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Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

"Fábrica da Marcopolo em São Mateus tem muito espaço para crescer"

Frase é do gerente nacional de vendas da Volare - unidade de negócios da Marcopolo -, Sidnei Vargas. Em entrevista à coluna, o executivo falou sobre a unidade capixaba e o potencial de expansão da planta que produz micro-ônibus e carrocerias

Vitória
Publicado em 17/05/2021 às 02h00
Sidnei Vargas é gerente nacional de vendas da Volare
Sidnei Vargas é gerente nacional de vendas da Volare. Crédito: Volare/Divulgação

Em operação desde 2014 em São Mateus, a Marcopolo/Volare produz atualmente 10 unidades por dia, mas tem capacidade para chegar a uma fabricação diária de até 50 veículos.

A planta capixaba - responsável pela produção de 30% dos micro-ônibus do grupo e por 20% das carrocerias - é uma das mais modernas do país nesse segmento e é considerada pela multinacional com grande potencial de expansão. 

A coluna conversou com o  gerente nacional de vendas da Volare, Sidnei Vargas, que reforçou o otimismo do grupo com a unidade do Norte do Espírito Santo. Para o executivo, a fábrica é muito estratégica para a companhia, uma vez que está próxima dos grandes centros consumidores e é a responsável por atender demandas do Norte e Nordeste,  mercados em crescimento.

Vargas diz que a ideia é tornar a planta de São Mateus especialista na produção de micro-ônibus e de produtos urbanos, tanto é que em 2020 a multinacional fez mudanças estruturais na sua produção, transferindo da unidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para o Estado o segmento de transporte urbano.  

Sidnei Vargas

Gerente nacional de vendas da Volare

"Estrategicamente São Mateus oferece grande competitividade no transporte, na logística de entrega também, que no nosso país é muito caro. A gente vê aí os efeitos do aumento do combustível, o quanto representou somente neste ano. Então, para nós, está sendo bem interessante fazer essa concentração porque as grandes praças estão ao redor"

Por mais que o gerente admita que a unidade capixaba deva receber mais investimentos no futuro e que pode vir a absorver novas linhas e ampliar a sua produção, por enquanto, ele diz ser cedo para falar sobre números e projetos de expansão. Afinal, ainda existe muita incerteza no mercado em função da pandemia do novo coronavírus, que atingiu em cheio segmentos diretamente ligados aos negócios da Marcopolo/Volare, como o transporte escolar e o voltado para o turismo. 

Mas, mesmo em meio a esse quadro, Vargas diz acreditar que o avanço da vacinação no país vai ajudar esses setores a se recuperarem, ainda que aos poucos, e que este ano será melhor do que foi o ano de 2020. 

Outro desafio abordado pelo executivo é a grande demanda por alguns insumos no mercado, que acabaram elevando preços e prazos de produtos usados na indústria de veículos. Esse e outros temas tratados por Sidnei Vargas você confere na entrevista abaixo. 

Montagem de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus
Montagem de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus. Crédito: Marcopolo/Reprodução

Qual a participação da unidade capixaba nos negócios da Marcopolo/Volare?

Vou começar falando pela Volare, que é a unidade de negócios que estou conduzindo. Ela pertence à Marcopolo, mas tem um canal de distribuição independente. O Volare é mais focado na venda do varejo, então, por isso, a gente tem uma rede de concessionários, algo perto de 50 concessionários nas principais cidades do Brasil. Somos líder de mercado. Nos últimos 15 anos, certamente a gente tem uma participação acima de 50% na venda de micro-ônibus. Nessa planta do Espírito Santo, em São Mateus, a gente produz algo como 30% dos micro-ônibus para atender a nossa distribuição principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A Volare tem 22 anos e agora em junho a gente completa 23 anos. É uma unidade de negócios nova, jovem. Mas já produziu mais de 75 mil micro-ônibus na sua história e, desde que conquistou a liderança, vem sustentando com participação [no mercado] acima de 50%, focada principalmente no transporte de passageiros num ambiente mais de varejo mesmo, no um a um. A Volare tem poucos clientes que tenham uma frota de veículos. Então, a gente vende para autoescola, para transportador escolar, que tem uma unidade, duas unidades. A gente vence bastante em licitações para prefeituras e atendemos diversos segmentos: turismo, fretamento, agronegócio, mineração… E temos um portfólio de quase 50 produtos bem distribuídos para as mais diversas aplicações. A Volare também exporta hoje para mais de 35 países da América do Sul, África do Sul, mas o principal mercado é o mercado nacional. E a Marcopolo é uma empresa gigante. Com mais de 70 anos, é uma das maiores encarroçadoras do mundo, tem operações fora do Brasil, é uma multinacional, também líder no mercado brasileiro. No último ano, também ficou acima de 50% de participação na produção de carrocerias, no setor rodoviário, linhas no transporte urbano e fretamento.

Os veículos produzidos no ES são voltados para o mercado interno ou também são exportados?

A grande maioria é para o mercado nacional mesmo. Essa unidade tem pouco mais de 5 anos e estamos chegando agora no nosso melhor momento. Quando a gente abre uma nova planta, existe um ramp up de produção. Então, foi todo um desenvolvimento. Para poder fazer esse crescimento de produção em São Mateus, a gente formou a mão de obra local. Então, houve um exercício junto ao Senai local para gente formar essa mão de obra e, por isso, levamos um tempo para poder chegar a níveis de produção maiores. Hoje, de toda a produção nacional da Marcopolo 20% já sai dessa planta e do Volare 30%, ou seja, de carroceria ela representa 20% do total e de micro-ônibus 30%.

O que isso representa em quantidade absoluta?

Hoje, de Volare são 90 unidades e carroceria urbana 130, então, são 220 carros por mês, algo como 10 carros/dia. É o que a gente está produzindo hoje e certamente a planta ela tem espaço para crescer. Ela foi construída para chegar até 50 unidades/dia. Tem estrutura para isso.

E tem uma perspectiva de quando esperam alcançar essa capacidade?

É difícil te dizer hoje. A pandemia afetou muito o setor de transporte. As pessoas acabaram se isolando e o nosso foco é transportar pessoas. A gente enxerga que dias melhores estão vindo por aí, mas não dá para te precisar, só dizer que a gente está vivendo o nosso melhor momento. A gente está hoje conseguindo fazer uma produção de 10 unidades/dia. A gente começou com uma, foi para duas, três... e hoje estamos em 10, a nossa maior produção. Empregamos 1.099 funcionários diretos na cidade de São Mateus. Isso representa algo como 0,8% da população, já é um percentual no nosso entendimento expressivo, porque são empregos diretos e existem ainda os indiretos. A gente está obviamente com planos. 

Sidnei Vargas

Gerente nacional de vendas da Volare

"A unidade de São Mateus é uma planta estratégica para nós. Pela distribuição, principalmente os hubs Norte e Nordeste, que são mercados importantes no que diz respeito ao transporte de pessoas. Tem várias operações, cidades importantes, com população grande, com muito desenvolvimento ainda a ser feito no que diz respeito a transportes"
Vista aérea da unidade Marcopolo/Volare, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo
Vista aérea da unidade Marcopolo/Volare, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Crédito: Volare/Divulgação

A pandemia é um desafio para muitas empresas e várias montadoras pararam a produção em 2020 e inclusive neste ano. A Marcopolo/Volare São Mateus chegou a parar em 2020, no início da pandemia. Como foi para a empresa lidar com essa situação?

Logo no início, a gente deu férias coletivas para entender o que ia ser, o que vinha pela frente. Ninguém estava preparado para isso, mas rapidamente a Marcopolo se organizou e a gente montou na época um comitê de crise para avaliar, até porque a indústria do ônibus foi muito afetada. Não na sua totalidade, alguns setores eles continuaram a ter desempenho até melhor, como é o caso do fretamento. Porque a pandemia exigiu um isolamento das pessoas, então, em alguns casos houve aumento de frota para manter esse isolamento. Um veículo de 40 passageiros ele transportava a partir daí 20. Isso demandou novos produtos e aí vieram algumas oportunidades. Mas setores como trasporte escolar e turismo, eles sofrem até hoje e muito. Acho que eles foram os que mais sofreram nesse período. Então, o que a empresa fez? A gente criou estratégias mirando nas oportunidades e tentando também buscar adequações, como todas as empresas precisaram fazer, mas desde então não houve mais paradas e o segmento que mais puxou para nós foi a área de fretamento. Porque o fretamento acabou exigindo novas aquisições para poder garantir esse distanciamento, e também com a alta do dólar, alguns setores como o agronegócio e a mineração acabaram sendo motivados e houve até crescimento. A gente conta com um portfólio bem distribuído e a gente conseguiu atuar mais fortemente nessas áreas para trazer o menor impacto possível, mas a gente sofreu impactos obviamente. A verdade é que a gente conseguiu passar por essa fase. 

