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Quem são os possíveis candidatos à Presidência da República em 2022

Bolsonaro, Moro, Doria, Luiza Trajano, Mandetta, Casagrande e outros. A lista é grande, mas nem todos vão se viabilizar e ainda tem o fator Lula. Confira

Vitória
Publicado em 05/03/2021 às 19h28
Atualizado em 22/08/2021 às 15h38
Nomes podem não se consolidar
Fernando Haddad, João Doria, Mandetta, Ciro Gomes, Luciano Huck e o presidente Jair Bolsonaro compõem a lista de pré-candidatos para as eleições em 2022 . Crédito: Montagem A Gazeta

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), foi confirmado pelo PSB, no dia 03 de março, como pré-candidato a presidente da República em 2022. O socialista passa a compor uma lista extensa de nomes ventilados para disputar as próximas eleições presidenciais, mas que não necessariamente vão estar presentes nas urnas. E uma reviravolta, no dia 08, torna o cenário ainda mais incerto: o ex-presidente Lula (PT) teve as condenações na Lava Jato anuladas, deixando-o livre para disputar o pleito.

Neste período, muitos pré-candidatos acabam sendo usados como uma espécie de "balão de ensaio" dos partidos, ou seja, são lançados para analisar a aceitação e o apoio no mercado político e da população. Dependendo do resultado, eles acabam seguindo no jogo, trabalhando para ganhar musculatura, ou se retirando antes mesmo da disputa.

"É como se fosse um jogo de xadrez, com peças e diferentes funções. Os partidos vão colocando no tabuleiro e vendo como essas peças se movem. Alguns nomes estão ali para ganhar projeção e depois serem retirados. Os que têm uma boa aceitação permanecem para construir uma rede de apoio. Nesse jogo, muitos nomes ainda devem surgir", analisa o cientista político Paulo Baía. 

É comum também que o mesmo partido teste mais de um nome. O próprio PSB, por exemplo, tem flertado com Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza. O PSDB também tem feito um movimento semelhante com os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os tucanos vão realizar prévias para definir o candidato do partido. O senador Tasso Jereissati e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também estão no páreo.

Confira, em ordem alfabética, alguns nomes cotados como possíveis candidatos à Presidência da República:

CIRO GOMES 

Ciro Gomes, ex-governador do Ceará
Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, é a opção do PDT para concorrer à presidência mais uma vez. Crédito: Reprodução/Redes sociais

Terceiro colocado nas eleições de 2018, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) tem se apresentado como a opção de centro para derrotar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele vem tentando atrair o apoio de siglas tanto de centro-esquerda quanto de centro-direita para 2022. 

A construção de uma frente, contudo, pode não ser viabilizada, já que Ciro encontra dificuldade em dialogar com alguns partidos, entre eles o DEM e o PSD, que também analisam lançar candidatos próprios. 

O ex-governador declarou que tem como missão tirar o PT do segundo turno nas próximas eleições, já que o partido não parece abrir mão de uma candidatura, e ele quer evitar a polarização de 2018.

EDUARDO LEITE

Eduardo Leite, governador do RS
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, disputa a preferência do PSDB com João Doria. Crédito: Reprodução Twitter

Após o recente racha interno no PSDB, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi apresentado como um possível nome para disputar a presidência em 2022. Leite deve disputar a preferência do partido com João Doria, governador de São Paulo, que, até então, vinha sendo apontado como a aposta tucana.

Uma mudança de postura de Eduardo Leite já tem sido observada. O governador tem subido o tom contra Bolsonaro, como também tem feito Doria desde o início da pandemia de Covid-19. 

Caso Leite não consiga se cacifar dentro do PSDB, a pré-candidatura dele não é descartada. Ele já recebeu convites do PSD e do Podemos para se filiar e disputar as eleições.

O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio e o senador Tasso Jereissati também se afirmam pré-candidatos à Presidência da República e vão disputar, em uma eleição interna do PSDB, o direito de concorrer pelo partido em 2022.

