Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Atos simbólicos

ANÁLISE | Bolsonaro, desfile militar e voto impresso: "um faz de conta que acontece"

Ao colocar um tanque e outros veículos militares para desfilar na Praça dos Três Poderes, de forma inédita desde 1988, o presidente quis contar uma história

Publicado em 10 de Agosto de 2021 às 22:11

Letícia Gonçalves

Publicado em 

10 ago 2021 às 22:11
Presidente da República, Jair Bolsonaro recebe convite da Demonstração Operativa a ser realizada por ocasião da Operação Formosa 2021.
Presidente da República, Jair Bolsonaro recebe convite da Demonstração Operativa a ser realizada por ocasião da Operação Formosa 2021 Crédito: Marcos Correa/PR
Não. Este não é um texto sobre o filme mencionado no título, estrelado por Adam Sandler. É sobre outro contador de histórias. Também não é o Forrest Gump e sim o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 
Ao colocar um tanque e outros veículos militares para desfilar na Praça dos Três Poderes, de forma inédita desde 1988, bem no dia em que a Câmara dos Deputados sepultaria, horas depois, a proposta de implantar o voto impresso, ou auditoria cruzada, no Brasil, o presidente quis contar uma história. Ao vivo.
É uma imagem simbólica ter veículos militares, um ou outro soltando uma fumaça ao modo fumacê, passando em frente ao Supremo Tribunal Federal, instituição que o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse que, para fechar, bastariam um cabo e um soldado.
Ainda mais simbólico é o desfile passar bem pertinho do Congresso Nacional na data em que uma proposta cara ao presidente – que ele tem usado para inflamar apoiadores, justificar eventual derrota em 2022 e desestabilizar o sistema eleitoral – foi ao escrutínio dos deputados federais.
De quebra, Bolsonaro ainda desvia o foco de outros assuntos. Nisso foi, em parte, bem-sucedido ou não estaríamos tratando de voto impresso e desfile militar aqui. No filme "Um faz de conta que acontece" (2009), diz a sinopse, histórias de ninar contadas pelo protagonista influenciam a realidade.
"Ah, foi coincidência de datas", disseram alguns bolsonaristas e o almirante Almir Garnier Santos, comandante da Marinha. Com boa vontade, poderíamos até crer nesse conto. Mas e o trajeto? Os veículos militares partiram do Rio de Janeiro com destino ao Campo de Instrução de Formosa (CIF), em Goiás. É um exercício militar que acontece desde 1988. Ok. Mas, desde então, é a primeira vez que passa pela Praça dos Três Poderes, em Brasília.
"Ah, mas foi para entregar um convite a Bolsonaro, para ele ir a Formosa". Para Bolsonaro? Tão afeito às redes sociais e ao WhatsApp? Os militares tinham que ir pessoalmente? Obviamente, é uma história contada.
Como desfecho, o voto impresso foi derrotado, talvez ainda mais fragorosamente do que seria não fosse a marcha que precedeu a votação.
Dada a ditadura militar que o Brasil viveu, no entanto, o desfile ao estilo Coreia do Norte não evoca outra história que não a derrocada da democracia. 
Apareceram, claro, as notas de repúdio. A do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), foi uma das mais duras. Ele chamou o desfile recepcionado por Bolsonaro de "cena patética" e sinal não de força, mas da fraqueza de Bolsonaro frente a denúncias de corrupção desveladas pelo colegiado.
Mas a execração ao desfile não foi unânime, nem mesmo na própria CPI.
O senador Marcos do Val (Podemos), representante do Espírito Santo na Casa e membro suplente da comissão, por exemplo, disse que as reações negativas ao desfile militar não passam de "chilique".
"Democracia de chiliquentos! O evento com os blindados da marinha ocorre desde 1988, quando seguem para exercício em Formosa/GO. Nada tem haver com a intimidação ao voto impresso ou a qualquer outro trabalho no congresso. Vergonha alheia desta oposição que tudo dá chilique!", publicou, no Twitter.
De qualquer forma, o desfile foi só encenação (no sentido de um espetáculo, algo para chamar a atenção). Mas ficção e realidade nos ensinam: tem faz de conta que acontece. E, ao contrário de filmes bobos, não se deve relevar isso.
Em tempo: Eu não assisti ao filme "Um faz de conta que acontece" (2009), mas se tivesse visto não teria vergonha de dizer. Eu revi "Highlander – O Guerreiro Imortal (1986)" esses dias. Está na Netflix. Adorava quando criança, mas hoje reconheço que é muito ruim. Isso, no entanto, é assunto para Rafael Braz.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Parede de imóvel ficou com as marcas dos tiros no bairro Aparecida, em Cariacica
Dois homens morrem após ataque seguido de confronto com a PM em Cariacica
Imagem de destaque
Oxum: 5 formas de se conectar com a orixá do amor e da prosperidade 
Imagem de destaque
Do fundo do mar ao skincare: conheça os novos ativos marinhos da beleza coreana

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados