Repórter / [email protected]
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 15:24
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio do plantão noturno da Região Metropolitana, notificou a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e exigiu o restabelecimento imediato do abastecimento de água em bairros de Vitória que enfrentam interrupção do serviço há mais de cinco dias. >
A notificação tem como base uma reclamação formal apresentada pelo vereador Professor Jocelino Junior (PT), da Câmara de Vitória, e aponta que a falta de água atinge de forma grave e contínua moradores de nove regiões da Capital: Santa Clara, Fonte Grande, Piedade, Jesus de Nazareth, Moscoso, Forte São João, Romão, Cruzamento e a região da Grande São Pedro. >
No documento, com data de assinatura da quinta-feira (1º), a promotora de Justiça plantonista Valéria Barros Duarte de Morais afirma que a interrupção prolongada configura violação aos direitos do consumidor e risco à saúde pública, uma vez que o acesso à água potável é um serviço essencial. Segundo o MPES, cabe à concessionária garantir a continuidade, a transparência e a qualidade do fornecimento. >
A notificação também destaca a ineficiência das medidas paliativas adotadas pela companhia até o momento. Conforme o texto do documento, em áreas como a Fonte Grande, o relevo íngreme e o acesso por longas escadarias tornam inviável o abastecimento por caminhões-pipa, expondo moradores — especialmente idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida — a riscos físicos e acidentes.>
>
Procurada pela reportagem na tarde desta sexta-feira (2) para comentar a notificação do MPES, a Cesan se manifestou após a publicação deste texto. Por nota, a companhia somente informou que "tudo será esclarecido ao órgão dentro do prazo legal".>
O MPES ressalta ainda que, apesar das reiteradas reclamações da população, não houve apresentação de justificativa oficial nem divulgação de prazo concreto para a normalização do serviço por parte da Cesan. >
Na notificação à Cesan, o MPES pede as seguintes providências:>
O documento alerta que o descumprimento das determinações poderá resultar na adoção de medidas administrativas e judiciais para a defesa dos direitos da coletividade. >
Segundo revelaram reportagens da TV Gazeta e do portal G1, pelo menos cinco cidades do Espírito Santo — Guarapari, Cariacica, Itapemirim, Marataízes e Colatina — têm enfrentado graves problemas no abastecimento de água durante a virada de 2025 para 2026. A crise é impulsionada por uma onda de calor intensa, com temperaturas cerca de 5 °C acima da média, e pelo aumento expressivo da demanda provocado pela alta temporada de verão. >
Em Guarapari, na Região Metropolitana da Grande Vitória, por exemplo, a situação se agrava com a chegada de aproximadamente 1,5 milhão de turistas, número que pressiona o sistema de distribuição e compromete o fornecimento regular em diversos bairros.>
Procurada pela equipe de reportagem sobre a falta de água em Guarapari e Cariacica, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) informou que identificou, na tarde de terça-feira (30), ligações clandestinas na localidade de Cachoeirinha, em Guarapari, que comprometeram o sistema de distribuição e impactaram o abastecimento tanto em áreas do município quanto em regiões vizinhas. Segundo a estatal, as irregularidades já foram corrigidas, e a Cesan reforça que o furto de água é crime.>
Nas cidades do Litoral Sul, segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), o grande fluxo de visitantes provocou sobrecarga na rede, deixando moradores sem água desde o período do Natal.>
Diante do cenário crítico, os órgãos responsáveis adotaram medidas emergenciais para tentar minimizar os impactos. Em Itapemirim, foi instalada uma nova bomba de alta pressão, além da despressurização controlada da rede, com o objetivo de restabelecer gradualmente o abastecimento.>
Já em Marataízes, a estratégia inclui a operação de caminhões-pipa, que transportam água até as estações de bombeamento para manter o sistema em funcionamento. Paralelamente, o SAAE reforçou o apelo para que moradores e turistas façam uso consciente da água, evitando desperdícios durante o período mais crítico da crise.>
Além da correção das ligações clandestinas, de acordo com a Cesan, o sistema opera atualmente em sua capacidade máxima, mas, devido ao alto consumo e às temperaturas elevadas, a normalização do abastecimento ocorre de forma gradativa, podendo levar mais tempo do que o habitual, a depender da região e da altitude dos imóveis.>
A Cesan informou também que o atendimento por caminhão-pipa está sendo realizado conforme critérios técnicos e operacionais, sem priorização de bairros, e que os imóveis precisam apresentar condições adequadas para o recebimento da água. De forma preventiva, a companhia orienta que os imóveis mantenham reservação compatível com o consumo.>
Por fim, a empresa afirmou que segue monitorando a situação e permanece à disposição da população por meio de seus canais oficiais de atendimento>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta