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Hoffmann e Gilson Daniel: peças-chave da mudança no governo Casagrande

Nomes de confiança do governador, Tyago Hoffmann e Gilson Daniel assumem postos chave na gestão e promovem mudança significativa na articulação política e na área econômica do governo

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 01/03/2021 às 18h02
Gilson Daniel (à esquerda) e Tyago Hoffmann (à direita) são peças-chave das mudanças do governo na reta final
Gilson Daniel (à esquerda) e Tyago Hoffmann (à direita) são peças-chave das mudanças do governo na reta final. Crédito: Instagram/@tyagohoffmann

A já anunciada mudança no secretariado do governo estadual foi oficializada no Diário Oficial desta segunda-feira (1º). A publicação traz a nomeação do ex-prefeito de Viana, Gilson Daniel (Podemos), como novo secretário de Governo, cargo que era ocupado por Tyago Hoffmann (PSB). O economista, que é um dos braços direitos do governador Renato Casagrande (PSB), assume agora uma nova pasta, resultado da fusão das secretarias de Desenvolvimento e de Ciência e Tecnologia.

As mudanças têm, em um primeiro momento, dois efeitos: a área econômica do governo passa a ter um viés político maior, ao mesmo tempo em que o governador coloca um de seus homens de confiança à frente da articulação do Estado com o mercado; de outro lado, o governo amplia a ponte com os prefeitos, trazendo para a sala de comando do Estado, o líder da categoria, em um movimento considerado estratégico para ampliar o diálogo com o interior em momento decisivo antes da eleição de 2022.

Gilson Daniel será um novo conselheiro em seu núcleo duro, como o próprio Casagrande afirmou em entrevista ao colunista Vitor Vogas, publicada nesta segunda. Ele se soma ao centro de comando do governo, sentando-se ao lado do próprio Tyago Hoffmann; do secretário da Casa Civil, Davi Diniz; da chefe de gabinete, Valésia Perozini; e da superintendente de Comunicação, Flávia Mignoni.

O ex-prefeito de Viana terminou em 2020 seus oito anos de mandato na cidade e está em seus últimos dias como presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes). A ascensão de Gilson na política estadual começou em 2013, quando trocou a Câmara de Vereadores de Viana pela prefeitura, depois de vencer as eleições contra uma política tradicional do município, a ex-prefeita e ex-deputada Solange Lube.

Em 2015, ele sofreu desgaste político ao ser parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Viana. No carro, os policiais encontraram uma bolsa com R$ 41 mil, que o então prefeito declarou serem fruto de suas economias. Por conta da alta quantia em dinheiro vivo, ele chegou a ir até a sede da Polícia Federal para explicar a origem do recurso, mas não houve oferecimento de denúncia.

Enquanto prefeito, Gilson se tornou um importante articulador político.  Se aproximou da senadora Rose de Freitas (MDB), nas eleições de 2018, depois do governador Renato Casagrande, e foi uma peça importante nas eleições na Grande Vitória, em 2020. Ele ajudou a coordenar a campanha do agora prefeito de CariacicaEuclério Sampaio (DEM), e do chefe do Executivo em Vila VelhaArnaldinho Borgo (Podemos). De quebra, ainda acumulou no fim de 2020, o mandato como prefeito em Viana com a coordenação da transição de governo em Vila Velha e Cariacica.

Cotado para ser candidato a deputado federal em 2022, Gilson chega à secretaria de Governo, segundo ele mesmo, para dar continuidade ao trabalho que Hoffmann já vinha exercendo. O "diferencial", digamos, que ele traz ao governo é um elo mais forte com os prefeitos, que pode ser estratégico nesta reta final do atual mandato. Caso o governador opte pela reeleição no próximo ano, o apoio dos gestores municipais é uma arma importante, principalmente entre o eleitorado do interior.

"A secretaria está muito bem organizada, vamos dar sequência ao trabalho que já vinha sendo desenvolvido", conta Gilson. Questionado sobre os “pedidos” já feitos pelos prefeitos em exercício, ele brinca. "Você imagina como que está, né? (risos) A gente deve ter nos próximos dias uma agenda com os prefeitos, realinhando o nosso trabalho com os gestores municipais", afirma.

Palácio AN
Palácio Anchieta: sede do governo estadual. Crédito: Divulgação Governo Estadual

ÁREA ECONÔMICA GANHA VERNIZ POLÍTICO

Em meio a uma queda de arrecadação motivada pela redução no preço do petróleo em 2020 e o início da pandemia da Covid-19, o desenvolvimento econômico tem sido um entrave para o governo estadual. Esta será a segunda troca de comando na secretaria no atual mandato. Heber Resende, nomeado secretário da pasta no início do governo de Casagrande, ficou sete meses no cargo e deixou a secretaria para presidir a ES Gás, estatal capixaba.