FERNANDO HADDAD

Fernando Haddad em ato da Caravana Lula Livre, no Recife, em agosto de 2019
Fernando Haddad foi apontado por Lula como pré-candidato do PT. Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Derrotado por Bolsonaro em 2018, no segundo turno das eleições, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) pode voltar às urnas em 2022. Ele foi apontado como pré-candidato do partido pelo ex-presidente Lula. Isso antes de as condenações do ex-presidente serem anuladas.

Haddad, contudo, não é unanimidade no PT e pode ter a concorrência do governador da Bahia, Rui Costa (PT), que também se coloca como pré-candidato e diz que pretende disputar as eleições. Isso, claro, se o próprio Lula não concorrer.

JAIR BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento do programa Adote um Parque, no Palácio do Planalto.
O presidente Jair Bolsonaro deve tentar a reeleição em 2022. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), já disse que não sabe se vai tentar a reeleição e até ameaçou não haver eleições em 2022, mas as movimentações dele têm mostrado que ele está, mais do que nunca, interessado na corrida eleitoral. 

Apesar das críticas à gestão na pandemia, Bolsonaro ainda desfruta de aprovação de parte da população e tem uma base de eleitores fiéis que dificilmente vão abandoná-lo nas eleições. Entre cientistas políticos, é unânime que o presidente se coloca como o candidato mais forte a ser visto nas urnas, com grande possibilidade de ir para o segundo turno. 

Bolsonaro foi eleito pelo PSL em 2018, mas saiu do partido no final de 2019 com o objetivo de criar o próprio partido, a Aliança pelo Brasil. O projeto não saiu do papel e desde então o presidente permanece sem legenda.

Recentemente, Bolsonaro afirmou que escolheria uma nova casa até o fim de março. Entre os partidos que podem abrigá-lo estão: PP, PTB, PL e Patriota. Em sua trajetória política, o capitão já passou por oito partidos. 

JOÃO DORIA

João Dória discursa no Centro de Convenções de Vitória
João Doria discursa no Centro de Convenções de Vitória em busca do apoios de tucanos locais. Crédito: Ricardo Medeiros

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tornou-se um grande crítico do presidente Jair Bolsonaro após a eleição em 2018. Os conflitos se intensificaram durante a pandemia de Covid-19 e Doria é o principal desafeto do chefe do Executivo federal.  

O governador de São Paulo tem ganhado projeção e aumentou o seu capital político com a vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac. Ele tem se colocado como opção de uma frente de centro-direita para as eleições de 2022, tentando atrair inclusive o apoio de partidos como o DEM.

O governador, contudo, tem primeiro que conquistar a maioria dos delegados do PSDB que vão votar nas prévias da sigla, em novembro, para escolher quem vai disputar a Presidência da República.

LUCIANO HUCK

Luciano Huck
Luciano Huck é cotado para disputar as eleições presidenciais. Crédito: Instagram/lucianohuck

Desde 2018, o nome do apresentador Luciano Huck era especulado para disputar as eleições. Huck não é filiado a nenhum partido, mas dialogava com algumas legendas, entre elas o DEM e o Cidadania – esta chegou até a fazer convite de filiação ao apresentador. 

Huck é visto como um outsider na política e tem usado as redes sociais para fazer forte oposição ao presidente Jair Bolsonaro. A candidatura do apresentador, contudo, demandaria abrir mão de uma trajetória de sucesso na TV para se arriscar em um campo desconhecido. 

E isso, Huck já afirmou que não vai fazer. Ele renovou o contrato com a Globo e vai para o lugar de Faustão aos domingos. E descartou entrar na corrida pela Presidência da República.

LUIZA TRAJANO

Luiza Trajano participou da abertura da 16ª Semana Justiça pela Paz em Casa
O PSB flerta com Luiza Trajano para trazê-la como candidata em 2022 . Crédito: Assessoria de Comunicação do TJES/Divulgação

Dona do Magazine Luiza, Luiza Trajano tem sido assediada por líderes partidários para disputar as eleições em 2022. Pelo menos três legendas já tentaram convencê-la a ser candidata, uma delas é o PSB.

