Líder do segmento de calçados femininos de conforto, a Usaflex trocou há poucos meses as operações de distribuição dos seus produtos, vendidos pelo e-commerce, do Estado de São Paulo para o Espírito Santo. Agora, os mais de 200 mil pares que vão chegar até os clientes da marca em todo o país neste ano vão partir do novo centro de distribuição da companhia, localizado na Serra.
A coluna conversou com o diretor industrial da empresa, Marcelo Giovani Guimarães, que listou os principais pontos que fizeram a marca gaúcha escolher a Serra e o Estado. Para ele, além de ser uma referência logística, o Espírito Santo tem conseguido oferecer um bom ambiente de negócios, por exemplo, com burocracia reduzida.
O executivo destacou que desde que a companhia decidiu ampliar suas operações para atender as vendas on-line, ela pesquisou diferentes locais e foi no Espírito Santo onde mais encontrou condições favoráveis e uma empresa prestadora de serviços que estava mais alinhada às necessidades da marca feminina.
"Em uma operação como essa são avaliados vários ângulos. A questão da logística foi muito forte. Além disso, tem toda a questão de ambiente favorável para negócios no Estado do Espírito Santo"
Também pesaram positivamente em favor do Estado a oferta de mão de obra qualificada na área logística e os incentivos fiscais, por meio do programa Compete, oferecidos pelo governo capixaba.
A Usaflex investiu cerca de R$ 250 mil no desenvolvimento de integração de sistemas e na operação da transferência do estoque de São Paulo para o Espírito Santo e o novo CD tem o objetivo de atender ao crescente mercado virtual, que deverá representar até 20% das vendas da marca gaúcha até 2025.
Por enquanto, o foco das operações na Serra é atender o e-commerce. Mas a companhia avalia a possibilidade de abastecer as franquias da marca também por meio desse local.
A seguir, você confere a entrevista com Marcelo Giovani Guimarães, que falou sobre os planos da empresa para o Espírito Santo e sobre os negócios da marca.
A Usaflex iniciou recentemente as operações de um centro de distribuição na Serra. O que esse CD representa para a marca?
Essa operação estava localizada no Estado de São Paulo até final de 2020. Em meados de 2020 nós identificamos a oportunidade de explorar com uma maior intensidade a nossa operação B2C [empresa vendendo para um cliente final]. A Usaflex já tem uma expertise de longa data no B2B, que é a venda para outras empresas, para lojas. E, desde 2019, nós iniciamos a venda direta para o consumidor, através da operação de e-commerce, que até então estava no Estado de São Paulo. No início de 2020, identificamos a necessidade de uma ampliação nessa operação do e-commerce. Iniciamos então os estudos de como otimizar toda a operação e começamos a identificar possíveis locais para abrigar essa nova operação.
E o Espírito Santo foi um desses locais...
O Espírito Santo sabidamente é um grande hub logístico, que cresceu muito nos últimos anos e foi um dos locais que nós identificamos como potencial para abrigar nossa operação. No meio do ano passado, nós tivemos um primeiro contato com as autoridades capixabas da área de desenvolvimento e fizemos, em julho de 2020, uma visita a cerca de 10 operadores logísticos da região da Grande Vitória. Na ocasião, nós identificamos o Serra Park, na Serra, como player mais alinhado com as nossas expectativas. A partir de julho, nós começamos a parte operacional da mudança, uma mudança que envolveu tanto o deslocamento dos pares existentes no centro de distribuição de São Paulo, como todo uma mudança de sistemas. Tivemos aí toda uma etapa de integração, de desenvolvimento para poder plugar as nossas operações no CD do Serra Park. E, no final de 2020, bem finalzinho, nós começamos a mudança e lá pelo dia 28 e 29 de dezembro começamos a operar via Espírito Santo. Então, a operação do e-commerce está full time na Serra.
O CD capixaba vai distribuir os calçados para todo o país? Quais são os mercados alvos e qual a movimentação prevista para esse centro de distribuição?
Hoje essa operação é nosso único depósito, nosso único ponto de partida para o Brasil todo. O CD na Serra abastece todo mercado nacional.
Quanto ao volume, o canal do e-commerce faturou em torno de 80 mil a 100 mil pares em 2020. Neste ano, deverá ser em torno de 200 mil a 250 mil pares, e a expectativa é que no ano que vem o e-commerce, por meio do CD capixaba, alcance cerca de 400 mil pares. Nós temos todo um plano para 5 anos, que segue crescendo nessas proporções.