Então não há previsão de nova paralisação, de férias coletivas, dentro do cenário que se tem hoje?

Hoje não temos previsão. A gente certamente está sofrendo algumas dificuldades no abastecimento, com dificuldade para aquisição de alguns materiais estratégicos.

Quais, por exemplo?

Aço, alumínio, pneu são alguns desses itens. O setor de caminhões está puxando muito, né? Muito aquecido também por esse incremento que houve pelas exportações no agronegócio e na mineração. Então, o setor de cargas ele teve um crescimento, uma performance bem diferente do que foi o transporte de passageiros e, com esse aumento de demanda, a falta de matéria-prima está gerando aumentos expressivos e dificuldades para a cadeia de abastecimento. Mas principalmente esses itens de commodities que estão sendo favorecidos pela alta do dólar na exportação acabam pressionando um pouco no mercado interno. Essa é a nossa maior dificuldade hoje de abastecimento, mas nada previsto de parada não.

De que forma essa falta de matéria-prima está impactando nos prazos?

Aços específicos e especiais estão tendo falta, porque o aço que é utilizado para fabricação de eixo, que é utilizado para a fabricação do chassi e do motor. Na nossa cadeia de planejamento com nossos parceiros de chassi, a gente teve que antecipar a previsão algo como uns 60 dias a mais. Com 90 dias a gente abastecia de informações a rede para atender as nossas demandas e hoje a nossa previsão chega até 150 dias em alguns itens, itens importados também com muita dificuldade. Além disso, o ambiente logístico, com a queda dos voos comerciais, sobrou voo de carga e contêineres, navio, e isso com aumento dessa demanda está tendo dificuldade nesse sentido e encareceu também, né? Os itens importados com a alta do dólar também impactam, por exemplo, quando a gente importa itens eletrônicos ou aços especiais que vêm de outros países. Esses países também sofreram. Tiveram lockdown, pararam as atividades e, por isso, a dificuldade no abastecimento. 

Sidnei Vargas

Gerente nacional de vendas da Volare

"A gente quase que dobrou o prazo de planejamento para não sofrer impactos no nosso abastecimento. Foi essa a nossa estratégia de tentar antecipar previsões para que a gente não viesse a sofrer"

Isso tudo impacta nos custos, né?  Isso exigiu uma nova reorganização da empresa?

A gente inevitavelmente teve que repassar, certamente fizemos várias ações para tentar conquistar reduções de custo dentro da empresa, para criar menos impacto para os nossos clientes, mas sim, o aço teve aumentos expressivos, assustadores. Itens importados, itens que são derivados de plásticos, embalagens, faltaram embalagens pelo país. Aumenta a demanda e com menos oferta, o preço sobe, então, percentuais de aumento que chegam a assustar. A gente tem que estar vivendo no meio desse ambiente, mas seguimos em frente. A empresa está conseguindo. Na nossa visão, o pior passou, e a gente enxerga que, com o avanço da vacinação, as atividades voltem a se normalizar e os passageiros voltem a circular, porque esse é o nosso foco principal: transportar pessoas.

Fábrica da Marcopolo/Volare em São Mateus
Fábrica da Marcopolo/Volare em São Mateus . Crédito: Marcopolo/Reprodução

Em outubro de 2020, a Marcopolo anunciou o encerramento das suas atividades na planta de Duque de Caxias. Na ocasião, a empresa informou que parte da produção de ônibus urbanos passaria a ser feita no ES. Essa transferência já aconteceu por completo? A unidade de São Mateus já está produzindo essas unidades? O que o ES absorveu dessa unidade do Rio?