A empresária também já foi apontada como possível vice em uma chapa com o PT, Doria e também Luciano Huck. Ela nega, contudo, que pretenda concorrer a qualquer cargo em 2022.

Luiza Trajano é conhecida pela trajetória de sucesso à frente do Magazine. Ela é idealizadora de movimentos empresarias como o Unidos pela Vacina e do grupo Mulheres do Brasil.

LUIZ HENRIQUE MANDETTA

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta é cogitado para disputar as eleições em 2022. Crédito: Isac Nóbrega/PR

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) ganhou visibilidade durante o período em que atuou no combate à pandemia de Covid-19. Após sair do governo, Mandetta se colocou como um crítico à gestão de Bolsonaro e ganhou projeção. O DEM cogita lançar a candidatura do ex-ministro em 2022,  mas essa possibilidade vai depender do relacionamento do partido com Bolsonaro.

Recentemente, o presidente  da legenda, ACM Neto, disse que não descartava apoiar o atual presidente em 2022. A declaração foi rebatida por Mandetta e especulou-se a saída do ex-ministro do partido. 

Os dois, contudo, acabaram se acertando e até fizeram uma transmissão ao vivo juntos, na última terça-feira (02), criticando o governo federal. Ao que tudo indica, Mandetta voltou a ter bandeira branca para trabalhar sua pré-candidatura. 

LULA

Ex-presidente Lula
Ex-presidente Lula, aos 75 anos, pode disputar novamente a Presidência da República. Crédito: Edilson Junior/Instituto Lula

O ex-presidente Lula (PT) estava impedido de disputar eleições, barrado pela Lei da Ficha Limpa, por ter sido condenado em segunda instância por crimes investigados na Operação Lava Jato. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, anulou todas as condenações do petista.

Assim, Lula está livre para disputar eleições, inclusive a de 2022. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que havia sido indicado pelo ex-presidente para concorrer, já disse que a preferência no partido é de Lula, maior nome do PT. Lideranças do partido, inclusive no Espírito Santo, defendem que o ex-presidente concorra à Presidência da República.

SERGIO MORO

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala a imprensa sobre seu pedido de demissão do cargo
Moro ganhou projeção após sair do governo Bolsonaro. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Desde que saiu do governo, brigado com o presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro é cotado para 2022. Com uma imagem associada ao combate à corrupção, o nome dele se tornou popular e agrada parte do eleitorado.

Mas, desde então, Moro não ganhou musculatura política, e as recentes derrotas que a Lava Jato tem sofrido no Supremo Tribunal Federal (STF) podem provocar um enfraquecimento da candidatura do ex-juiz.

Moro já foi procurado por alguns partidos, entre eles o Podemos, mas não se filiou a nenhum deles. O ex-juiz e Luciano Huck chegaram a se reunir para discutir a situação política atual e ventilou-se a possibilidade da formação de uma aliança.

"POUCOS NOMES VÃO SE VIABILIZAR"

Apesar da extensa lista de pré-candidatos à presidência em 2022 – muitos outros ainda devem surgir – o cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco, Antônio Lucena,  acredita que "poucos nomes vão se viabilizar". De acordo com ele, a consolidação de um candidato depende, sobretudo, da rede de apoio que ele consegue construir ao longo do tempo.

“Se durante esse período pré-eleitoral ele tiver apoio e conseguir ganhar musculatura, há uma tendência de permanecer naquele cenário e dispute, de fato, a eleição.  Mas no cenário que temos hoje, com tantos nomes em tantas frentes, muitas articulações ainda vão ser feitas. O único nome que eu apontaria como certo nas eleições é o do próprio presidente", sustenta. 

Para o cientista político Paulo Baía, alguns dos nomes já postos podem vir a se compor chapas. No entanto, ele não vê a possibilidade de uma frente contra Bolsonaro, como chegou a ser especulado pelos partidos. 

"A ideia de uma frente única é uma ideia falida que não emplacou, porque todo mundo quer liderar essa frente. No momento, não temos o consenso em torno de nenhum nome e não acredito que teremos até 2022. Essa fragmentação acaba sendo favorável a Bolsonaro, porque ela dilui votos", pontua. 

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