Após quase 30 dias sem secretário, o secretário de Desenvolvimento de Anchieta, Marcos Kneip, então desconhecido no Estado, foi escolhido para a pasta em 2019. Kneip segue no governo estadual, mas em um cargo de "menor destaque", como um dos diretores do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

Em dezembro, ao pontuar possíveis mudanças no secretariado, Casagrande disse que poderia trocar peças "ao avaliar o desempenho de cada pasta". Importante frisar que a troca no Desenvolvimento Econômico não foi motivada, segundo o governo, por resultados ruins. O discurso é de que era necessário dar maior enfoque à inovação, palavra-chave na pasta de Ciência e Tecnologia, na área econômica do governo. Daí a junção de secretarias.

Ainda assim, não dá para negar que no lugar de um secretário que não era próximo do governador até 2019, quando Kneip assumiu a pasta, Casagrande coloca seu principal "soldado" à frente da secretaria. Tyago Hoffmann está com o governador desde 2009, quando Casagrande era senador. Economista de formação, Hoffmann era, naquele período, pesquisador do Instituto Futura, quando começou a trabalhar com Casagrande. Logo no início do mandato do socialista, em 2011, ele passou a compor a gestão e hoje trata o governador como "amigo pessoal".

"Não tem essa especulação de quem perde e quem ganha, minha relação com o governador é de lealdade, independentemente do cargo que estiver ou se estiver dentro ou fora do governo. Ele é um amigo e, em decisões importantes que ele precisar tomar, estarei disponível sempre que ele precisar", afirma Hoffmann.

Se havia algum "distanciamento" entre o Desenvolvimento Econômico e o centro de comando, a nomeação de Hoffmann é um indicativo de que Casagrande quer novos resultados no setor. Entre os empresários, como mostrou a colunista Beatriz Seixas no último sábado (27), o momento é considerado chave para a pasta, já entrando na reta final do mandato, que, neste campo, ainda deixa um pouco a desejar.

"O Espírito Santo está crescendo menos do que a média do país, que já é vergonhosa. Então, precisamos buscar caminhos para gerar riqueza, renda, empregos, para crescer. Precisamos de mais agressividade, mais presença, e espero que o Tyago dê ritmo a isso", disse um empresário, sob anonimato, à colunista.

COMO FICAM AS PASTAS APÓS AS MUDANÇAS

A nova "supersecretaria" a ser comandada por Tyago Hoffmann terá um orçamento, em 2021, de R$ 35,6 milhões (R$ 6,9 milhões previstos para o Desenvolvimento Econômico e R$ 28,7 milhões para a Ciência e Tecnologia). Já a secretaria de Governo, que será assumida por Gilson Daniel, poderá gastar até R$ 22,7 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. Os recursos não parecem muito quando comparados a pastas maiores como a Saúde (que administra um fundo de R$ 2,1 bilhões) e a Educação (R$ 1,5 bilhão de orçamento).

No entanto, gozam de importância estratégica no governo. Segundo Hoffmann e Gilson, as duas pastas estarão bem unidas. Aliás, os dois secretários, coincidentemente ou não, demostraram isso ao darem entrevista juntos, por telefone, com os dois lado a lado conversando por viva voz com a reportagem.

Entre os antigos ocupantes das secretarias agora unidas em uma só, além de Kneip, que assume diretoria no Bandes, a ex-secretária da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação Cristina Engel de Alvarez vai presidir a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). O antecessor do cargo, Denio Rebello Arantes, foi exonerado, de acordo com a publicação do Diário Oficial desta segunda, e nomeado no cargo de gerente de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Gilson Daniel, Presidente da Amunes
Gilson Daniel em evento organizado pela Amunes. Crédito: Amunes/Divulgação

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (1º), Casagrande foi questionado sobre a possibilidade de novas mudanças na equipe, mas não quis adiantar movimentações. "Outras mudanças poderão acontecer, mas como não tenho clareza delas ainda, não quero adiantá-las, porque senão você expõe o nome de pessoas. Prefiro fazer isso 'mineiramente', e depois, quando estiver organizado, divulgar", afirmou.

ELEIÇÃO NA AMUNES: "NÃO TERÁ EX-PREFEITOS NO COMANDO"

De despedida da Amunes, Gilson Daniel depende apenas de uma liberação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde é servidor efetivo, para tomar posse como secretário de Estado e deixar a Associação. Em seu lugar, até o fim do mandato que vai até abril, ficará o vice-presidente, Lubiana Barrigueira (PSB), ex-prefeito de Nova Venécia. Lubiana era cotado para ser candidato à presidência, mas Gilson descarta a possibilidade que um ex-prefeito assuma a entidade. 

"Nunca foi cogitado (um ex-prefeito assumir a entidade) neste momento. O que acontece é que o estatuto passou por uma adaptação. De qualquer forma, quem vota são os prefeitos em exercício. Com todo o respeito ao Lubiana, que é um parceiro e amigo, não há um movimento para que ele seja o novo presidente", afirmou.

Gilson terá a eleição da Amunes como uma de suas primeiras missões como secretário de Governo. O objetivo é construir uma chapa de consenso e evitar o desgaste de uma disputa em duas chapas. São cotados para o cargo os prefeitos de Cachoeiro de ItapemirimVictor Coelho (PSB); de Anchieta, Fabrício Petri (PSB); e de Ibatiba, Luciano Pingo (Republicanos). Todos eles fazem parte da base do governo.

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