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Casagrande se reúne com Lula e partidos não descartam aliança em 2022

Reunião contou com a participação de dirigentes do PT e do PSB; enfrentamento à pandemia teria sido o principal assunto, mas o cenário eleitoral no próximo ano também fez parte da conversa

Vitória
Publicado em 07/04/2021 às 18h05
Reunião virtual aconteceu no dia 6 de abril
Lula e Casagrande participaram de reunião promovida por PT e PSB para discutir cenário em 2022. Crédito: Montagem A Gazeta

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), se reuniram de forma virtual, nesta terça-feira (06), em um encontro viabilizado pelas Executivas nacionais dos partidos. Apesar de o tema central da conversa ter sido o enfrentamento à pandemia no país, o cenário eleitoral em 2022 também foi discutido.

Segundo dirigentes dos partidos, o PT e o PSB caminham em um movimento de reaproximação após a retomada dos direitos políticos de Lula. A possibilidade de uma aliança já foi levada à mesa e não é descartada.

Casagrande é secretário-geral do PSB e, por isso, segundo a assessoria de imprensa do governador, foi convidado para a reunião. Apesar disso, teria participado apenas do início do encontro. Além do socialista e do ex-presidente Lula, também estiveram presentes as lideranças dos dois partidos: Carlos Siqueira (PSB) e Gleisi Hoffmann (PT).

Tanto Lula quanto Casagrande são apontados como possíveis candidatos à Presidência da República no próximo ano. O nome do petista, que agora está livre para concorrer em 2022, é dado como certo e tem provocado movimentações no tabuleiro eleitoral. Já o de Casagrande é visto como a possibilidade, caso o PSB opte por lançar uma candidatura própria.

No último mês, o diretório nacional do PSB chegou a anunciar o governador do Espírito Santo como pré-candidato ao Palácio do Planalto. O anúncio, no entanto, não teve repercussão significativa e, localmente, Casagrande é tratado como pré-candidato ao governo do Estado.

O governador confirmou que havia recebido o convite, mas que não era o momento para o debate político, mas de combate à pandemia.

Esse teria sido também o tom da conversa de terça-feira, segundo a presidente do PT no Espírito Santo, Jackeline Rocha. Ela não participou da reunião, mas disse que o objetivo do partido, neste momento, é debater os problemas da população e agregar forças políticas no enfrentamento à Covid-19.

“Temos um ex-presidente com popularidade, que poderia ser o candidato natural à presidência, mas o principal agora é traçar uma agenda para tirar o país desta crise, trazer vacina para todo mundo, garantir emprego e renda”, comentou.

De acordo com ela, o PT tem conversado com outros partidos em busca de uma unidade política para enfrentar o cenário atual.

“O PT tem buscado esse diálogo coletivo, a nacional está conversando com todo mundo, Não estamos defendendo uma flexibilização das alianças, mas, se quisermos fazer com que o país saia desse abismo, é preciso uma unidade politica”, defendeu.

A necessidade de ampliar alianças não só agora, mas visando 2022, teria sido exposta por Lula durante o encontro. Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Lula disse aos representantes do PSB que sua candidatura à presidência não é indiscutível, que a construção de uma aliança passará pelo diálogo para além da esquerda. Na ocasião, ele lembrou do empresário José Alencar, que foi seu vice durante os dois mandatos. 

O tom da conversa agradou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. “[Lula] mostrou muita disposição, mas também desprendimento. Disse que não será candidato de qualquer forma, que não está reivindicando essa condição”, disse em entrevista à Folha.

“[Lula] mostrou que há necessidade de ampliação das forças políticas em programa comum. Aquele discurso inicial muito estreito, petista, acho que ele foi aberto. Acho que o resultado das eleições municipais, que foi muito ruim para o PT, fez com que mudassem o discurso, somado à necessidade objetiva de enfrentamento ao bolsonarismo”, complementou.

De acordo com o presidente do PSB no Espírito Santo, Alberto Gavini, o partido vai trabalhar para contribuir com a aglutinação de forças que se oponham ao projeto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2022. Para ele, uma aliança com o PT é viável e já vem sendo discutida internamente.

Alberto Gavini

Presidente do PSB no Espírito Santo

"Tudo é possível para não se ver repetição do Bolsonaro em 2022. O PSB e o PT sempre foram parceiros, a linha programática dos partidos leva a uma aliança"

“Temos mais de um ano pela frente e Lula não é o candidato natural, isso é importante, porque abre o diálogo. Mas se for, há grandes chances de estarmos juntos. Acho saudável essa conversa se iniciar agora, apesar de não ser o foco do governador. Primeiro, vamos pensar na pandemia, depois vêm as eleições", ressaltou Gavini.

O QUE DIZ CASAGRANDE

Procurado pela reportagem, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, disse, por meio de assessoria de imprensa, que participou apenas do início da reunião e que faz parte da Executiva nacional do PSB.

Ele não quis comentar o teor da conversa com o ex-presidente Lula e disse que mais informações deveriam ser solicitadas ao diretório nacional do partido.

A Gazeta entrou em contato com o PSB nacional, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

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