"A empresa planeja um crescimento bastante significativo para os próximos anos. A operação no centro de distribuição capixaba tem capacidade para crescer
"
O que motivou a empresa a vir para o Espírito Santo?
Em uma operação como essa são avaliados vários ângulos. A questão da logística foi muito forte. Além disso, tem toda a questão de ambiente favorável para negócios no Estado do Espírito Santo. Na questão da mudança, na parte da burocracia, tivemos uma boa experiência. Tudo foi muito rápido e positivo. Tem ainda a questão da mão de obra capacitada. O fato de o ES ser um hub logístico, ele disponibiliza toda cadeia de mão de obra e prestadores de serviços. Existe a questão financeira, com o Compete, que é um dos benefícios fiscais do Espírito Santo. Um projeto como esse, de longo prazo, leva em consideração vários pontos para que a nossa operação possa crescer conforme os planos previstos.
De que forma a pandemia afetou os negócios da Usaflex?
Todos os segmentos que dependem muito da venda por varejo foram afetados. A gente teve durante o período de março até agosto de 2020, boa parte das lojas físicas, tanto as nossas franquias quanto os canais multimarcas, fechadas, impossibilitadas de realizar seus negócios, suas vendas. Em compensação, parte dessa demanda migrou para as vendas por meio do canal digital. Ou seja, um percentual da venda via e-commerce aumentou perante outros canais e acreditamos que esse é um comportamento que veio para ficar. É um comportamento que foi acelerado pela pandemia, veio para ficar e as empresas precisam se preparar para atender o cliente e permitir a experiência do consumidor da melhor forma possível.
As vendas on-line representam quanto no total de vendas da Usaflex?
Ela saiu de um percentual bastante tímido. Em 2019, a gente saiu de percentual tímido de 2% e nosso objetivo é que as vendas on-line cheguem em torno de 20% da receita da companhia até 2025.
Além do centro de distribuição, a empresa tem nos planos alguma outra operação no ES, como uma fábrica?
Neste momento, estamos trabalhando na consolidação da operação logística. Nós temos no Sul quatro plantas fabris, que receberam investimentos significativos nos últimos períodos. São plantas modernas que absorvem a nossa capacidade de produção.
"No curto prazo ter uma fábrica no ES não está no nosso horizonte. Os negócios mudam de forma rápida, mas no curto prazo nossa intenção é consolidar a operação logística"
Qual a atual produção da Usaflex e os principais mercados?
No pré-pandemia, nós estávamos produzindo em torno de 25 mil pares por dia em todas as nossas plantas. Hoje, esse número está em torno de 20 mil pares e em estágio de recuperação. Em relação ao mercado, somos líderes no Brasil no segmento de calçados de conforto. A nossa fatia maior é o mercado interno, mas também exportamos, com a venda para o exterior em torno de 10%.
Nós temos quatro grandes canais de distribuição. As franquias, que hoje são em torno de 240 espalhadas por todos os Estados brasileiros, sendo quatro no Espírito Santo. Temos o canal multimarcas, que são 7 mil pontos pelo Brasil. Temos o canal exportação, com a venda para mais de 50 países. E o e-commerce, por meio do centro e distribuição na Serra.
A Usaflex já foi uma marca muito associada a calçados mais voltados para a 3ª idade. Mas isso vem mudando nos últimos anos. Qual o público de vocês e como tem sido esse processo de posicionamento no mercado?
Esse é um processo que já vem de bastante tempo. A Usaflex é uma empresa de 20 anos. Lá no início tinha essa característica, mas ela vem em um processo de rejuvenescimento do público-alvo. Ainda assim, grande parte do nosso público é composto por pessoas relacionados à melhor idade. Mas nós não produzimos para uma idade específica, nós produzimos sapatos de conforto e o conforto não é exclusivo de uma determinada faixa etária. Essa questão do bem-estar veio para ficar. O bonito não precisa ser algo que não seja confortável. A gente identifica isso e trabalha há bastante tempo buscando agregar elementos de moda, tendências, materiais tecnológicos, que tragam beleza, mas nunca fugindo do nosso DNA, que é entregar um sapato de conforto.