O Espírito Santo absorveu 100%. 80% de todo o segmento do transporte urbano é produzido em São Mateus já. Os 20% que a gente produz na planta de Caxias do Sul é para atender as vendas que acontecem na região Sul do Brasil. Agora todo o centro, de São Paulo para cima, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o que diz respeito à produção de urbanos já é feita em São Mateus. Como eu te falei, a gente conseguiu fazer uma boa qualificação da mão de obra capixaba e hoje a gente tem condições perfeitamente de atender o setor urbano e é nossa estratégia transformar essa planta como uma planta especializada em micro-ônibus e produtos urbanos.

O que motivou a empresa a trazer a produção de Duque de Caxias para o ES? O que foi levado em conta?

Estrategicamente São Mateus oferece grande competitividade no transporte, na logística de entrega também, que no nosso país é muito caro. A gente vê aí os efeitos do aumento do combustível, o quanto representou somente neste ano. Então, para nós, está sendo bem interessante fazer essa concentração porque as grandes praças estão ao redor. Minas Gerais é uma grande praça de venda de transporte urbano e está a 600 quilômetros de São Mateus e de Caxias está 1.600 quilômetros, então, a gente tem ganhos expressivos nesse sentido logístico e também porque a gente conseguiu fazer principalmente investimentos na mão de obra, na qualificação dessa mão de obra. Talvez demorou um pouco porque essa indústria para a região capixaba era uma novidade. 

Sidnei Vargas

Gerente nacional de vendas da Volare

"Estamos bem felizes hoje. É um reconhecimento dos nossos clientes hoje a qualidade dos produtos que são produzidos na unidade de São Mateus."

Vocês trouxeram profissionais do Rio para cá?

Poucas pessoas. Algumas pessoas-chave foram transferidas, mas bem pouco no volume todo. Hoje a gente tem algumas pessoas de Caxias também a nível gerencial, pessoas que eram da planta de Caxias e foram transferidas, mas hoje moram e se transferiram com família e estão virando capixabas, e estão felizes. E algumas pessoas do Rio também foram transferidas para São Mateus, mas bem poucas mesmo.

A produção que era no Rio já está acontecendo no ES? As adequações na planta capixaba já foram feitas...

Todo o ferramental da planta do Rio de Janeiro já foi transferido para a planta de São Mateus e os próximos investimentos serão todos feitos nessa planta. A nossa estratégia é transformar a planta de São Mateus especialista na produção de micro-ônibus e de produtos urbanos. Hoje o principal mercado da indústria do ônibus é o setor urbano. A maior população de frota ativa está voltada no setor urbano, o que a gente vê nas cidades rodando é ônibus urbano.

Há planos de incluir na unidade capixaba algum tipo linha que hoje não é produzida, mas que vocês veem como potencial? Existe essa possibilidade?

Existe, a planta absorve. Ela, como espaço, é a nossa maior planta como área. Agora como área construída não. Mas ela tem capacidade para isso. Então, a gente poderia avançar com outros segmentos e produtos dentro dessa planta. Mas nosso foco agora é micro-ônibus e veículos urbanos. Podemos obviamente no futuro, mas não teria assim uma precisão para te dar. Mas ela pode absorver porque ela tem capacidade para 50 carros/dia. Nós estamos produzindo 10, então tem muito espaço para crescer. Como eu te disse, a gente está bastante feliz com os resultados que a gente está conquistando nessa planta. Sofremos, desde que a gente abriu, passamos por momentos difíceis, encaramos crise no meio de tudo isso, mas conseguimos e estamos satisfeitos com as performances, com a produtividade, com a eficiência e principalmente com a qualidade dos produtos que a gente está entregando da produção dessa planta.

Linha de produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus
Linha de produção de ônibus na fábrica da Marcopolo em São Mateus. Crédito: Marcopolo/Reprodução de vídeo

A Marcopolo praticamente foi pioneira aqui no ES nesse segmento veicular. Então, essa é uma cadeia ainda em fase de desenvolvimento. Mas hoje vocês já contam com fornecedores locais?

