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Pandemia fechou 1,9 mil vagas no comércio, restaurantes e hotéis no ES

Esses segmentos, juntamente com a área de transportes, foram os principais responsáveis pela desaceleração das contratações no Estado em abril. Saldo de emprego final ainda ficou positivo por causa do agronegócio

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 26/05/2021 às 17h31
Bares e restaurantes abertos no dia das mães
Bares e restaurantes: setor é um dos que mais sofrem com medidas de restrição. Crédito: Vitor Jubini

A economia capixaba reduziu o ritmo de criação de novas vagas de emprego em abril. Foram contratados 25.100 trabalhadores formais no mês, segundo dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Ministério da Economia. Paralelamente, foram fechados 24.348 empregos, resultando em um saldo de 752 novas vagas.

Se por um lado o bom desempenho do agronegócio em abril ainda permitiu que o saldo de empregos no Espírito Santo ficasse positivo, por outro vários segmentos apresentaram um forte fechamento de postos de trabalho. Com isso, a abertura de novas vagas desacelerou no Estado em comparação com março, quando foram 4,3 mil contratações a mais que demissões.

Entre os segmentos que mais extinguiram postos de trabalho no mês passado estão alimentação e alojamento (-895 vagas), comércio (-731) e os serviços de transporte, armazenagem e correios (-292). Somadas, essas áreas fecharam 1.921 empregos a mais do que abriram.

O principal motivo para as baixas, segundo análise do economista Marcelo Loyola Fraga, foi o recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no primeiro trimestre, o que levou a novas restrições às atividades a partir da segunda quinzena de março.

Nos quatro primeiros dias de abril, o Estado ainda estava sob quarentena para conter o avanço da Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde. Além do comércio, uma série de estabelecimentos cujas atividades não eram prioritárias naquele momento ficaram impedidos de funcionar com atendimento presencial.

Hotéis e outros estabelecimentos de hospedagem tiveram que funcionar apenas com metade da capacidade. Serviços de transporte intermunicipal e interestadual também foram afetados pela determinação de limitação de passageiros.

Mesmo após o fim da quarentena, diversos municípios continuaram enquadrados em classificações de risco extremo e alto no mapa elaborado semanalmente pelo governo, o que restringe o funcionamento de alguns estabelecimentos.

Essa retomada vem sendo feito de forma gradual. Ainda hoje, por exemplo, nas cidades da Grande Vitória - com exceção da Capital - bares estão proibidos de funcionar e restaurantes e comércio ainda têm o horário de atendimento de reduzido.

“Os setores que mais demitiram bem como os que menos contrataram - e são questões diferentes - foram os mais afetados pelas restrições. O comércio de rua menos agora, em comparação com os shoppings que, exceto em Vitória, ainda tem o funcionamento limitado a um turno. O setor de bares, restaurantes, entretenimento e tudo que envolve o turismo em algum nível também sofreu baixas por conta do avanço da crise sanitária.”

Paralelamente, o economista considera que a demora na renovação do programa de manutenção de emprego e renda pelo governo federal cobrou seu preço dos empresários que passavam por dificuldades.  A medida que permite a redução de jornada e salários ou suspensão temporária do contrato de trabalho vinha sendo demandada desde janeiro pelo empresariado, entretanto, só foi reestabelecida em 27 de abril. 

"Era uma necessidade urgente e foi sendo adiada por entraves diversos envolvendo o Orçamento da União. E mesmo o acesso ao crédito para manter o capital de giro é demorado. Algumas empresas não conseguiram segurar as pontas quando a pandemia voltou a sair do controle."

A indústria geral também apresentou saldo negativo de empregos, com encerramento de 324 vagas com carteira assinada.

SALDO POSITIVO

Dos cinco setores analisados pelo Caged, entretanto, três tiveram saldo positivo de contratações. A área que mais abriu oportunidades no mês passado foi a agropecuária, com 905 novas contratações distribuídas entre as atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura.

Segundo Loyola, contribuíram para o bom desempenho do setor fatores sazonais, como o início da colheita de café nesta época do ano, mas também o fato de que o segmento é responsável por abastecer outros negócios que estão em plena atividade, como é o caso dos supermercados.

Na sequência, aparece o setor de serviços, com saldo de 695 contratações. A área da saúde, que vem se destacando desde o início da pandemia, foi a que mais ganhou reforço de novos profissionais. Já no setor da construção civil, que foi o maior responsável pela criação de empregos no Estado em 2020, foram abertas 207 novas oportunidades no mês passado.

Vale destacar que as estatísticas do mercado de trabalho do governo federal não trazem um retrato amplo do desemprego, pois avaliam apenas as empresas que estão ativas no e-Social, além de excluir os negócios que atuam na informalidade. Assim, contam somente as vagas com carteira assinada.

TRINTA E DUAS CIDADES DO ES TIVERAM SALDO NEGATIVO DE CONTRATAÇÕES EM ABRIL

Dos 78 municípios capixabas, 32 demitiram mais do que contrataram no mês de abril. Vila Velha lidera as demissões no Estado, com 506 postos de trabalho extintos no mês passado. Vitória aparece em segundo lugar, com saldo negativo de 312 vagas, e Colatina em terceiro, com 290 empregos encerrados.

Do outro lado da balança, São MateusSerra e Linhares, que, em geral, concentram uma série de grandes indústrias, foram as cidades com melhor desempenho do mercado de trabalho formal, com 329, 297 e 295 novas vagas, respectivamente. 

RESULTADO NO PAÍS

O saldo positivo de contratações observado no Espírito Santo (752) também se repetiu em nível nacional. O emprego formal no Brasil apresentou crescimento em abril de 2021 com um saldo de 120.935 novos postos de trabalho. Em abril de 2020, portanto no auge da primeira fase da pandemia, o país havia extinguido 963.703 vagas.

O estoque de empregos formais no país chegou a 40.320.857 vínculos. Todos os setores de atividade econômica apresentaram crescimento no mês, sendo o setor da serviços o grande destaque com a geração de 57.610 novos postos de trabalho formais, isto é, quase metade do total.

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