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Desfile militar em dia do voto impresso tem Bolsonaro no alto da rampa

O desfile desta terça-feira (10) em frente ao Palácio do Planalto reuniu dezenas de veículos militares, entre blindados, tanques, caminhões e jipes

Publicado em 10/08/2021 às 10h12
Presidente Jair Bolsonaro acompanha desfile de tanques e blindados da Marinha
Presidente Jair Bolsonaro acompanha desfile de tanques e blindados da Marinha. Crédito: Matheus W Alves/Futura Press/Folhapress

O desfile desta terça-feira (10) em frente ao Palácio do Planalto reuniu dezenas de veículos militares, entre blindados, tanques, caminhões e jipes.

A parada militar, realizada no dia da votação do voto impresso na Câmara dos Deputados e criticada como mais uma tentativa de polarização das Forças Armadas, começou por volta de 8h30.

Nesse horário, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já estava na rampa do Palácio do Planalto, acompanhado dos comandantes das três forças. Também estavam diversos ministros, entre eles Walter Braga Netto (Defesa), Ciro Nogueira (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Anderson Torres (Justiça).

No início do desfile, que durou aproximadamente 10 minutos, um militar em traje de combate desceu de um dos veículos, subiu a rampa e entregou a Bolsonaro um convite para comparecer a exercício militar da Marinha programado para agosto.

Durante a passagem dos veículos, um grupo de apoiadores de Bolsonaro se reuniu na Praça dos Três Poderes e entoou gritos em defesa da intervenção militar. Eles gritaram "Eu Autorizo" e "142", em referência a dispositivo constitucional que bolsonaristas dizem justificar uma eventual intervenção fardada.

Desfile de tanques e blindados da Marinha pela Esplanada dos Ministérios
Desfile de tanques e blindados da Marinha pela Esplanada dos Ministérios. Crédito: Matheus W Alves/Futura Press/Folhapress

CLIMA DE TENSÃO

A presença de blindados em frente ao Planalto -um local em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao lado do Congresso Nacional- ocorre em meio ao agravamento de uma crise institucional entre Bolsonaro e o Judiciário.

O presidente tem feito uma série de ameaças contra a organização das eleições do ano que vem. Na sua defesa do voto impresso, ele chegou a colocar em dúvida a realização do pleito.

"Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição", disse Bolsonaro em 1º de agosto.

Dias depois, ao ser incluído pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) como investigado no inquérito das fake news, o mandatário disse que poderia atuar fora dos limites constitucionais.

"Ainda mais um inquérito que nasce sem qualquer embasamento jurídico, não pode começar por ele [pelo Supremo Tribunal Federal]. Ele abre, apura e pune? Sem comentário. Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição", declarou Bolsonaro, durante uma entrevista.

Após reiterados ataques de Bolsonaro a integrantes do STF, principalmente contra Moraes e Luís Roberto Barroso, o presidente do tribunal, Luiz Fux, cancelou uma reunião prevista entre os chefes dos três Poderes.

A demonstração das Forças Armadas ocorrerá ainda na semana em que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso pode ser derrotada no Plenário da Câmara.

A comissão especial da Câmara dos Deputados já disse não à adoção do chamado voto impresso, mas o plenário da Casa vai deliberar sobre o tema nesta terça-feira (10), por esforço do presidente da Câmara, Arthur Lira. A votação, no entanto, deve apenas sepultar de vez a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acrescentaria a impressão de cada voto ao ato de apertar o botão "confirma" na urna eletrônica.

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