Como eu te falei tem um ramp up, um crescimento da planta como um todo e passa pela cadeia de fornecedores que está com a gente na operação. Uma das empresas que já está instalada é a Agrale, que fornece chassi para os nossos micro-ônibus. Então, sim, tem fornecedores que estão hoje junto com a gente. E dentro da planta também existem itens que nós fabricávamos no Rio Grande do Sul e levamos para São Mateus para que fossem montados. Hoje, a gente já tem uma linha de fabricação na planta de São Mateus e estamos expandindo isso, é nosso interesse. É mais interessante para nós produzir esses materiais porque hoje o transporte é muito caro no nosso país, então, tudo o que a gente puder produzir em São Mateus, é melhor para nós, para São Mateus, para o Espírito Santo, então, é nosso interesse crescer sim com a planta na produção de carrocerias e micro-ônibus, mas também com a fabricação dos componentes de carroceria e micro-ônibus.

Isso exigiu adequações, né?

Foram feitos investimentos pesados pela nossa empresa para que a gente pudesse ampliar a fabricação. Por exemplo, poltronas a gente tem uma linha de produção interessante em Caxias do Sul. A gente produzia poltrona colocava no caminhão e mandava para São Mateus. Hoje, a gente manda espuma e produz a poltrona em São Mateus e assim outros itens também. Ferramentas que a gente teve que fazer aquisição para fazer fabricação de itens estruturais. São ferramentas caras, já está feito o investimento e, à medida que a gente vai conquistando esses investimentos, vai avançando na produção local. Nosso interesse sim é fabricar ônibus completo em São Mateus, certamente alguns fornecedores estratégicos devem nos acompanhar principalmente com esse crescimento de produção que a gente está tendo na unidade capixaba. A gente pode está arrastando outros parceiros para virem atuar com a gente.

Quais são as expectativas da empresa para 2021?

As perspectivas são otimistas com o avanço da vacinação e com a retomada principalmente de alguns setores, um deles é o transporte escolar. A gente está torcendo para que as aulas possam voltar a ser presenciais porque é um mercado muito grande, se a gente somar passa de 100 mil operadores no Brasil que estão parados e sofrendo há mais ano, né? Então, a gente torce por esse setor e, com a retomada, obviamente dias melhores vêm por aí. É o que a gente aposta. Com a diminuição da pressão na área da saúde, as atividades tendem a voltar aos poucos, então, esperamos que voltem o transporte de passageiros por linhas normais, de linha rodoviária, que é um produto que sofreu bastante. Em alguns setores, transporte urbano sofreu, mas bem menos do que o transporte rodoviário. Setor de fretamento teve oportunidades e até um ligeiro crescimento, mas o transporte escolar parou totalmente. O turismo quase que parou totalmente e se voltou foi de maneira muito ainda longe do que era antes. Esse setor está sofrendo. E com o alívio que vem por aí, na nossa visão com o avanço da vacinação, esses setores voltam e então a gente volta a negociar nesses segmentos. Então, é nesse sentido que a gente acha que 2021 vai encerrar melhor do que começou.

Para São Mateus tem investimento previsto?

O principal investimento está feito porque a operação está rodando bem. A gente está muito feliz com a perfomance da planta de São Mateus e por ela ter mais capacidade para que a gente possa crescer mais, certamente poderá vir novo investimento.

Muitas companhias da área têm desenvolvido tecnologias e trabalhado para oferecer veículos mais sustentáveis. A Marcopolo/Volare trabalha com algo nesse sentido?

Sim. A gente acompanha e hoje nós temos produtos tanto no micro-ônibus como em produtos urbanos, como também rodoviário já totalmente elétricos. Temos aplicação de ônibus urbano já na Grande São Paulo e em outras capitais, como Brasília. Também temos veículos articulados e o Volare hoje tem o microônibus 100% elétrico. Essa é uma bandeira mundial e a Marcopolo está de olho e a nossa engenharia está pesquisando e trabalhando em cima disso. Com certeza no momento que o mercado tiver demandando para os produtos mais sustentáveis, a gente vai contar no nosso portfólio com produtos dessa natureza.

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