou a demonstrar interesse em concorrer ao Palácio do Planalto. Contudo, as intenções de Leite foram barradas dentro do próprio partido, após ele perder as prévias do PSDB para o governador de São Paulo, João Doria. 

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) era uma opção para voltar às urnas em 2022. Ele foi apontado como pré-candidato do partido. Mas isso foi antes de as condenações do ex-presidente Lula serem anuladas. Agora, Haddad pode vir a disputar o governo de São Paulo ou o Senado. A candidatura depende de articulações nacionais.

Quem também esteve na lista para concorrer à presidência é o apresentador Luciano Huck. Desde 2018, o nome dele era especulado para disputar as eleições. Huck não é filiado a nenhum partido e chegou a dialogar com algumas legendas, entre elas o DEM e o Cidadania – esta chegou até a fazer convite de filiação ao apresentador. 

A candidatura de Huck, contudo, demandaria abrir mão de uma trajetória de sucesso na TV para se arriscar em um campo desconhecido. O que ele decidiu não fazer ao renovar o contrato com a Globo e acertar um contrato milionário para apresentar o programa aos domingos, no lugar de Faustão. 

A dona do Magazine Luiza, Luiza Trajano, também foi assediada por líderes partidários para disputar as eleições em 2022. Pelo menos três legendas tentaram convencê-la a ser candidata ou vice em uma chapa.  Luiza, contudo, nega que vai concorrer a qualquer cargo em 2022.

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